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    PALESTRA

 
  O CINEMA JAPONÊS E O DISPOSITIVO EROTIZADO

Profa. Dra. Lúcia Nagib dá palestra no dia 01 de setembro na Fundação Japão sobre “O cinema japonês e o dispositivo erotizado”

A maior especialista brasileira em cinema japonês relata a sua última pesquisa desenvolvida no Japão em 2004, como bolsista do Programa Fellowship para Acadêmicos da Fundação Japão, que se realizará no próximo dia 01 de setembro às 19:30h no Espaço Cultural da Fundação Japão, à Avenida Paulista, 37, 1. andar, com entrada franca.

Lúcia Nagib analisa o dispositivo erotizado em filmes de cineastas como Nagisa Oshima, Kazuo Hara, Shohei Imamura e Yasuzo Masumura, estabelecendo uma ponte com shunga, a xilogravura erótica da Era Edo.

Especialista em cinema, Lúcia Nagib é atualmente professora titular de cinema mundial na Universidade de Leeds, Inglaterra. É autora de “Em torno da Nouvelle Vaque Japonesa” e “Nascido das Cinzas – autor e sujeito nos filmes de Oshima”, entre outros, e organizadora das coletâneas “The New Brazilian Cinema”, “Ozu – o extraordinário cineasta do cotidiano” e “Mestre Mizoguchi – uma lição de cinema”. Traduziu também “Retratos Japoneses – vida pública e privada” de Donald Richie.

foto: divulgação  

O cinema japonês e o dispositivo erotizado
Lúcia Nagib

O cinema como exercício do real, que conta com exemplos notáveis nas obras de Nagisa Oshima, Kazuo Hara e Shohei Imamura, inverte as funções dos recursos normalmente usados para a produção de distanciamento. O discurso auto-reflexivo, que inclui a explicitação do dispositivo cinematográfico, em lugar de impedir a identificação e o ilusionismo catártico, tem por objetivo convidar o espectador a participar conscientemente da experiência emotiva e sobretudo erótica. Exemplos como o filme O império dos sentidos, de Nagisa Oshima, e Eros extremamente privado – canção de amor, de Kazuo Hara, se valem do “dispositivo erotizado”, ou seja, de uma enunciação voluntariamente contaminada pelo desejo, que oferece ao espectador-voyeur habitual a possibilidade de ascender a participante ativo. Tal proposta, embora resultante do pensamento moderno e dos ensinamentos de Brecht, mantém fortes elos com a arte tradicional japonesa, em especial, a shunga, ou gravura erótica, que se popularizou no Japão entre os séculos XVIII e XIX. Nesta, o uso prático da arte para atividades onanísticas e eróticas em geral comprova a continuidade indissolúvel entre intelecto e instinto, ficção e real, sendo o elo entre ambos, justamente, a presença em cena do voyeur participativo e do próprio artista auto-reflexivo.

Serviço
Palestra da Profa. Dra. Lúcia Nagib. Tema ““O cinema japonês e o dispositivo erotizado”
Data: Dia 01 de setembro de 2005, às 19:30h.
Local: Espaço Cultural Fundação Japão (Avenida Paulista, 37, 1. andar, tel. 3141 0110, 3141 0843)
Entrada franca.
120 lugares

Maiores informações: Sérgio Minehiro Kitayama - tel 3141 0110, 3141 0843 sergio@fjsp.org.br

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