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  O NOVO CINEMA ASIÁTICO

O Espaço Cultural CPFL realiza nos meses de Março e Abril a mostra “O novo cinema asiático” com apoio da Fundação Japão e Consulado Geral do Japão em São Paulo e Rio de Janeiro com curadoria de Fernão Ramos, professor do Instituto de Artes da Unicamp e autor da Enciclopédia de Cinema Brasileiro.

A mostra começará com a apresentação especial do filme mudo japonês A Feiticeira das Águas de Kenji Mizoguchi (1933, Japão) com o acompanhamento de benshi.

Benshi, em japonês, é a denominação profissional dos narradores para filmes mudos. Os narradores, acompanhados de músicos, convertem-se em verdadeiros protagonistas do filme exibido. Diferente das dublagens de filmes, em que os atores se ocupam de personagens individuais e falam por turnos, no Benshi cada artista pode interpretar várias vozes.

A narração será realizada pela bailarina, coreógrafa e e diretora de dança Angela Nagai e será acompanhada por Valéria Valéria Zeidan (percussão) e Tamie Kitahara (shamisen)

Angela Nagai
foto: Jo Takahashi

Ângela Nagai formou-se pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde atualmente é mestranda. Foi bolsista da The Japan Foundation e da Fundação Vitae. Em ambas, estagiou no International Noh Institute, em Kyoto com Udaka Michishige, onde desenvolveu suas pesquisas de dança do Teatro Nô. Em sua vertente autoral, criou trabalhos onde transporta o universo do Teatro Nô para uma fusão contemporânea, incorporando elementos arquetípicos da umbanda.

Valéria Zeidan é percussionista com bacharelado em Música pelo Instituto de Artes da UNESP. Desempenha atividade musical diversificada, participando de orquestras e grupos camerísticos, espetáculos teatrais, shows de música popular e grupos de música étnica. Leciona no Centro de Estudos Musicais Tom Jobim, e é percussionista do grupo Mawaca desde 1998.

Tamie Kitahara estuda koto desde a infância e shamisen há 25 anos, tocando peças do repertório erudito e do folclore japonês. Estudou shamisen no Brasil e aperfeiçoou-se no Japão, na escola Ikuta Ryu Seiha. O koto é uma espécie de cítara japonesa, de 13 cordas. O shamisen é um instrumento semelhante ao banjo, com três cordas, tocadas com um plectro (bachi). Sua melodia é indispensável ao acompanhamento de peças de teatro kabuki, nô e bunraku.

Angela Nagai
foto: Jo Takahashi

Texto do curador Fernão Ramos

“O novo cinema asiático parece ser a bola da vez no coração dos cinéfilos. Antes que algum desavisado interprete esse nome como a marca do último movimento internacional de vanguarda, é bom lembrar que Novo Cinema Asiático não é Cinema Novo, Neo-realismo ou Nouvelle Vague.

Trata-se apenas de um nome usado para designar o dinamismo da atual produção cinematográfica em países como Coréia do Sul, Japão, China e Hong Kong (ainda duas nações distintas na geografia do cinema). Se possui algo em comum, podemos localizá-lo na força com que vem ocupando mercados através do mundo (principalmente em países da Ásia) e a sem-cerimônia com que dialoga, conscientemente, com as tradições narrativas cinematográficas.

Para iniciar esse panorama, voltado ao futuro do novo, escolhemos a trilha do passado. Unindo cinema e performance, a Mostra será aberta pelo clássico A Feiticeira das Águas (1933), do grande Kenji Mizoguchi, em uma homenagem ao papel dos artistas 'benshi' no cinema mudo japonês. Mais do que manipuladores da palavra, em um cinema sem sons, o narrador 'benshi' constitui uma arte à parte, unindo o traço da imagem ao movimento do gesto, na entonação e na fala. Os espectadores ainda irão perceber, na Mostra, a atualidade dessa expressão gestual em A Casa Vazia. Num estranho filme quase mudo, Kim Ki-duk, figura central do novo cinema coreano, explora as dimensões do relacionamento humano entre estranhos. Nessa pequena Retrospectiva da produção asiática contemporânea, ainda oscilamos entre o cinema lírico-futurista de Wong Kar Way, carregado da estética pós-moderna dos anos 80, e a crueldade, no limite escatológica, de Park Chan-Wood em Old Boy.

Em Hana-Bi de Takeshi Kitano, um dos principais diretores japoneses da atualidade, está presente lirismo e melancolia, representando com agilidade e frieza o universo da temível Yakuza. Hirokazu Koreeda é um jovem diretor, para padrões japoneses, que vem adquirindo progressivo prestígio com seus leves dramas intimistas. Exibimos sua última obra, Ninguém Pode Saber, que recebeu da crítica carioca o prêmio de melhor filme no circuito exibidor brasileiro em 2005.

Zhang Yimou representa hoje o grande cinema chinês que despontou para o mundo nos anos 90 e que continua brilhando com luz própria. Em O Herói a narrativa se desdobra em várias facetas (lembrando o grande Akira Kurosawa), explorando através da multiplicação dos pontos de vista, a subjetividade embutida em todo contar.

Para representar o que existe de mais cristalino e puro no cinema asiático de ação trouxemos o legítimo herdeiro do saudoso Bruce Lee. Stephen Chow, ator e diretor, tem em seu currículo Shaolin Soccer (2001), maior sucesso de todos os tempos em Hong Kong. Em Kung-fusão (perdão pelo título nacional) mistura comédia e ação em um diálogo interessante com o próprio gênero 'kung-fu' que sustenta o filme. Crespusculo Seibei mostra um outro lado desse cinema de ação, levando para o espaço intimista o universo ficcional de um filme de samurai.”

PROGRAMAÇÃO

Dia 08/03 – Quarta (19h)

A Feiticeira das Águas
 Direção: Kenji Mizoguchi (1933, Japão)

Este filme é considerado uma obra prima da fase silenciosa do cinema de Mizoguchi.
É o retrato de uma mulher que permanece totalmente dedicada a um só homem num momento de mudança de valores.

Jirokichi
foto: divulgação

Dia 12/03 – Domingo (17h)

Crepúsculo Seibei
Direção: Yôji Yamada (2002, Japão)

Seibei Iguchi é um Samurai viúvo e pobre que, com parcos recursos, tem que manter suas duas filhas pequenas (uma das quais narra a história do princípio ao fim) e sua mãe idosa. Apesar de pertencer à classe samurai estamos em meados do Século XIX quando o sistema feudal japonês está prestes a ruir. Seibei é um humilde trabalhador que sustenta a família trabalhando de dia no feudo e à noite - ao invés de beber e divertir-se - confecciona artesanatos de bambu. Seu apelido "Tasogare" (crepúsculo) vem daí e da imagem de aborrecido que parece aos olhos dos amigos.

Jirokichi
foto: divulgação

Dia 15/3 (19h) e 19/3 (17h)

Amor à Flor da Pele
Direção: Wong Kar Way (2000, Hong Kong/China)

Chow (Tony Leung Chiu Wai) e sua mulher acabaram de se mudar. Logo, ele conhece Li-Zhen (Maggie Cheung), uma jovem que também acabou de se mudar com o marido. Ele trabalha para uma companhia japonesa, o que significa que está freqüentemente viajando. Como sua mulher também fica, muitas vezes, longe de casa, Chow passa muito tempo com Li-zhen. Eles se tornam amigos e, um dia, são forçados a encarar os fatos: seus respectivos parceiros estão tendo um caso.

Dia 22/3 (19h) e 26/3 (17h)

Eros (episódio A Mão)
Direção: Wong Kar Way (2004, Hong Kong/China)

Filme em três episódios sobre amor e erotismo. The Hand, de Wong Kar-Wai, passa-se em Xangai, em 1963. Um jovem alfaiate cultiva um silencioso amor pela mulher para quem ele confecciona roupas. Equilibrium, de Steven Soderbergh, é situado em Nova York, em 1955. Um publicitário conta para seu analista os sonhos eróticos que tem com uma mulher familiar, mas de quem ele esquece o rosto assim que acorda. Il Filo Pericoloso Delle Cose, de Michelangelo Antonioni, tem como cenário a Toscana nos dias de hoje, onde se destaca um casal de meia-idade numa relação desgastada. Em meio ao impasse, o homem passa uma noite apaixonante com uma mulher mais jovem.

Dia 29/3 (19h) e 2/4 (17h)

Hana-bi - Fogos de Artifício
Direção:Takeshi Kitano (1997, Japão)

Policial (Takeshi Kitano) descobre que sua mulher está prestes a morrer, ao mesmo tempo em que  seu parceiro é baleado por mafiosos. Ele deixa a polícia e parte em busca de vingança, ao mesmo tempo em que se decide a cuidar da esposa.

Dia 5/4 (19h) e 9/4 (17h)

Casa Vazia
Direção: Kim Ki-Duk (2004, Coréia do Sul)

Um jovem vagabundo invade a casa de estranhos e mora nelas enquanto os donos estão fora. Para pagar a estadia ele realiza pequenos consertos ou faz limpeza na casa. Ele costuma ficar um ou dois dias em cada lugar, trocando de casa constantemente. Até que um dia encontra uma bela mulher em uma mansão, que assim como ele também está tentando escapar da vida que leva.

Dia 12/4 (19h) e 16/4 (17h)

Ninguém Pode Saber
Direção: Hirokazu Koreeda (2004, Japão)

Quatro irmãos mudam-se com sua mãe para um pequeno apartamento em Tóquio, sendo que todos têm pais diferentes. As crianças nunca foram à escola e apenas o filho mais velho entra caminhando normalmente no novo apartamento, com os outros chegando escondidos em malas. Ninguém pode ficar sabendo que mais de três pessoas vivem ali, sob o risco de serem expulsos. Tudo vai bem até que, um certo dia, a mãe (You) vai embora, deixando para o filho mais velho, Akira (Yuya Yagira), de 12 anos, um bilhete e um pouco de dinheiro. Começa então o duro processo de amadurecimento precoce de Akira.

Dia 19/4 (19h)

Old Boy
Direção: Park Chan-wook (2003, Coréia do Sul)

1988. Oh Dae-su (Choi Min-sik) é um homem comum, bem casado e pai de uma garota de 3 anos, que é levado a uma delegacia por estar alcoolizado. Ao sair ele liga para casa de uma cabine telefônica e logo em seguida desaparece, dexando como pista apenas o presente de aniversário que havia comprado para a filha. Pouco depois ele percebe estar em uma estranha prisão, que na verdade é um quarto de hotel onde há apenas uma TV ligada, no qual recebe pouca comida na porta e respira um gás que o faz dormir diariamente. Através do noticiário da TV ele descobre que é o principal suspeito do assassinato brutal de sua esposa, o que faz com que tente o suicídio. Sem obter sucesso, ele passa a se adaptar à escuridão de seu quarto e a preparar seu corpo e sua mente para sobreviver à pena que está sendo obrigado a cumprir sem saber o porquê.

Dia 23/4 (17h)

O Herói
Direção: Zhang Yimou (2002, China)

Na China ancestral, antes do surgimento do primeiro imperador, a nação divide-se em sete reinos. Qin (Daoming Chen), o soberano da província do norte, sofre constantes ameaças e tentativas de assassinato. O que mais o preocupa são três assassinos de elite, contratados por seus adversários políticos. Um dia um dos magistrados de seu reino entra no palácio carregando as armas dos assassinos, afirmando ter derrotado os três inimigos em combate após de ter passado mais de uma década estudando a técnica da espada.

Dia 3/5 (19h)

Kung-fusão
Direção: Stephen Chow (2004, Hong Kong/China)

Sing (Stephen Chow) é um ladrão de segunda categoria que sonha em integrar a sofisticada e implacável gangue Axe, que controla o submundo da cidade. Ele tenta extorquir dinheiro de um dos moradores do Beco Curral do Porco, um movimentado complexo de apartamentos da periferia, mas é surpreendido pelos vizinhos da vítima, que são mestres nas artes marciais. As tentativas atrapalhadas de Sing chamam a atenção da gangue Axe, que entra em conflito com os moradores do Beco do Curral do Porco.

Serviço:
”O novo cinema asiático”
Data: 8 de março a 3 de maio de 2006
Local: Espaço Cultural CPFL
Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1.632, Chácara Primavera / Campinas
Bilheteria: A entrada é gratuita e não é necessário reserva
Informações: (19) 3756-8000
Site: www.cpflcultura.com.br

Realização: Espaço Cultural CPFL
Apoio: Fundação Japão e Consulado Geral do Japão em São Paulo e Rio de Janeiro
Colaboração: Tozan


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