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   EXPOSIÇÃO

  >> Veja também:

  - Leituras do Corpo Jap IV
  - ZEROZONES
  - Optical Desires /
     Eroptical Passing



 
  BLACK RAIN# AN ANTI-WAR PROJECT
Instalação Interativa + Happening Intermedia / Rachel Rosalen

De autoria de Rachel Rosalen, ”Black Rain # an anti-war project”, retoma em chave surpreendente o horror da Guerra, a impossibilidade de se prosseguir insistindo no conceito de beleza depois do cogumelo de Hiroshima, da chuva cinza de chumbo que se abateu sobre seus habitantes. Com mais este trabalho multimídia, a artista aprofunda-se em seu propósito de pensar a construção do corpo no Japão do pós-guerra.
Visitando-o, o público, através de imagens e de cegueiras momentâneas, experimentará em seu próprio corpo a força persuasiva desse libelo contra a crueldade e a estupidez.

O Instituto Tomie Ohtake acolhe este projeto promovido e produzido pela Fundação Japão, que orienta e auxilia artistas na construção de pontes entre os dois países, numa modalidade de cooperação que não se reduz à exibição recíproca das culturas mas que cria bases efetivas para a constituição de relações mais estreitas, sob a forma de obras realizadas a partir do cruzamento de suas experiências e inquietações.

O processo criativo de Rachel Rosalen perpassa pela imersão no Japão com a bolsa Artist Fellowship, que resulta em importantes trabalhos em formato video arte, como “Tokyo In”. Em 2004 a instalação multimídia “Zerozones” apresentada no Espaço Cultural da Fundação Japão, potencializa sua obra em escala ambiental, até chegar neste estágio onde as inquietações íntimas do corpo emitem ressonâncias de temáticas monumentais.

apresentação

Este projeto baseia-se na construção do corpo do Japão no pós guerra. De Hijikata e Dairakudakan aos trabalhos de Terayama: a falência do conceito do belo diante da evidência da morte. Neste intervalo, o que se revela é o corpo moldado pela violência estúpida da guerra e dos holocaustos. Corpos que se fundem como tábula rasa. Terra, ossos e pó. As imagens de Hiroshima não deixam ninguém tranquilo: o memorial da guerra, os documentários feitos, da grande rosa negra, o zero. Corpos deformados, cegos, derretidos. Peles que se descamavam. O corte simbólico que as bombas fizeram arrancaram pela raíz o vermelho que tingia os olhos. Restava, então, um azul profundo.

foto:divulgação

Tal experiência não reduziu as atrocidades da Guerra. As atrocidades feitas no Vietnã, nas guerras do golfo, os bombardeios em Bagdah, Montenegro… quantas vezes o homem não repetiu a experiência da destruição? A crueldade da Guerra, a barbárie contra os prisioneiros não é fato obsoleto. Diariamente convivemos com imagens que misturam perversão, gozo e violência. Diz Bataille: “ A crueldade pode derivar em direção ao erotismo e, da mesma maneira, eventualmente o massacre dos prisioneiros pode ter por finalidade o canibalismo. Mas o retorno a animalidade, o esquecimento definitivo dos limites é inconcebível na Guerra. Sempre subexiste uma reserva que afirma o caráter humano de uma violência, no entanto, desenfreada. Sedentos de sangue, guerreiros delirantes, contudo não se massacram mutuamente. Essa regra que organiza o furor na base, é inatingível. Da mesma maneira, a maior parte do tempo, a manutenção da interdição do canibalismo coincide com o desencadeamento das paixões mais inumanas.” Mais, ainda, quando pensamos em genocídios, temos que “O efeito geral é, paradoxalmente, o de tirar o espinho da memória do Holocausto. Silencia-se, deixa-se de ouvir, mantém-se confinada a mensagem contida no Holocausto sobre o nosso atual modo de vida — sobre a qualidade das instituições em que confiamos para nossa segurança, sobre a validade dos critérios com os quais medimos a adequação de nossa conduta e dos modelos de interação que consideramos e aceitamos como normais."

Isto posto, Black Rain propõe uma discussão sobre este modo de vida, sobre esta amnesia cotidiana, desconfortavel porem aceita, aparentemente recompensada pelo consumo e pelo “desenvolvimento ou progresso”, que não escapa ao limite e à frustação que rapidamente será novamente escamoteada. “Entre um ser e outro há um abismo” (Bataille). Abismo este só superável na morte. A violência contra o outro, a devoração do inimigo inclue alteridade. A redução do outro a cobaia, a puro objeto de experimentos científicos e/ou tecnológicos supostamente neutros, desnuda a violência estrutural que organiza a destruição na Guerra, retira do outro a condição de sujeito e o destina a condição de resto. A crueldade, na Guerra, não tem limites. Quando o soldado que pilotou o Enola Gay declara que a missão foi cumprida com sucesso, a destruição passa a ser o paradigma. As atrocidades do homem contra o homem nos campos de concentração, sua perversidade doentia. “A crueldade é uma das formas da violência organizada.” (Bataille)

Black Rain reconstruirá, através de imagens, narrações e textos, isto que coloca o ser humano um impasse: uma discussão sobre a Guerra, a transgressão, a crueldade e a violência.
Este é um projeto ANTI- GUERRA.

foto: divulgação

Participação especial:
Leona Cavalli,
Pascoal da Conceição,
Ondina Castilho,
Toshi Tanaka,
Ciça Ohno,
Ádega Olmos,
Emilie Sugai.

foto: divulgação

Happening intermedia:
Dimos Goudaroulis
violoncelo solo

Ignacio de Campos
LIVE eletronics

Promoção: Instituto Tomie Ohtake / Fundação Japão

Apoio:
Kitani Locação Equipamentos
Estúdio VOTUPOCA
COVISERV
SENAC
RADAR Sonorização
Samuel Cirnansck

equipe
Música: Dimos Goudaroulis
LIVE eletronics (MAX): Ignacio de Campos
programação de DVD: Luis Tibiriça
Gravações em estúdio e edição: Rachel Rosalen
Luz: Giacomo Favretto
Tradução para o inglês: Izabel Murat Burbridge

informações técnicas da instalação
4 projetores, 3 DVD players programados, G3 com programação para distorção de audio em MAX, imagens de arquivo sobre Hiroshima, imagens dos atores produzidas em studio e editadas em Final Cut IV, sensores e Flash

programa
- Abertura para o Público:01 de fevereiro de 2005.
- Happenings: 01 de fevereiro e 17 de março de 2005.

Nos dias 01 de fevereiro (abertura) e 17 de março, serão feitos os happenings, que contarão com a participação de um violoncelista.

perfil
Rachel Rosalen é artista visual, com trabalhos marcados pelo hibridismo entre linguagens e pela pesquisa sobre o corpo. Com formação em Arquitetura e Urbanismo e mestrado em Multimeios pela Unicamp, seu olhar se foca na interpretação da paisagem urbana, vinculada às artes do corpo, herdada através de suas experimentações com a dança contemporânea e o teatro físico.

foto: divulgação

O suporte normalmente eleito pela artista é a videoinstalação e outros processos intermidiáticos, e recentemente, sua atuação na área da arte interativa se tornam cada vez mais presente. Foi bolsista em artes da The Japan Foundation em 2003. No Japão desenvolveu importantes obras, como “Tokyo-In”, “Red Dreams”, “Waiting”, além de uma retrospectiva de seus trabalhos na Image Forum/Tokyo 2004. E no mesmo ano foi realizado através da Fundação Japão a exibição da obra Opticaldesires Eropticalpassings e Zerozones - Videoinstalação interativa,.

Pascoal Ferreira da Conceição – ator paulista, iniciou sua carreira em 1971 no teatro amador e desde então vem atuando principalmente no teatro e amplamente no rádio, cinema e TV. Participando também no programa Castelo Rá-Tim-Bum da TV Cultura, inclusive no seu longa metragem.

Ondina de Castilho - Formada em Comunicação e Artes do Corpo-PUC SP. Desenvolveu-se em técnicas orientais através do Zen Budismo, Técnica Seitai-Hô e workshops no Japão, seguindo atualmente seus estudos com o mestre que integra o corpo de professores do Curso de Comunicação e Artes do Corpo da PUC-SP. Possuindo também uma ampla experiência no teatro, performance, dança e cinema.

Toshi Tanaka - arte performer Fu Gaku, professor da Faculdade de Comunicação e Artes do Corpo – PUC/SP com Notório Saber, licenciado no Instituto de Pesquisas de Educação Corporal em Tóquio e coordenador do Projeto Jardim dos Ventos. Desenvolve desde 1979 um trabalho em improvisação na dança, na voz, no som e na pintura, na procura de uma visão e uma forma real do corpo para a atualidade.

Ciça Ohno - arte performer Fu Gaku e poetisa, graduada em Artes Corporais e mestranda em Artes Cênicas pela Unicamp. Atua em criação–interpretação e direção nas artes do corpo, orienta um curso para gestantes e pais coordenando também a Casa do Vento. No Japão fundamentou seu caminho na Educação Corporal, em busca de um corpo sensível com movimento autêntico e autônomo na vida e nas artes.

Ádega Olmos - atriz formada no Teatro Célia Helena. Participou do primeiro curso de Butô com a discípula de Kazuo Ohno, Maura Baiocchi, atuando posteriormente como sua assistente. Em 93 foi para Amsterdã onde fundou o Butoh Group Amsterdã e desenvolveu ao longo de 8 anos sua metodologia e seu trabalho de pesquisa na área de dança-teatro.

Emilie Sugai - coreógrafa e dançarina, desenvolve uma linguagem própria e essencial, fruto de seu encontro em 1991 com a dupla de artistas Takao Kusuno, introdutor da dança butoh nas Artes Cênicas no Brasil. Foi premiada com a Bolsa Vitae de Artes em 1999, aprofundando as investigações relacionadas às memórias do corpo como nipo-brasileira

Dimos Goudaroulis (celista) - Nascido na Grécia, já atuou como solista e membro de orquestras na Grécia, Turquia, Bulgária, ex-Iugoslávia, Alemanha. Atualmente é professor de violoncelo na UNICAMP além de se apresentar regularmente como solista, se dedica ao trabalho camerístico com o grupo Triplo Contínuo, o trio de cordas Camaleon e seu trio com o pianista André Mehmari e o percussionista Guello.

foto: divulgação


serviço
Exposição: Black Rain
Período: 01 de fevereiro a 20 de março de 2005
Local: Instituto Tomie Ohtake
Endereço: Av.Faria Lima, 201 (entrada pela rua Coropés, Pinheiros)
Tel: 011 2245-1900
Período: 01/02/2005 a 20/03/2005
Terça a domingo, das 11h às 20h.
Entrada gratuita.


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