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  "LEITURAS DO CORPO JAPONÊS II"

Investigação + análise + comentários críticos + exibição de imagens +
lançamento de livro + leitura dramática

A cartilha do corpo japonês é um texto sem palavras.
Na narrativa branca, a reinvenção dos gestos que marcaram a história.


CONCEITO DO PROJETO:

Em seu recente livro Corpos da Memória, narrativas da cultura do pós-guerra no Japão, o professor Igarashi Y. explica: a chave para entender as modificações da cultura japonesa sempre esteve no corpo. Nasceu do seu ideal de perfeição e de disciplina e reviveu infinitamente na desconstrução desse mesmo modelo, na sua degradação. Hoje, pouco ou nada se reconhece da representação desses "corpos originais", o que transformou as obras em metáforas vivas da cultura japonesa.

O evento
Leituras do Corpo Japonês II guarda um parentesco com as idéias de Igarashi. Não propõe uma discussão específica sobre a guerra, mas alimenta-se de rastros e sombras, reconhecendo no corpo uma existência processual. Nunca pronta. Nunca inteira. Sempre em construção.

Na
primeira versão, realizada em 1999, Leituras do Corpo Japonês indagou os rastros do nô (teatro clássico) e do butô (manifestação do pós-guerra) no Japão contemporâneo e fora de lá. Workshops, apresentações, palestras e mostras de vídeo convidaram o público a refletir acerca dessas primeiras imagens - provavelmente, algumas das mais marcantes para o público ocidental. Na época, foram convidadas duas especialistas do Japão, a atriz Rebecca Teele Ogamo do International Noh Institute de Kyoto, e a crítica de dança Kuniyoshi Kazuko, professora da Universidade Waseda.

Para a versão
2003, novas trilhas foram mapeadas: nos quadrinhos japoneses, nas gravuras eróticas, na obra de Mishima Yukio e no texto “A Chave” de Tanizaki Jun’ichiro que será também objeto de uma leitura dramática dirigida por Marcia Abujamra, com a participação de Elias Andreato e Tânia Bondezan. E, desta vez, os leitores do corpo japonês são Madalena Hashimoto, Sonia Luyten, Jean-Claude Bernardet, Darci Kusano e Christine Greiner.

Além das palestras, haverá a projeção de um DVD inédito que reúne toda a obra de
Ohno Kazuo, dois vídeos secretos de artistas dos anos 60 e o lançamento do livro de fotografias de Emidio Luisi, acerca de Ohno, com apresentação da crítica de dança Inês Bogéa e textos de Ligia Verdi e Antunes Filho.

PROGRAMAÇÃO:

Dia 25 de Março (Espaço Cultural Fundação Japão)
Av. Paulista 37 1o. Andar São Paulo SP

14:30 Apresentação do evento, por Christine Greiner
15:00 Palestra de Sonia Luyten “O Condicional e o Presente nos Traços do Mangá
            – A Representação do Corpo Idealizado”
16:00 Palestra de Madalena Hashimoto “As Estampas Xilográficas Shunga:
            Metonímias do Corpo Erótico”
17:00 Palestra de Darci Kusano “Erotismo e Morte em Yukio Mishima”
18:00 Exibição Documentário “Yukio Mishima”
19:00 Palestra de Jean-Claude Bernardet “A Chave: uma Interpretação do Universo
            de Tanizaki”
20:00 Leitura dramática de “A Chave”, direção de Márcia Abujamra, com a
            participação de Elias Andreato e Tânia Bondezan

Dia 26 de Março (Instituto Tomie Ohtake)
Rua Coropés, 88 São Paulo SP

19:30 Lançamento do Livro “Kazuo Ohno” com fotografias de Emidio Luidi e textos de Inês Bogéa.Editora Cosac & Naify

Exibição de DVD “Ohno Kazuo: Beauty and Strength”

Dia 27 de Março (Espaço Cultural Fundação Japão)

Exibição comentada de vídeos e DVDs
Sessões:
14:00 Exibição DVD “Ohno Kazuo: Beauty and Strength”
16:00 Comentários de Inês Bogéa
17:00 Palestra de Christine Greiner: “Imagens – Butô: Nijinsky, Hijikata, Hosoe,
            Richie e Artaud - Exercícios de Sobrevivência em Corpo, Película e Papel”
18:00 Exibição: As Imagens Secretas do Butô

DADOS DOS PARTICIPANTES:

CHRISTINE GREINER é doutora em Comunicação e Semiótica, coordenadora do Centro de Estudos Orientais da PUC-SP e do curso de Comunicação e Artes do Corpo. Autora dos livros “Butô, pensamento em evolução” (Escrituras, 1998) e “Teatro Nô e o Ocidente” (Annablume, 2000) e de diversos artigos e conferências publicados no Brasil e no Exterior.

DARCI KUSANO é doutora em Artes Cênicas, autora de “Os Teatros Bunraku e Kabuki: Uma Visada Barroca” (Perspectiva e Aliança Cultural Brasil-Japão, 1993) e acaba de concluir a sua pesquisa intitulada “O Homem de Teatro e de Cinema Yukio Mishima”, para a obtenção do Grau de Livre Docência na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de S.Paulo.

INÊS BOGÉA é crítica de dança da Folha de S.Paulo. Foi bailarina do Grupo Corpo de 1989 até 2001; e organizou um livro sobre a companhia: “Oito ou Nove Ensaios Sobre o Grupo Corpo” (Cosac & Naify, 2001). É autora de “O Livro da Dança” (Companhia das Letrinhas, 2002), e organizadora de “Kazuo Ohno”, com fotos de Emidio Luisi (Cosac & Naify, 2003).

JEAN-CLAUDE BERNARDET é doutor em Artes pela ECA-USP onde leciona no curso de Cinema e Video. Diplomado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris), é ensaísta, romancista, produtor e realizador de cinema. Dentre muitas obras, é autor do romance “A Doença, uma Experiência” (Companhia das Letras, 1996) e co-autor do roteiro do filme “Através da Janela”, de Tata Amaral.

MADALENA HASHIMOTO é pesquisadora e vice-diretora do Centro de Estudos Japoneses da USP. Docente da Faculdade de Filosofia, Letras & Ciências Humanas da USP. Autora do livro “Pintura e Escritura do Mundo Flutuante: Hishikawa Moronobu e ukiyo-e Ihara Saikaku e ukiyo-zôshi” (Hedra, 2002). Dedica-se à pesquisa em artes visuais do Japão e desenvolve também trabalhos visuais na área da gravura.

MÁRCIA ABUJAMRA é diretora de teatro. Entre seus trabalhos recentes, estão O Dia Mais Feliz da sua Vida (2002), de Dionísio Neto, Cor de Chá (2001/2002), de Noemi Marinho, As Cidades Invisíveis (2001), inspirado em livro homônimo de Italo Calvino; Van Gogh (1993/2002), adaptação das cartas de Vincent Van Gogh a seu irmão Théo entre outros. Fez mestrado no Department of Performance Studies/NYU-New York University.

SONIA BIBE LUYTEN é doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações da USP, com tese sobre mangá, os quadrinhos japoneses. Foi professora da ECA/USP, deu aulas no Japão, na Holanda e França. Atualmente é professora e coordenadora do Programa de Mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Santos. Autora do livro “Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses" (Estação Liberdade, 1991), entre outros.

RESUMÉ DE ALGUMAS PALESTRAS:

KAZUO OHNO NO BRASIL, por Inês Bogéa
Com o público não especializado em mente, esta fala abordará três grandes temas: 1) o butô: breve introdução a um dos mais importantes gêneros da dança no século XX; 2) Kazuo Ohno: panorama da carreira de um dos mais renomados praticantes do butô, ainda em atividade aos 96 anos (com comentários a cenas vistas em vídeo antes); 3) Kazuo Ohno no Brasil: relato e discussão das três passagens de Ohno pelo país e do legado dessas visitas.

EROTISMO E MORTE EM YUKIO MISHIMA, por Darci Kusano
O zênite do seu culto ao corpo era São Sebastião, com sua juventude, beleza, martírio e o choque de erotismo e morte. Após a viagem ao Brasil e à Grécia, pratica a malhação, o boxe, as artes marciais e dá-se o nascimento do ator de teatro e cinema, bem como do modelo fotográfico. Simultaneamente, o escritor faz um retorno à mitologia, ao seu sonho de restauração do sistema imperial divino, em nome de quem se imolou, seguindo o seu lema de patriotismo/sentimento do sagrado, erotismo e morte.

 

IMAGENS-BUTÔ: NIJINSKI, HIJIKATA, HOSOE, RITCHIE E ARTAUD – EXERCÍCIOS DE SOBREVIVÊNCIA EM CORPO, PELÍCULA E PAPEL, por Christine Greiner
Butô tem sido objeto de desejo de inúmeros ensaios fotográficos e de documentários em vídeo e filme, espalhados pelo mundo. A força expressiva e a beleza sinistra dos corpos é facilmente admirada. Mas há um tipo de imagem que confronta todas as outras porque não propõe o registro, a autópsia ou qualquer comentário poético-analítico do movimento. É, ela mesma, um exercício butô. Não nasce antes nem depois, mas junto da ação e por isso se faz tão complexa e pouco palatável. A palestra mostra parte desta iconografia e seus autores (fotógrafos, artistas plásticos, cineastas e escritores), sugerindo que esse fluxo de imagem-palavra-ação foi o berçário dos 16 cadernos de criação, montados entre as décadas de 70 e 80, por Hijikata Tatsumi e conhecidos como o seu sistema de notação buto-fu. Um método inusitado para transformar jovens artistas inexperientes em intérpretes geniais.

 

"AS ESTAMPAS XILOGRÁFICAS SHUNGA: METONÍMIAS DO CORPO ERÓTICO”, por Madalena Hashimoto

As estampas xilográficas dos séculos XVII ao XIX, no Japão, foram utilizadas para difundir diversos gêneros pictóricos, entre eles o assim chamado shunga, "pintura-primavera", sendo comumente entendidas, no ocidente, como estampas eróticas. Apresentam-se exemplos retóricos do gênero, centrando-se a análise no aspecto metonímico que as fazem aludir a um universo de regras e subentendidos amorosos, através da utilização de recursos visuais de composição e representação, não raro tornando fundamental o conhecimento de obras literárias e teatrais.

 

O CONDICIONAL E O PRESENTE NOS TRAÇOS DO MANGÁ – A REPRESENTAÇÃO DO CORPO IDEALIZADO, por Sonia Bibe Luyten
“Aquilo que somos e o que gostaríamos de ser" é o enfoque principal que será dado na leitura do corpo japonês através dos traços do mangá. Os heróis e heroínas dos quadrinhos japoneses no seu aspecto físico são bem diferentes da produção ocidental. Um olhar atento e direcionado vai revelar os modos e desejos de combinação da realidade e fantasia transformando o corpo numa projeção do "querer ser”.

 

LEITURA DRAMÁTICA DE “A CHAVE”
Seleção dos textos e direção Márcia Abujamra
Com Tania Bondezan e Elias Andreato

Marido e mulher escrevem, cada um, o seu diário. Um diário íntimo. Um diário que pretende ser o espaço para expressar sentimentos que não compartilham com ninguém mais. Um espaço para confissões que não fazem um ao outro. Mas, acima de tudo, diários escritos para serem lidos pelo outro.
E, a cada dia documentado, o leitor testemunha uma profunda identidade entre eles: marido e mulher são iguais nas artimanhas que usam para não serem lidos. Ou ainda: são iguais nas artimanhas que se utilizam para terem certeza de que são lidos.

Esse é o jogo principal de “A Chave” de Junichiro Tanizaki: inventar e estimular o desejo.

O desejo de confessar, o desejo de saber o que normalmente não saberiam, de mostrar que sabem aquilo que não poderiam saber. E com isso, são capazes de re-inventar a sua vida amorosa e sexual. Uma cadeia infinita que envolve o leitor como cúmplice desse jogo. Afinal, o “voyeurismo” do marido que explora o corpo nu de sua mulher desmaiada pela embriaguez, equivale-se ao do leitor que tudo acompanha, que tudo vê. A entrega da mulher aos jogos sexuais do marido exige do leitor a aceitação das regras do jogo, pois para a total fruição do universo apresentado, o leitor também tem que se entregar a ele.
Um jogo que permite que o desejo se cumpra. Como um destino do qual não se pode escapar.
Na leitura que vamos apresentar, tentaremos estabelecer esse jogo buscando trazer à luz o prazer que ele proporciona a todos: marido, mulher e leitor/ espectador.

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