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| RECOMENDAÇÃO >> Veja também: Site Oficial do filme >> Conheça o livro que deu origem ao filme: ![]() "Memórias de uma Gueixa" Autor: Arthur Golden Editora: Imago Ano: 2006 >> Leia Também
"Minha Vida como Gueixa" Autora: Rande Brown Editora: JBC Ano: 2006 > Estes livros e outras publicações relacionadas podem ser encontrados na biblioteca da Fundação Japão |
“Meu mundo é tão proibido quanto frágil; sem seus mistérios, não pode sobreviver” Em 1997, o autor Arthur Golden ofereceu aos leitores uma inebriante e magnética história de um mundo oculto em seu aclamado romance Memórias de uma Gueixa. O avassalador épico romântico ficou dois anos na lista dos livros mais vendidos do The New York Times, vendeu mais de 4 milhões de exemplares em inglês e foi traduzido para 32 idiomas.
SINOPSE Ambientado num misterioso e exótico mundo que ainda hoje exerce fascínio, a história começa nos anos que antecedem a 2ª Guerra Mundial, quando uma menina é separada de sua família sem recursos e levada para trabalhar numa casa de gueixas. Apesar de uma traiçoeira rival quase acabar com ela, a garota se transforma na lendária gueixa Sayuri. Bela e impecável, Sayuri cativa os homens mais poderosos de seu tempo, mas é assombrada pela paixão secreta por um homem além de seu alcance. Columbia Pictures, DreamWorks Pictures e Spyglass Entertainment apresentam: uma produção de Amblin Entertainment / Douglas Wick & Lucy Fisher, Memórias de uma Gueixa, estrelando Ziyi Zhang, Ken Watanabe, Michelle Yeoh, Koji Yakusho, Youki Kudoh, Kaori Momoi, Tsai Chin, Cary-Hiroyuki Tagawa, Suzuka Ohgo e Gong Li. Direção de Rob Marshall, a partir do roteiro de Robin Swicord, baseado no livro de Arthur Golden. Os produtores são Lucy Fisher, Douglas Wick e Steven Spielberg. Os produtores executivos são Roger Birnbaum, Gary Barber, Patricia Whitcher e Bobby Cohen. O co-produtor é John DeLuca. O diretor de fotografia é Dion Beebe, ACS, ASC. O designer de produção é John Myhre. O editor é Pietro Scalia, A.C.E. O figurino é de Colleen Atwood. A música é de John Williams. Gueixas têm sido, há muito tempo, objeto de fascínio no Japão e ao redor do mundo. Há séculos, elas têm saído de suas casas ao crepúsculo, como borboletas do casulo, para uma rodada de encontros em casas de chá. Noitadas sociais sempre foram importante parte dos negócios no Japão e a presença de uma gueixa reflete a prosperidade do anfitrião que pode desfrutar de tais companhias glamourosas. Nem esposa, nem prostituta, a gueixa é uma artista que ganha sua vida entretendo homens poderosos. A palavra gei (pronuncia-se guei) significa “arte” em japonês e a gueixa é uma dançarina, cantora e instrumentista treinada, bem como uma interlocutora espirituosa. Ela ri das piadas de seus clientes — e nunca conta os segredos deles. Ela cria dramas com o simples abanar de seu leque. Anos de trabalho árduo e de autodisciplina transformaram-na numa criatura refinada, mas por baixo das dobras de seu quimono e da máscara neutra de maquiagem existe uma mulher de carne e osso com suas próprias histórias, sonhos e desilusões. Os maiores segredos que ela guarda pertencem a seu próprio coração. Os bairros de gueixas, tão claramente descritos no romance de Arthur Golden, ainda existem. Gueixas autênticas continuam expondo sua arte em antigas e elegantes casas de chá, preparando-se, vestindo-se e atuando da mesma maneira há séculos. As mulheres que se tornam gueixas hoje são freqüentemente levadas à profissão por seu interesse nas artes tradicionais e podem permanecer apenas por alguns anos. Antes consideradas como as principais representantes da moda em seu país, as top gueixas eram as supermodelos de seus dias, até que “moderno” passou a ser sinônimo de “ocidental” no Japão. Memórias de uma Gueixa começa em 1929, próximo ao fim da era de ouro das gueixas. Narrado como fábula de um mundo em extinção, o filme é ambientado num hanamachi (bairro de gueixas) fictício. Mas Sayuri não consegue esquecer um momento de inesperada ternura que ela vivenciou quando era mais jovem. A lembrança daquele momento aparece como uma miragem e a sustenta através de anos de sofrimento. Olhando para trás, ela se lembra de “uma garotinha com mais coragem do que imaginava ter” e raciocina: “Estas não são memórias de uma imperatriz, nem de uma rainha. São memórias de outro tipo”. O Encaixe Perfeito Ziyi Zhang teve uma reação nada incomum após ler o romance de Arthur Golden, Memórias de uma Gueixa. “Não pude acreditar que um homem tenha escrito este livro sobre a vida de uma mulher”, disse a atriz. “E não pude acreditar que um homem americano escreveu com tantos detalhes sobre uma subcultura japonesa pouco conhecida”. O diretor Rob Marshal deleitou-se com o mundo exótico que a história revela, mas disse que ficou na mesma medida encantado com a universalidade do empenho da jovem órfã Chiyo e seu triunfo final após um encontro casual mudar o rumo de sua vida. “Essa história vive em um mundo muito específico e mesmo assim o tema fundamental do triunfo do espírito humano contra todas as chances conecta-se a qualquer cultura”, disse Marshall. “O fato dessa criança, após ter sido levada de sua casa e vendida como escrava, conseguir sobreviver e ainda encontrar o amor é profundamente comovente para mim. Especialmente se esse amor é proibido a ela”. O tema do livro de esperança e sobrevivência inspirou os produtores Douglas Wick e Lucy Fisher, sócios na Red Wagon Entertainment, em sua busca pela adaptação do romance para um longa-metragem. “O livro era sobre um personagem triunfante num mundo estranho e suntuoso”, disse Wick, “e simplesmente clamava pela tela grande”. Wick, produtor ganhador do Oscarâ por Gladiador (Gladiator), comprou os direitos para produzir o filme pouco após o romance ter sido publicado e deu uma cópia para o presidente da Columbia Pictures, Amy Pascal (naquela época, chefe de produção no estúdio). Lucy Fisher, que era na época vice-presidente do Columbia Tristar Motion Picture Group, disse: “Era tão cativante que simplesmente não pude largar o livro. Todos concordamos que tinha nítido potencial para um filme em termos dos papéis e de sua força visual”. Entre os pontos fortes do livro estavam as observações aguçadas de Sayuri quando encontra um mundo que ela (juntamente com os leitores) nunca imaginou. “Sabíamos que capturar a essência do seu monólogo interno seria um desafio”, disse Fisher, “mas era também uma oportunidade. Estávamos relatando as reminiscências de uma mulher cuja vida deu uma incrível virada quando ela tinha apenas nove anos de idade. Muito do que ela compartilha é primeiramente visto pelos olhos de uma criança, o que nos deu liberdade para contar sua história mais como uma fábula”. Após trabalhar como uma executiva em muitos filmes com Steven Spielberg, Fisher previu que ele também se encantaria com o romance. Ele então associou-se como diretor e o trabalho preliminar de pré-produção foi iniciado.
Uma Impressão de Tempo e Lugar Assim que Fisher e Wick viram uma projeção antecipada de Chicago, eles sabiam que haviam encontrado seu diretor. Apresentação corajosamente moderna do conto de uma época anterior, a estréia do filme de Rob Marshall foi um fenômeno comercial e de crítica reconhecido através da seqüência de prêmios importantes incluindo o Oscarâ de Melhor Filme e outros cinco Oscarsâ. O próprio Marshall recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor e o Director’s Guild Award. Quando Fisher e Wick reuniram-se pela primeira vez com Marshall e ouviram sua visão do filme, “foi empolgante”, disse Wick. “Transformar uma obra de arte querida de um meio para outro é um desafio enorme, mas Rob tinha clareza absoluta sobre seu caminho através do romance. A aparência e a sensação do filme refletiriam que são memórias contadas anos depois – uma impressão de tempo e lugar vividos numa tenra idade, em vez de uma re-criação. Nós quase pudemos enxergar o filme na medida em que Rob ia falando. Ele não teria medo de trazer sua própria visão estética para o material, como havia feito com sua abordagem inovadora em Chicago. Ele queria que os espectadores experimentassem a sensação maravilhosa que Sayuri sentiu quando descobriu o mundo das gueixas”. O autor Arthur Golden ficou entusiasmado de forma similar quando ouviu que Marshal estaria dirigindo o filme. “Eu estava loucamente apaixonado por Chicago”, ele disse. “Era uma versão melhor da peça que eu tinha adorado. Então, quando ouvi que Rob estava interessado em fazer o filme do meu romance, fiquei empolgado!” A primeira coisa que Marshall fez para se preparar para o projeto foi reler o livro. “Tive que fazer a viagem desde o inicio e ver o que me chamava atenção”, disse. O diretor estava bem ciente que ele não estava se preparando para fazer um documentário sobre gueixas. “Eu sabia que o drama desses personagens, combinado com a sedução e exotismo de seu mundo, nos permitiria alcançar algo único e convincente”, ele disse. “E mesmo que soubesse que, para a minha visão da história, eu me desviaria da tradição quando fosse necessário, eu precisava primeiramente entender a fundo a realidade”. Logo após, Robin Swicord – de Pequenas Mulheres (Little Women) e Matilda – juntou-se à equipe para escrever o roteiro. Marshall e os produtores ficaram em contato regular com Golden enquanto o roteiro ia tomando forma. “Logo no início, o Rob me disse: ‘Eu quero fazer um filme que você ame’”, lembrou-se Golden. “Passamos muitas horas falando sobre como a historia é montada e formas de tornar as coisas melhores para o filme. Ele me mandou todos os rascunhos do roteiro”. Marshall juntou então os membros-chave de sua equipe para uma viagem ao Japão. “Decidi contar a história de Sayuri como uma impressão de tempo e de lugar, mas necessitava entender profundamente a realidade antes”, explicou o diretor. “Todos concordamos que uma imersão total no mundo de Sayuri era a única forma para começar, então viajamos para Kyoto juntos para vivenciar tudo o que pudéssemos”. Em grupo, as dez pessoas da equipe visitaram museus e templos, fizeram um tour por uma fábrica de quimonos, assistiram a uma luta de sumô, andaram de riquixá, patrulharam a costa do mar japonês, foram a bailes de festival da primavera e viram uma aprendiz de gueixa (maiko) maquiar-se e vestir-se. Marshall e John DeLuca, o co-produtor e coreógrafo do filme, foram convidados para os bastidores para testemunhar o ator-dançarino Tamasaburo Bando preparar-se para uma apresentação de kabuki. Seus anfitriões japoneses também arranjaram uma noite de entretenimento com gueixas na exclusiva casa de chá Ichiriki. Absorver a atmosfera de Gion e outros hanamachi foi essencial para esta missão. “Dion (Beebe, o diretor de fotografia do filme), Rob e eu nos perdíamos simplesmente para tirar fotos”, disse John Myhre, designer de produção ganhador do Oscarâ. “Quando chegou a hora de construir nossos prédios, olhávamos nossas fotos e dizíamos ‘aquele telhado ficaria muito bem com este tipo de janela, que ficaria ótimo com esse tipo de porta’”. Foram identificadas locações potenciais para filmagem, mas Marshall, Myhre, Beebe e a produtora executiva Patricia Whitcher perceberam que não poderiam filmar o longa inteiro no Japão. “Quando nos demos conta da quantidade de trabalho que teríamos de fazer nas ruas”, Whitcher explicou, “não havia como atrapalhar uma comunidade ativa por tanto tempo para recriar o que precisávamos e contar essa história”. Alem do mais, os hanamachis ou bairros de gueixas do Japão mudaram bastante desde a época em que o filme ocorre. “Mesmo nas belas cidades antigas, não pudemos encontrar uma área de negócios que não foi tocada pelos elementos modernos”, disse Marshal. Mas o grupo voltou para casa inspirado pela sua vivência compartilhada e pelo conjunto de referências coletivas da qual eles se utilizariam nos próximos meses. Encontrando Sayuri Interpretar a gueixa Sayuri foi o sonho de muitas atrizes, mas o papel exigia alguns requisitos. A atriz que representasse a luminosa adulta Sayuri teria que também retratá-la como a doméstica Chiyo. “Nós vemos esse personagem desabrochar de menina a mulher, e de uma serviçal a uma estrela, e não queríamos separar isso em duas partes”, enfatizou Marshall. “Nossa atriz tinha que ser convincente aos 15 anos e aos 30 anos. Também teria que ser uma atriz forte e de falar inglês. E necessitávamos de uma dançarina brilhante, pois a dança é muito importante no mundo das gueixas e um elemento chave na história pessoal de Sayuri”. Zhang havia dado seqüência à sua atuação memorável em O Tigre e o Dragão (Crouching Tiger, Hidden Dragon), filme de Ang Lee indicado ao Oscar® e pelo qual ela ganhou os prêmios Independent Spirit Award e Toronto Film Critics Award de Melhor Atriz Coadjuvante, com papéis em O Clã das Adagas Voadoras (House of Flying Daggers) e o indicado ao Oscar® Herói (Hero), dirigido por Zhang Yimou. Ela foi indicada para o prêmio de Melhor Atriz da British Academy of Film and Television Awards (BAFTA) por O Clã das Adagas Voadoras, e ganhou o prêmio da Hong Kong Film Critics’ Society de 2005 de Melhor Atriz por seu desempenho em 2046, filme de Wong Kar-Wei aclamado pela crítica. Zhang também cantou e dançou em Raccoon Palace, o mais recente filme do diretor japonês Seijun Suzuki, de 82 anos de idade. Os papéis principais de Mameha (tutora de Sayuri) e Hatsumomo (inimiga de Sayuri) foram para duas estrelas do cinema asiático, a glamourosa Michelle Yeoh, que apareceu com Zhang em O Tigre e o Dragão, e a lendária Gong Li. Gong, que também havia estrelado 2046, faz agora sua estréia no cinema americano como a rival de Sayuri. Seu trabalho na tela inclui uma sucessão de atuações surpreendentes em filmes do diretor Zhang Yimou incluindo Amor e Sedução (Ju Dou), Sorgo Vermelho (Red Sorghum), Lanternas Vermelhas (Raise the Red Lantern) e Operação Xangai (Shanghai Triad). Amor e Sedução e Lanternas Vermelhas foram os primeiros filmes chineses a serem indicados ao Oscar. Ela ganhou o prêmio de Melhor Atriz no festival internacional de Veneza e o prêmio Golden Rooster Award, da China, por sua atuação em A História de Qiu Ju (The Story of Qiu Ju), de Zhang Yimou. Seus créditos também incluem O Imperador e o Assassino (The Emperor and the Assassin), A Tentação da Lua (Temptress Moon) e Adeus Minha Concubina (Farewell My Concubine). Yeoh, que co-estrelou com Zhang como sua oponente em O Tigre e o Dragão, retrata a elegante e experiente gueixa que instrui Sayuri. O trabalho de Yeoh em O Tigre e o Dragão lhe trouxe indicações para os prêmios de Melhor Atriz do Taipei Golden Horse Award, do Hong Kong Film Award e do BAFTA Award. Ela também é conhecida por sua atuação no filme de James Bond, O Amanhã Nunca Morre (Tomorrow Never Dies). O fato de ambas, Zhang e Yeoh, serem dançarinas foi um grande bônus para Memórias de uma Gueixa, dando a John DeLuca a liberdade para criar coreografias mais difíceis. Isso foi especialmente verdadeiro para uma seqüência estrelando Zhang que se tornou uma peça central do filme. “Interpretar Sayuri seria difícil demais para uma atriz que não é dançarina”, disse Marshall. “O treinamento de dança de uma gueixa aparece em todos os seus movimentos e Ziyi e Michelle entenderam isso perfeitamente”. Quanto à linda mas traiçoeira Hatsumomo, Marshall conhecia os obstáculos que uma atriz poderia enfrentar com esta personagem. “Teria sido fácil caracterizá-la como uma vilã unidimensional. Mas Gong Li lhe dá tridimensionalidade com a tristeza e fragilidade que fazem Hatsumomo muito convincente”. Cinco dos papéis-chave do filme foram preenchidos por alguns dos melhores atores do Japão. Ken Watanabe, indicado ao Oscar por seu retrato do guerreiro Katsumoto em O Último Samurai (The Last Samurai), ancorou o elenco como “O Presidente”, o homem que almeja o coração de Sayuri. Watanabe atuou recentemente no filme Batman Begins e no filme japonês Kita No Zeronen. Seus vários créditos de cinema e televisão incluem a popular comédia Tampopo - Os Brutos Também Comem Spaguetti (Tampopo). Koji Yakusho, grande astro no Japão bem antes de ser descoberto por espectadores ocidentais em Dança Comigo? (Shall We Dance?), interpreta o homem que busca se tornar o patrocinador de Sayuri. Yakusho estrelou em vários aclamados filmes internacionais como A Enguia e Água Quente sob uma Ponte Vermelha (Warm Water Under a Red Bridge), a ganhou o mais alto prêmio de atuação em cinema no Japão para um ator em papel principal por nove vezes até hoje. Ele estrela em seguida o filme de Gonzales Inarritu, Babel. Kaori Momoi, outra estrela adorada no Japão, ocupou o papel da Mãe. Momoi teve sua estréia na tela em 1971 em Ai Futatabi, de Kon Ichikawa. Desde então, ela estrelou em mais de 40 filmes, trabalhando com lendários diretores japoneses como Akira Kurosawa e Shihei Imamura. Protegida de Ken Watanabe, a jovem Suzuka Ohgo também foi premiada com um papel principal no filme. Após ter feito sua estréia na tela ao lado de Watanabe em Kita No Zeronen, ela foi escalada como Chiyo, a criança destinada a se tornar Sayuri.
Sobre a Produção A fotografia principal de Memórias de uma Gueixa iniciou-se no outono passado, no estúdio da Sony Pictures em Culver City, com uma benção japonesa tradicional conduzida por Ken Watanabe e também encoberta por um céu chuvoso na municipalidade de Shizuoka, no Japão. As primeiras cenas foram filmadas dentro da Nitta okiya, a residência gueixa ficcional onde boa parte da história se desenrola (Nitta é o sobrenome). A jovem Chiyo (Suzuka Ohgo), assustada e exaurida, foi deixada na soleira da porta da okiya pelo frio Sr. Bekku (Thomas Ikeda). Sendo levada por Titia (Tsai Chin) pela casa para ser avaliada pela Mãe (Kaori Momoi), longe de casa e dos seus amados, inicia-se a nova vida de Chiyo. Marshall e sua equipe criaram o mundo exótico e elaborado do filme em três locais em Los Angeles e também construíram um bairro de gueixas do período, recriando ruas antigas, e até construíram um rio sinuoso numa ampla fazenda em Ventura Country, na Califórnia. Após mudar-se para o norte da Califórnia, a companhia continuou filmando no museu da Estrada de Ferro de Sacramento, nas correntes do American River em Gold Rush Country, na Califórnia, e em pedregosos penhascos costeiros. A produção seguiu para o Japão para captar locais autênticos, raramente ou nunca antes vistos em filmes de Hollywood. Esses locais incluíram Kiyomizu-tera, um templo budista apoiado em estacas fundado em 778 e reconstruído em 1633, e o Yoshimine-tera budista, que data do ano de 1029. As águas imóveis no templo Shinto Heian Jingu, no coração de Kyoto, forneceu um visual eloqüente equivalente ao humor de Sayuri numa das seqüências finais do filme, enquanto o mágico Fushimi Inari, onde milhas de portões Torii de cor laranja escalam morro adentro até Kyoto, foi um pano de fundo adequado para uma cena de transformação com a jovem Chiyo. A energia e espírito deste lendário templo xintoísta, onde peregrinos rezam por alivio de seus sofrimentos, refletiu a esperança, determinação e alegria da criança no dia em que conheceu o Presidente. Memórias de uma Gueixa completou a fotografia principal numa região remota de cultivo de chá e tangerinas próximo à cidade de Kawane-cho. A estrela do último dia de trabalho foi uma antiga locomotiva a vapor que cruzou uma velha ponte sobre o rio Ohi. No encerramento, as equipes americana e japonesa reuniram-se numa loja de variedades próxima ao rio para se aquecerem e brindarem ao diretor Marshall. Dominando a arte da gueixa Para ajudar os atores com estas questões fundamentais, Marshall os trouxe para Los Angeles seis semanas antes para um “treinamento de gueixa”, um período intensivo de ensaios e aulas com uma equipe de especialistas que guiaram os protagonistas pelo mundo das gueixas. “Foi algo muito novo para mim”, disse Gong Li, uma estrela na China desde sua estréia em 1987 em Sorgo Vermelho. “Ensaiamos cada cena, cada palavra”. As atrizes ensaiaram de quimonos para se adaptarem ao peso, sensação e caimento destas vestes elaboradas. Aulas de dança as ajudou a aperfeiçoar a linguagem corporal das gueixas. “Você não pode se mover como se estivesse vestindo jeans,” observou Youki Kudoh, que atua no papel de Pumpkin. “Você fica restringida, então tem de se reconstruir, aprender a ser elegante”. A consultora técnica Liza Dalby, principal consultora de Arthur Golden em seu romance, apresentou o elenco às nuances do comportamento da gueixa. Autora e antropologista cultural, Dalby é a única mulher ocidental a ter vivido e trabalhado como uma gueixa no Japão. “Algumas das coisas que foram muito difíceis para eu aprender então, como caminhar corretamente de quimono, são coisas que eu pude ajudar a explicar para as atrizes”, ela disse. Ela também as treinou para tocar o shamisen. “Eu fiquei impressionada pela habilidade delas de fazer a interpretação parecer real”, disse Dalby, ela mesma uma praticante de sucesso deste instrumento. “Michelle Yeoh de fato aprendeu a tocar – ela tem um ouvido incrível”. Yeoh foi motivada por sua professora: “Como Mameha é a síntese das gueixas”, ela disse, “eu sabia que tinha que ser convincente para interpretar o papel. Então passei muito tempo observando a Liza, cujo comportamento de gueixa permaneceu com ela”. Vestir uma gueixa com um quimono formal requer muito trabalho. O ator Thomas Ikeda, que representa um camareiro de gueixa, Sr. Bekku, trabalhou com a consultora de quimono Yuko Tokunaga e uma modelo para aprender os drapeamentos, inclinações, ziguezagues e outros ajustes finos técnicos do ritual. Marshall quis que Ikeda dominasse todos os passos, apesar de que apenas algumas partes seriam filmadas. “Rob me disse que meu personagem era provavelmente filho de uma gueixa,” confidenciou Ikeda.
O mundo de Sayuri Trazer a atmosfera texturizada de Memórias de uma Gueixa para a tela foi um grande desafio, bem como uma rara oportunidade de levar os espectadores para dentro de um mundo que está desaparecendo. Após se dar conta dos obstáculos de filmar dentro de um hanamachi real, e depois de mais buscas em diversos continentes, os cineastas decidiram construir seu próprio distrito de gueixas. O designer de produção Myhre inventou uma planta detalhada para o vilarejo com Marshall. Em seguida veio um conjunto completo de desenhos técnicos para cerca de 40 prédios e a construção de um modelo do hanamachi completo com carrinhos de brinquedo e carroças e um caminho escavado para o rio sinuoso. O modelo forneceu um quadro de referência para muitas decisões de produção. “Colocamos uma pequena ‘câmera-batom’ dentro do modelo para que pudéssemos visualizar num monitor como seria estar lá”, disse Myhre. “Rob e Dion brincaram com ela o tempo todo e até a utilizaram para planejar uma complicada tomada de grua”. O bairro de gueixas ou hanamachi foi construído em Ventura Farms, um imenso rancho de cavalos a cerca de uma hora de Los Angeles, com montanhas à distância e 360 graus de vista do vale verde. Em 14 semanas, um campo de pastagem foi transformado em cinco blocos de passeio de ruas de pedras e becos. O coordenador de construção John Hoskins e sua equipe começaram por posicionar uma área de 120 metros x 120 metros e então atravessaram um rio pelo centro. Com cerca de 76 metros de comprimento, 7 metros de largura e 2,5 metros de profundidade, o rio tinha um sistema de recirculação que criou a ilusão de água corrente. Fazer o hanamachi ser fácil de usar era imperativo. “Marcamos ele todo no chão com estacas e fios para que pudéssemos caminhar por ele”, disse Myhre, “então interpretamos as cenas para que pudéssemos projetar a construção em torno da ação”. O set foi construído com cedro, bambu e abeto claro. Bambu preto e folhas de casca de cedro, ambos inexistentes nos EUA, foram enviados do Japão, juntamente com cercas feitas de grama tecida e bambu. A decoradora de cenários, Gretchen Rau, uma veterana de O Último Samurai, comprou grandes quantidades de coberturas de janela, canas e esteiras enquanto fazia compras para o filme em Kyoto. Para acomodar as mudanças sazonais da agenda de filmagem, o chefe de trabalhos de jardinagem Danny Ondrejko criou quatro cerejeiras feitas a mão para cada estação do ano. Outra consideração sazonal principal era a luz. Mesmo tendo muitos charmes, a locação não oferecia a luz de inverno de Kyoto – mais um teste para a coragem criativa dos cineastas. Alterar a luz filtrando-a através de uma “seda” é uma técnica comum, mas cobrir um set de filmagens enorme com uma armação retrátil de tecido (conhecida como “seda”) foi uma tarefa ousada. O contra-regra Scott Robinson e sua equipe tiveram que cobrir quase 8 mil metros quadrados com a maior estrutura de vão livre jamais construída por cima de um set. O tecido – de 7 mil metros quadrados de lona dividido em seis pedaços separados – movia-se por duas linha de Kevlar suspensas entre duas pilastras. Os tecidos podiam suavizar a luz de dia ou segurar a escuridão a noite, o que permitiu aos cineastas filmar cenas diurnas à noite. Ancorado por tanques contendo quase quatro milhões de litros de água e fixado por 10 mil pregos, as pilastras mediam 75 metros e eram altas o suficiente para acomodar a iluminação Condor de 18 metros. “Pensou-se muito sobre logística e engenharia”, disse Beepe. “Sabíamos que vento seria um problema por lá, e também o barulho, com tanto material esvoaçante acima de nós. Só conseguimos fazê-lo porque muita gente corajosa decidiu correr o risco. Isso contribuiu imensamente para o visual do filme”. A maioria das construções no set da fazenda Ventura eram somente exteriores, mas algumas possuíam interiores completos nos estúdios da Sony. Entre estes estavam a Nitta okiya, a casa de chá Yukimoto, a clínica do Dr. Crab, os banhos públicos e o apartamento de Mameha. A okiya de dois andares foi desenhada para parecer ter 150 anos. Boa parte da história de Sayuri se desencadeia em seus quartos – desde sua chegada como Chiyo na sua primeira noite na cidade até a briga explosiva entre Sayuri e Hatsumomo anos depois. Muitas das paredes destes quartos eram formadas de portas cobertas de papel do período – shoji – do Japão. Os ranma, ou grelhas de madeira complexamente entalhadas acima do shoji, também eram antiguidades japonesas, juntamente coma maioria dos móveis na okiya. A equipe de Myhre até encontrou e reproduziu jornais japoneses clássicos do período para tapar buracos nas paredes do okoya para cenas onde se retrata uma época difícil. Cadeiras eram uma anomalia num mundo onde todos sentavam no chão, portanto Myhre considerou este ponto de vista enquanto desenhava seus sets, definindo o nível dos olhos a um metro do chão. Beebe aproveitou a oportunidade para explorar o contraste da historia entre eletricidade e lâmpadas a óleo no set. “O Rob adora uma estética desbotada e antiga, quase um mundo manchado de tabaco de camadas e texturas”, ele disse. “Acendemos muitas coisas na okiya, desde lâmpadas de óleo até chama. Essas fontes de luz quentes e tremeluzentes adicionaram mistério e profundidade”. Oito Jardas de Tecido A jornada de vida de Sayuri é freqüentemente comparada ao fluir de um rio e sua afinidade com a água é um motivo visual constante no filme. “Há elementos de água em quase todos os seus quiimonos”, disse a figurinista vencedora do Oscar® Colleen Atwood. “O melhor de todos está no fim, um quimono transparente, azul e cinza, com um desenho de cachoeira que flui a partir do obi (faixa da cintura)”. Marshall escolheu contar a história de Sayuri como se estivéssemos vendo o filme pelo prisma de sua memória, suas impressões de um mundo passado acalentadas por longo tempo, e queria a sensação de uma fábula no visual dos personagens principais. “Ela está compartilhando suas memórias da juventude, os mais dramáticos episódios de sua vida”, ele explicou. “Queríamos que nossos personagens centrais se parecessem com a forma com que Sayuri os vê – maiores que a vida”. Hatsumomo, interpretada por Gong Li, veste cores e padrões mais vibrantes que uma gueixa de verdade usaria e até o comprimento de suas mangas desafia as regras. “Hatsumomo é uma personagem da moda”, disse Colleen Atwood, “o que para mim significa uma pessoa que não apenas veste, mas cria a moda”. Ela veste quiimonos com muita atitude”. “Os anos de 1930 foram o ponto alto do mundo das gueixas, então os personagens centrais têm muitos quimonos”, continuou Atwood. “É uma peça muito simples – apenas oito jardas (7,31 metros) de tecido – mas o que cria valor são todas as técnicas envolvidas. Um quimono sofisticado tem pintura à mão e shibori, uma técnica de tingimento muito específica, assim como dobraduras, entrelaçamentos manuais e também um obi desenhado à mão. No Japão, leva-se cerca de um ano para se fazer um desses”. Além de criar refinados quimonos para as protagonistas do filme, Atwood vestiu centenas de outros personagens, como habitantes de uma vila de pescadores, moradores de um hanamachi em seu auge, convidados de uma festa aristocrática ao estilo ocidental, soldados japoneses, refugiados de guerra deseperados e a população do hanamachi pós-guerra. “Parecia que quase todo dia nós rodávamos uma grande cena que era completamente diferente da do dia anterior”, disse a figurinista. O departamento de Colleen Atwood criou mais de 250 trajes feitos à mão com uma equipe de aproximadamente de 30 pessoas trabalhando em seu workshop em Culver City. Foram feitos quimonos para personagens de cada nível sócio-econômico, para cada estação e o departamento feminino fez até roupas íntimas de gueixas e suas meias brancas tabi de algodão, que prendem na lateral e separam o dedão do pé. As liberdades de criação para os personagens centrais não se aplicaram para as centenas de personagens secundários e figurantes. “Era muito importante para nós saber o que era real na época e no lugar que estávamos enfocando”, enfatizou Atwood. “Eu fui aos arquivos do Instituto da Moda em Tóquio e vi ótimas reportagens daquele período, imagens que foram incrivelmente úteis”. Quimonos para muitos personagens secundários foram alugados da Yuya Collection, de Kyoto, especializada nos períodos japoneses Taisho (1912-1926) e Showa (1926-1990). Houve ainda outros fornecedores distantes, da Inglaterra, Dinamarca, Nova York e Los Angeles. “Comprei até quimonos antigos de um colecionador russo através do eBay”, disse Atwood. As técnicas de pintura de uma equipe local de artistas têxteis liderada por Matt Reitsma permitiram a Atwood replicar e detalhar ilustrações de antigos tecidos em novos materiais. Esses profissionais também tiraram o molde, tingiram, bordaram e pintaram à mão o quimono azul e cinza de cachoeira de Sayuri. Os tecidos que eles criaram incluiram aqueles usados nos roupões usados nas fontes termais. Os atores principais do filme vestiram ternos ocidentais feitos sob medida pelo departamento masculino – cujas criações variaram de uniformes militares para o general e seus assistentes até saiotes de fibras de bananeira para os pescadores da vila. A figurinista especializada Deborah Ambrosino criou espetaculares tamancos pretos laqueados de oito polegadas de altura para a dança-solo de Sayuri. A gueixa atual representa o Japão tradicional, mais do que o moderno, mais houve um tempo em que elas criavam tendências em seu país, e elementos de seu estilo único ainda aparecem na moda ocidental. “É um visual muito bonito e especial”, disse Atwood. “Acho que o colarinho baixo nas costas definitivamente será notado de novo pelo mundo da moda em breve”.
Cada Fio de Cabelo no Lugar A pele alva, o cabelo preso e os lábios vermelhos da gueixa têm sido parte de sua assinatura há séculos, passada dentro da okiya (casa de gueixas) de geração para geração. A maquiadora japonesa Noriko Watanabe seguiu os princípios da maquiagem tradicional das gueixas nas atrizes centrais do filme, mas também suavizou alguns aspectos do visual e exagerou outros para aumentar o impacto de sua beleza. “Para serem gueixas, elas têm que ser escolhidas”, ela observou, “e para serem escolhidas, elas precisam ser tão bonitas e inteligentes que pareçam intocáveis". Watanabe antecipou os desafios que a base branca da gueixa representaria num set americano. “Sua textura e consistência são diferentes das bases que normalmente usamos nos filmes”, ela disse. “Tem secagem rápida e racha se você não trabalhar rapidamente”. Watanabe criou uma nova geração de especialistas em maquiagem de gueixas ao organizar workshops em Los Angeles antes da pré-produção. “Ao longo de seis semanas, treinamos mais de 100 pessoas, inclusive cerca de 65 técnicos de alto nível do sindicato”. A base branca, usada pela gueixa apenas nas ocasiões mais formais e pela maiko (aprendiz de gueixa) sempre que aparecer em público, é aplicada no rosto, pescoço, na parte superior das costas e nas mãos. O apelo sedutor do pescoço é destacado deixando-se duas pontas em forma de V de pele limpa na nuca – três, em ocasiões especiais. A cabeleireira Lyndell Quiyou sutilmente atualizou o cabelo clássico da gueixa e da maiko para o filme. Depois de mergulhar em livros históricos, publicações e pinturas, ela passou o período de pré-produção criando visuais com sua equipe para um numeroso elenco de protagonistas, dançarinos e figurantes. “Rob disse para pensarmos na gueixa em uma passarela em Paris e foi o que fizemos”, ela disse. “Criamos as formas e silhuetas mais modernas e geométricas”. Já o visual para os protagonistas era o de uma cabeça pequena, exceto para Hatsumomo. “Eu fiz sua peruca muito, muito alta”, disse Quiyou. “Quanto mais alta, melhor ela ficava, mais próxima do estilo tradicional. Os extras também ganharam um visual mais tradicional”. Já encontrar o visual correto para a dança solo de Sayuri foi um desafio especial. “Eu criei penteados enormes com grandes enfeites até que eu olhei para o que ela tinha que fazer”, lembrou Quiyou. “Então peguei uma peruca bem longa, dividi ao meio, prendi atrás e o amarrei usando o vermelho. Acrescentei peças longas, para ficar com um visual kabuki, e deixei pender sobre seu rosto como uma cortina – bem simples e muito bonito”. A Mais Reverenciada das Artes da Gueixa No filme, Sayuri coloca o coração e a alma em sua dança de aparição, o que faz com que se torne a luz mais brilhante no hanamachi. Embora uma aprendiz de verdade raramente seria vista numa dança solitária com tal desprendimento, Marshall optou por uma coreografia influenciada pelo kabuki para o solo dramático de Sayuri. A importância da dança no mundo da gueixa teve ressonância em Marshall e no coreógrafo John DeLuca. “Eu quis essa dança para comunicar ao público a paixão e o desequilíbrio do coração de Sayuri. Foi incrivelmente empolgante para nós misturar nossa visão artística com as belas tradições da dança japonesa ao contarmos a história de Sayuri”. DeLuca, supervisor de coreografia de Marshall em Chicago, liderou a equipe de dança de Memórias de uma Gueixa. Denise Faye, outra veterana de Chicago, foi coreógrafa associada a DeLuca, e Miyako Tachibana, professora na Fujima Kansuma School, de Los Angeles, foi a consultora de dança japonesa. Essa colaboração produziu um hibridismo único, moderno e inovador. “A dança japonesa é muito controlada e baseada em movimentos sutis e refinados”, disse Tachibana. “Rob, John e Denise absorveram nossos princípios, depois acrescentaram sua própria teatralidade vivida. É algo mágico”. Uma gravura de tamancos laqueados de oito polegadas de altura, que cortesãs usavam ao conduzir desfiles em antigos festivais, foi o elemento-chave para DeLuca criar o solo dramático de Sayuri. No seu cenário, uma sofrida cortesã, abandonada por seu amante, decidiu se matar – um tema familiar na dança japonesa. “A primeira parte da dança que ensinei a Ziyi sobre aqueles tamancos e ela pulou para dentro deles”, lembrou DeLuca. “Ela foi muito corajosa”. A dança de inverno é realizada numa passarela estreita ou hanamichi (não é o hanamachi), tornando-a mais próxima ao estilo kabuki. “Isso foi idéia do Rob”, disse DeLuca. “A passarela estreita, junto com as luzes e a neve, tornam a dança ainda mais difícil”. Zhang concordou: “Definitivamente foi um desafio e eu acabava engolindo muita neve falsa. Quando vi pela primeira vez aqueles calçados-plataforma de oito polegadas, achei que fossem objetos cenográficos; então John me disse que eu tinha que dançar com eles!” “A dança envolveu um alto nível de atuação”, ela continuou. “Era teatro dentro de teatro. A música era tenebrosa e ajustava-se muito bem ao estado de espírito da mulher desiludida”. O comprometimento da atriz encantou Marshall. “Fico imaginando se alguma coisa é difícil demais para Ziyi”, elogiou ele. Tachibana achou o mesmo: “Ser graciosa naqueles tamancos, fazendo a atuação parecer espontânea, o quimono fluir e a sombrinha ficar no lugar certo é muita coisa com o que se preocupar. Mas ela lidou com tudo isso de forma magnífica”. DeLuca escolheu fazer uma declaração com os leques na dança maiko de primavera que precede o solo de Sayuri. “Decidi misturar leques enormes com os tradicionais menores e fazer outros grandes e transparantes. Foi uma outra forma de comunicar que estávamos contando a história de Sayuri como uma fábula e não apenas replicando a cultura das gueixas da década de 1930”. Uma Dança entre Gigantes Nobu, o homem de negócios desfigurado interpretado por Koji Yakusho em Memórias de uma Gueixa, faz esta declaração de destaque em sua primeira conversação com Sayuri: “Três coisas importam na vida: o sumô, os negócios e a guerra. Entenda um desses e entenderá todos”. As cenas de sumô de Memórias de uma Gueixa foram grandes espetáculos, adequando-se à reverência de Nobu pelo esporte. O estádio de sumô do filme, com capacidade para 800 pessoas, foi construído no maior estúdio da Sony e preenchido com figurantes vestidos com exuberantes trajes de época. Mainoumi e Dewaarashi, que interpretam os sumotoris principais, vieram para o filme com um legado de ser super-astros do sumô no Japão. O juiz que aparece nesta cena é outra celebridade japonesa do sumô na vida real, um tesouro vivo para os fãs, conhecido no ringue pelo título cerimonial de Kimura Shonosuke. Mainoumi, hoje um popular comentarista de sumô, foi uma prova viva do princípio do sumô de que um homem pequeno pode usar o peso de um homem grande contra o próprio. Já que seu peso girava em torno de 100 quilos, ele normalmente enfrentava oponentes muito maiores; e apesar de não haver categorias por peso no sumô professional japonês, existe um requisito de peso e, no início de sua carreira, Mainoumi não atingia por pouco o peso mínimo. Em vez de desistir de seu sonho, ele ganhou o peso que necesitava através de um implante de silicone. Uma disputa de sumô geralmente dura alguns segundos e seu resultado é determinado tanto pela habilidade psicológica quanto física. “Você libera todo seu poder ou ki no momento da investida”, disse Freund. “Tudo pode acontecer naquele momento explosivo”.
De Nota Especial Criar música para realçar o drama da jornada de Sayuri era um enorme empreendimento que pedia por um compositor que pudesse comunicar a intimidade emocional da história, a locação exótica e o envolvimento épico. Marshall ficou empolgado quando John Williams, ganhador de cinco Oscars®, concordou em compor a trilha. “Senti-me muito privilegiado de ter tido a oportunidade de compor uma trilha musical para o filme de Rob Marshall, Memórias de um Gueixa”, disse Williams. “Por anos admirei o notável livro de Arthur Golden e foi a realização de um desejo colaborar com meus amigos Yo-Yo Ma e Itzhak Perlman neste filme extraordinário”. Como as composições de Williams apresentaram instrumentação tanto oriental quanto ocidental, mestres de shamisen, koto, shakuhachi, tambores taiko e de outros instrumentos tradicionais japoneses estiveram entre os músicos de Memórias de uma Gueixa. Durante muitos dias, no Royce Hall da Universidade da Califórna (UCLA), a orquestra também incluiu Itzhak Perlman, o legendário violinista, e o violoncelista mundialmente reconhecido Yo-Yo Ma — dois instrumentistas que criaram muitos momentos inesquecíveis no cinema. Em Memórias de uma Gueixa, o violino de Perlman dá voz a “A Valsa do Presidente” (“The Chairman’s Waltz”), enquanto o violoncelo de Ma elegantemente conduz o “Tema de Sayuri” (“Sayuri’s Theme”). “Havia momentos de pura magia em cada estágio deste projeto”, explicou Marshall. “O senso de descoberta era inebriante, desde os primeiros dias de pesquisa até a fotografia principal, e mesmo durante a pós-produção. As sessões de gravação da trilha foram puro deleite. Trabalhar em colaboração com artistas desse calibre foi um marco pessoal e suas contribuições acrescentaram outra maravilhosa camada de textura ao filme”. “Minha esperança é que tenhamos feito justiça a Memórias de uma Gueixa”, concluiu Marshall. “Fazer o filme foi desafiador, emocionante, às vezes assustador, mas sempre gratificante. Escolhemos contar a história como uma fábula, ambientada num mundo tão sedutor e inatingível quanto a própria Sayuri. Glossário da Gueixa Arigato gozaimasu – “Obrigado” O Elenco ZIYI ZHANG (Sayuri), onde foi imediatamente aceita. ROB MARSHALL (Diretor) |
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