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| CURSOS FJSP >> Veja também: Curso 1: TEATRO DE YUKIO MISHIMA Curso 3: EXPEDIÇÃO BUTOH >> Para saber mais: Obras disponíveis na biblioteca da Fundação Japão sobre ARTE E CULTURA Obras disponíveis na biblioteca da Fundação Japão de DONALD RICHIE Obras disponíveis na biblioteca da Fundação Japão sobre DVD, VÍDEO e Revistas |
SÉRIE: CURSOS DE CULTURA JAPONESA FUNDAÇÃO JAPÃO A Fundação Japão dá início às séries de cursos sobre cultura japonesa no mês de Julho e se estende até Setembro.
CURSO 2: Arte japonesa pós anos 90 - curto-circuito das identidades Conteúdo: Na passagem do milênio, o Japão escancara a inevitabilidade da sua presença no mercado artístico internacional. Entre ondas de revalorização da tradição e de curiosidade em relação a tudo que ainda não foi testado, o pensamento japonês imita e, ao mesmo tempo, desestabiliza o Ocidente. Despontam novos japonismos, uma urbanidade sexuada, a tecnologia com gosto pela natureza, outros sentidos de coletividade e a desorganização da vida como exercício de sobrevivência. Professora Convidada: Christine Greiner é jornalista, doutora em Semiótica pelo Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-São Paulo e pós-doutora pela Universidade de Tokyo. Coordena o Centro de Estudos Orientais e o curso de graduação em Comunicação das Artes do Corpo da Faculdade de Comunicação e Semiótica da PUC-SP. É autora dos livros O Teatro Nô e o Ocidente (Annablume, 2000) e Butô, pensamento em evolução (Escrituras, 1998), além de diversos artigos e conferências publicadas no Brasil e no Exterior. Em dezembro de 2005 foi a International Research Center for Japanese Studies, em Kyoto, como Pesquisadora Convidada. Aulas:
Arte japonesa pós anos 90. -- curto-circuito das identidades 1- Legados da anti-modernidade japonesa Entre 87 e 91, em meio a uma onda de extremo consumismo, o movimento “angura” (marcado por experiênciais teatrais “underground” dos anos 60) ressurge como cicatriz do anti-modernismo japonês e, rapidamente, transforma-se em cult . Nas páginas da revista “Garo” é testado por jovens cartunistas. Nas instalações violentas de artistas, como Makoto Aida, parodia Ultraman e clássicos das gravuras ukiyo-ê. 2-O fim dos 90 e a emergência da arte de consumo A arte de consumo japonesa está longe de ser uma massa homogênea. Artistas nascidos entre as décadas de 60 e 70 tornaram suas obras objetos de voyerismo e desconstrução. Mesmo sem a inquietação existencialista da geração anterior, nem todas as experiências são descartáveis. Mergulhados na complexidade das grandes cidades, os jovens rediscutem noções de gênero, raça e sexualidade. Importam conceitos e exportam comportamentos. 3- As pós-identidades: robôs, bonecas e body art. Bonecas e colegiais uniformizadas, robôs eficientes e corpos modificados com próteses e colorações desafiam os especialistas. Há mais ambivalência nas desfigurações humanas do que se pode perceber à primeira vista. Artistas como Yoshiko Shimada vão remapear a banalização, discutir novas estratégicas de poder, zonas de indistinção, o papel da mulher e a surpreendente persistência de vínculos com o Japão Imperial. Não é a destruição que se destaca mas a possibilidade de transformação. 4- As cidades e a arte de escrever diários: em casa, na rua, em outdoors, no corpo Uma reflexão pautada no inacabamento começa quando a rua imita a arte e a arte imita a rua. Intervenções diversas explicitam a relação singular dos japoneses com a cidade. Pergunta-se: os abusos da estética kitsch e da cultura digital diluiram o encanto pela natureza que marcava a imagem romântica do Japão? Entre os diários do crítico e cineasta Donald Richie e da performer Bubu, a cidade se reinventa. As novas paisagens alternam feições de uma Disneilândia exuberante, a catatonia de um grande Pachinko e a silenciosa presença de um certo modo de organizar a vida que permanece. O foco são as invisibilidades decorrentes da hiper exposição e, ao mesmo tempo, a impossibilidade de reduzir o Japão a um único estereótipo, desprezando a aliança entre natureza e cultura. 5- O mundo super flat da geração Murakami: as ruínas de little-boy Quando Takashi Murakami lançou seu manifesto, o mundo passou a compreender as experiências otaku sob um viés politizado. A exposição de suas obras, que recentemente encantou Nova Iorque, retomou a II Grande Guerra e as bombas atômicas, identificando os japoneses, desde então, como portadores de “membros fantasmas”. Estes não seriam propriamente braços e pernas, mas princípios dilacerados. Pergunta-se: Como desenhar os novos gestos? Olhar para frente sem tentar erradicar a história? Conviver com a noção de sujeito individual sem perder os sentidos da coletividade? 6- Os japonismos do século 21 e a metamorfose do legado histórico em fetiche Desde o século 19, a imagem do Japão vem sendo transformada. Os primeiros relatos de Julio Verne descreviam os japoneses como cruéis antípodas, tendo como referência o bairro dos prisioneiros decapitados em Nagasaki. Em pouco tempo, surgiria um novo Japão, romântico e delicado, reinventado pelo fotógrafo Felice Beato, com gueixas seus quimonos sofisticados e “rituais exóticos”. Um século mais tarde, outra mudança radical. De vilões da II Grande Guerra à super potência no campo da ciência e da tecnologia, a nação se reinventou e passou a testar novos exercícios de poder. A redescoberta do suplício oriental como forma de fetiche e as inversões de imagens fizeram ainda do Japão espelho e contraponto. O olhar dos curadores ocidentais e o testemunho de diferentes artistas buscam reconhecer e elaborar novas representações do corpo japonês. 7- Humor e terror: os novos operadores de imagens O recente boom do cinema de terror japonês fora do Japão reacende o interesse ocidental pela cultura dos monstros. Refilmagens sugerem novas versões da cultura da morte com temas diversos. Mais do que mera diversão, a vida nua é super exposta e satirizada. Humor e terror funcionam como operadores de metamorfose. São recuperados alguns monstros já famosos, como o lendário Godzila. Emergem estranhas possibilidades que só se realizam em negações radicais. A ponte entre o cinema, os quadrinhos, os games e as antigas gravuras de seres sobrenaturais são alguns dos importantes pontos de partida para as novas experiências. 8- A era da confusão revisitada: a desorganização do corpo como resistência política A última palestra terá a participação do professor Kuniichi Uno, da Universidade Rikkyo de Tóquio. Ele falará sobre como a gênese do corpo no butô e em Artaud inspirou novas conexões dentro da universidade, entre artistas consagrados como o coreógrafo Saburo Teshigawara e o grupo de teatro Kunauka, o estudo da filosofia e da ciência.
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