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  LEITURAS DO CORPO JAPONÊS III

Corpo e imagem: uma narrativa de sombras.
Realização: FUNDAÇÃO JAPÃO
Apoio: Centro de Estudos Orientais / PUCSP

Apresentação

LEITURAS DO CORPO JAPONÊS é um evento intermídia, que trafega em vários segmentos do conhecimento e acolhe diferentes linguagens de expressão para investigar e debater os conceitos do corpo enquanto ambiente processador das artes, contextualizado numa imersão específica: a da cultura japonesa.

Em versões anteriores, este evento procurou analisar as correntes ideológicas da arte contemporânea, em especial o Butô, confrontado com as formas clássicas da expressão teatral. Outras vezes, o foco recaiu sobre as representações do corpo em universos literários e de comunicação, abordando temas como o mangá, as gravuras eróticas, a dramaturgia e assim por diante.

Nesta sua terceira versão, uma nova revisita aos primórdios do Butô, através dos trabalhos pioneiros de Tatsumi Hijikata, e seus desdobramentos desconstrutivos nas manifestações contemporâneas. Pistas para uma adequação do olhar, para o evento que vem a seguir: "Vestígios do Butô", uma grande mostra retrospectiva. Como eixo de discussão, a relação entre Corpo e Imagem dedicando-se um enfoque especial ao cinema transgressor de Nagisa Oshima em contraponto ao formalismo de Yasujiro Ozu. Também enquanto mecanismo de fluxos, uma curiosa abordagem sobre a relação entre corpo e o sistema econômico. E uma interpretação sobre os limites físicos e metafísicos do corpo, discutindo filosofia, artes plásticas e teatro japonês contemporâneo.

Sombras que insinuam corporealidades. Uma radiografia da anatomia somente possível através da imagem de corpos impossíveis.

Programa

ALTERAÇÕES DE ÚLTIMA HORA POR MOTIVO DE FORÇAS MAIORES

25 DE AGOSTO
17:00 hs
Palestra“Dinheiro e Corpo” Prof. Shigehisa Kuriyama

PALESTRA ADIADA para o dia 27 de Agosto


17:00 - Palestra "A imagem - corpo em experiências do Japão contemporâneo"
Profa. Christine Greiner


19:30hs
Lançamento do livro: Leituras do Corpo (organização Christine Greiner e Cláudia Amorim. Editora Annablume)

26 DE AGOSTO
15 hs
Palestra “Corpo no cinema japonês: tradição e ruptura” Prof. Joao LuizVieira
17 hs
Palestra “Oshima e o realismo corpóreo” Profa. Lúcia Nagib

27 DE AGOSTO
15 hs
Palestra "Dinheiro e corpo" Prof. Shigehisa Kuriyama e
Palestra “A imagem-corpo em experiências do Japão contemporâneo”
Pesquisadora Nanako Kurihara

A Palestra com a Profa. Christine Greiner foi transferido para o dia 25 de agosto

A Palestra do Prof. Shiguehisa foi adiado do dia 25 para o dia 27

17hs
Performance “Cinema de Sombras”
Direção: Joel Pizzini Participação: Emilie Sugai

Local
Espaço Cultural Fundação Japão (Av. Paulista, 37 1º andar – (11) 3141-0843/0110
Entrada franca

Inscrição
As inscrições devem ser feitas pelo site CLICANDO AQUI ou fax.: (11) 3266-3562


Resumo das palestras e perfil dos palestrantes/artistas

Shigehisa Kuriyama
“Dinheiro e Corpo”
Na nossa concepção ordinária da realidade, dinheiro e corpo pertencem a esferas distintas e não conectadas. Quando ouvimos falar que a circulação da moeda na sociedade é similar ao fluxo de sangue ou de ar no corpo humano, isto nos parece uma analogia abstrata, sem possuir uma conexão real entre elas. Investigação da medicina japonesa do período Edo, no entanto, levanta dúvidas sobre esta cisão e sugere que realidades corporais e econômicas podem ser atadas não por analogias superficiais, mas por laços profundos e substanciais.
Doutor pela Universidade de Harvard, Shigehisa Kuriyama atualmente é Professor do International Research Center for Japanese Studies na área de História da Medicina Comparada. O seu livro “The Expressiveness of the Body and the Divergence of Greek and Chinese Medicine” (1999) recebeu prêmio e foi traduzido para o chinês e o grego.

João Luiz Vieira
“Corpo no cinema japonês: tradição e ruptura”
Uma análise do corpo feminino em Yasujiro Ozu e Mikio Naruse a partir do trabalho de uma das mais célebres atrizes do período clássico: Setsuko Hara. Na transição para o cinema moderno, uma ruptura é acentuada pelo uso do corpo alegórico em Hiroshi Teshigahara (“A Mulher de Areia”, 1964). Em contraste, o descentramento narrativo, a histeria centrífuga e a modernidade de Shohei Imamura.
João Luiz Vieira é Professor Doutor do Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense e do Programa de Pós-Graduação da UFF em Comunicação, Imagem e Informação. Pesquisador e docente de cinema japonês na UFF.

Lúcia Nagib
“Oshima e o realismo corpóreo”
No cinema japonês, a procura de um realismo político e ético ganhou expressão máxima nos anos 60 e 70, desenvolvendo-se sobretudo no nível da encenação com o uso radical do corpo humano. Os filmes de Nagisa Oshima são o melhor exemplo dessa atitude, fundindo o corpo individual ao social para confrontar uma sociedade precocemente dominada pelo culto da aparência e do simulacro pós-modernos. Nesse movimento, Oshima resgata um Japão agnóstico, onde o metafísico dá lugar ao físico e não há limites para experiências de violência, amor e morte.
Professora Doutora de cinema da Unicamp, Lúcia Nagib é pesquisadora de cinema japonês e, atualmente, professora visitante do Birkbeck College, University of London. É autora de “Em Torno da Nouvelle Vague Japonesa” e “Nascido das Cinzas – autor e sujeito nos filmes de Oshima” entre outros. É organizadora dos livros “Mestre Mizoguchi – uma lição de cinema” e “Ozu – o extraordinário cineasta do cotidiano”.

Christine Greiner e Nanako Kurihara
“A imagem-corpo em experiências do Japão contemporâneo”
Muito se tem discutido a imagem no teatro tradicional japonês (principalmente, nô e kabuki) e, em certa medida, nos movimentos do chamado teatro angura dos anos 60 (com destaque para a obra de Suzuki Tadashi). Mas é a partir dos anos 80 que alguns diretores teatrais japoneses começaram a discutir conceitos de imagem bastante diferenciados. A palestra vai mostrar casos diferentes como o de Gekidan Kaitaisha, Dumb Type e Daisan Erótica e o do butô do modo como tem sido explorado hoje, quase vinte anos após a morte de Hijikata
Pós-doutora pela Universidade de Tokyo, Christine Greiner é professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica e coordenadora do Centro de Estudos Orientais da Pontifícia Universidade Católica - SP. Autora dos livros “Butô – Pensamento em Evolução” e “Teatro Nô e o Ocidente” e de diversos artigos e capítulos de livros publicados no Brasil e no Exterior (França, Estados Unidos e Japão).

Ph.D. pela New York University, Nanako Kurihara é pesquisadora de estudos do corpo em Butô à luz das Ciências Cognitivas, foi pesquisadora visitante do Museu Nacional de Etnologia de Osaka e da Universidade de Waseda. O seu artigo Hijikata Tatsumi: The Words of Butoh publicado em “The Drama Review” recebeu o prêmio de melhor artigo do ano pela Association of American Publishers.

Joel Pizzini e Emilie Sugai
“Cinema de Sombras”
Joel Pizzini é cineasta, documentarista e video-artista, autor de “500 Almas” (2003), “Glauces: Estudo de um Rosto” (2001), “Enigma de um Dia” (1996), “Caramujo-Flor” (1988), entre outros. Atualmente trabalha na recuperação das obras de Glauber Rocha para versão digital, como também na preparação do filme “Elogio da Sombra”, um ensaio poético inspirado na estética japonesa.

EmIilie Sugai, coreógrafa e dançarina, foi intérprete-criadora dos trabalhos de Takao Kusuno, entre eles: “O Olho do Tamanduá” (1995), “Quimera – o anjo vai voando” (1999). De seu trabalho autoral destacam-se “Estações do Corpo” (2001) e “TABI” (2002). Bolsa Vitae (1999) e Rede Stagium (1997). Em 2003, realizou pesquisa no Senegal, atendendo a uma bolsa da Unesco.

Sobre o livro “Leituras do Corpo”

Título: Leituras do Corpo
Organização: Christine Greiner e Cláudia Amorim
Formato 14 x 21cm, Editora Annablume, 210 páginas, R$ 30,00.
Resenha:
Depois de séculos de abandono pela filosofia ocidental, o corpo voltou à baila como objeto de fetiche em função de um mercado emergente. Mas ele nunca foi uno. Só produto, só sujeito, só modelo. A sua complexidade tem mobilizado a construção de novos entendimentos e é disso que trata o livro Leituras do Corpo. Uma coleção de artigos que reúne autores brasileiros e estrangeiros, sintonizados com as pesquisas mais contemporâneas em arte, filosofia e ciência. É um trabalho de resistência que lembra Clarice Lispector: "a paralisia não pode transformar a pessoa em coisa porque essa coisa pensa".


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