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| EXPOSIÇÃO >> Veja também: - Leituras do Corpo Jap IV - ZEROZONES - Optical Desires / Eroptical Passing |
apresentação Este projeto baseia-se na construção do corpo do Japão no pós guerra. De Hijikata e Dairakudakan aos trabalhos de Terayama: a falência do conceito do belo diante da evidência da morte. Neste intervalo, o que se revela é o corpo moldado pela violência estúpida da guerra e dos holocaustos. Corpos que se fundem como tábula rasa. Terra, ossos e pó. As imagens de Hiroshima não deixam ninguém tranquilo: o memorial da guerra, os documentários feitos, da grande rosa negra, o zero. Corpos deformados, cegos, derretidos. Peles que se descamavam. O corte simbólico que as bombas fizeram arrancaram pela raíz o vermelho que tingia os olhos. Restava, então, um azul profundo.
Tal experiência não reduziu as atrocidades da Guerra. As atrocidades feitas no Vietnã, nas guerras do golfo, os bombardeios em Bagdah, Montenegro… quantas vezes o homem não repetiu a experiência da destruição? A crueldade da Guerra, a barbárie contra os prisioneiros não é fato obsoleto. Diariamente convivemos com imagens que misturam perversão, gozo e violência. Diz Bataille: “ A crueldade pode derivar em direção ao erotismo e, da mesma maneira, eventualmente o massacre dos prisioneiros pode ter por finalidade o canibalismo. Mas o retorno a animalidade, o esquecimento definitivo dos limites é inconcebível na Guerra. Sempre subexiste uma reserva que afirma o caráter humano de uma violência, no entanto, desenfreada. Sedentos de sangue, guerreiros delirantes, contudo não se massacram mutuamente. Essa regra que organiza o furor na base, é inatingível. Da mesma maneira, a maior parte do tempo, a manutenção da interdição do canibalismo coincide com o desencadeamento das paixões mais inumanas.” Mais, ainda, quando pensamos em genocídios, temos que “O efeito geral é, paradoxalmente, o de tirar o espinho da memória do Holocausto. Silencia-se, deixa-se de ouvir, mantém-se confinada a mensagem contida no Holocausto sobre o nosso atual modo de vida — sobre a qualidade das instituições em que confiamos para nossa segurança, sobre a validade dos critérios com os quais medimos a adequação de nossa conduta e dos modelos de interação que consideramos e aceitamos como normais." Isto posto, Black Rain propõe uma discussão sobre este modo de vida, sobre esta amnesia cotidiana, desconfortavel porem aceita, aparentemente recompensada pelo consumo e pelo “desenvolvimento ou progresso”, que não escapa ao limite e à frustação que rapidamente será novamente escamoteada. “Entre um ser e outro há um abismo” (Bataille). Abismo este só superável na morte. A violência contra o outro, a devoração do inimigo inclue alteridade. A redução do outro a cobaia, a puro objeto de experimentos científicos e/ou tecnológicos supostamente neutros, desnuda a violência estrutural que organiza a destruição na Guerra, retira do outro a condição de sujeito e o destina a condição de resto. A crueldade, na Guerra, não tem limites. Quando o soldado que pilotou o Enola Gay declara que a missão foi cumprida com sucesso, a destruição passa a ser o paradigma. As atrocidades do homem contra o homem nos campos de concentração, sua perversidade doentia. “A crueldade é uma das formas da violência organizada.” (Bataille) Black Rain reconstruirá,
através de imagens, narrações e textos, isto que
coloca o ser humano um impasse: uma discussão sobre a Guerra,
a transgressão, a crueldade e a violência.
Participação
especial:
Happening intermedia: equipe programa Nos dias 01 de fevereiro (abertura) e 17 de março, serão feitos os happenings, que contarão com a participação de um violoncelista. perfil
O suporte normalmente eleito pela artista é a videoinstalação e outros processos intermidiáticos, e recentemente, sua atuação na área da arte interativa se tornam cada vez mais presente. Foi bolsista em artes da The Japan Foundation em 2003. No Japão desenvolveu importantes obras, como “Tokyo-In”, “Red Dreams”, “Waiting”, além de uma retrospectiva de seus trabalhos na Image Forum/Tokyo 2004. E no mesmo ano foi realizado através da Fundação Japão a exibição da obra Opticaldesires Eropticalpassings e Zerozones - Videoinstalação interativa,. Pascoal Ferreira da Conceição – ator paulista, iniciou sua carreira em 1971 no teatro amador e desde então vem atuando principalmente no teatro e amplamente no rádio, cinema e TV. Participando também no programa Castelo Rá-Tim-Bum da TV Cultura, inclusive no seu longa metragem. Ondina de Castilho - Formada em Comunicação e Artes do Corpo-PUC SP. Desenvolveu-se em técnicas orientais através do Zen Budismo, Técnica Seitai-Hô e workshops no Japão, seguindo atualmente seus estudos com o mestre que integra o corpo de professores do Curso de Comunicação e Artes do Corpo da PUC-SP. Possuindo também uma ampla experiência no teatro, performance, dança e cinema. Toshi Tanaka - arte performer Fu Gaku, professor da Faculdade de Comunicação e Artes do Corpo – PUC/SP com Notório Saber, licenciado no Instituto de Pesquisas de Educação Corporal em Tóquio e coordenador do Projeto Jardim dos Ventos. Desenvolve desde 1979 um trabalho em improvisação na dança, na voz, no som e na pintura, na procura de uma visão e uma forma real do corpo para a atualidade. Ciça Ohno - arte performer Fu Gaku e poetisa, graduada em Artes Corporais e mestranda em Artes Cênicas pela Unicamp. Atua em criação–interpretação e direção nas artes do corpo, orienta um curso para gestantes e pais coordenando também a Casa do Vento. No Japão fundamentou seu caminho na Educação Corporal, em busca de um corpo sensível com movimento autêntico e autônomo na vida e nas artes. Ádega Olmos - atriz formada no Teatro Célia Helena. Participou do primeiro curso de Butô com a discípula de Kazuo Ohno, Maura Baiocchi, atuando posteriormente como sua assistente. Em 93 foi para Amsterdã onde fundou o Butoh Group Amsterdã e desenvolveu ao longo de 8 anos sua metodologia e seu trabalho de pesquisa na área de dança-teatro. Emilie Sugai - coreógrafa e dançarina, desenvolve uma linguagem própria e essencial, fruto de seu encontro em 1991 com a dupla de artistas Takao Kusuno, introdutor da dança butoh nas Artes Cênicas no Brasil. Foi premiada com a Bolsa Vitae de Artes em 1999, aprofundando as investigações relacionadas às memórias do corpo como nipo-brasileira Dimos Goudaroulis (celista) - Nascido na Grécia, já atuou como solista e membro de orquestras na Grécia, Turquia, Bulgária, ex-Iugoslávia, Alemanha. Atualmente é professor de violoncelo na UNICAMP além de se apresentar regularmente como solista, se dedica ao trabalho camerístico com o grupo Triplo Contínuo, o trio de cordas Camaleon e seu trio com o pianista André Mehmari e o percussionista Guello.
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