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A Multiplicidade dos Estilos Pictóricos do Período Edo
e seu Significado |
Prof. Dr. Monta Hayakawa, do International Research Center for Japanese Studies
O Período Edo (1603-1867) pode ser definido como uma era de domínio da classe guerreira, que antecedeu a modernização do Japão iniciada na Restauração Meiji (1867), tendo como modelo o Ocidente. Os estudos recentes indicam que foi nessa era, comumente considerada pré-moderna, que foram realizados experimentos modernos em diversas áreas como política, economia e cultura (religião, pensamento e artes). Nesta conferência, pretende-se apresentar e analisar os múltiplos estilos pictóricos do Período Edo.
Tipo 1: Pinturas que representam o poder e a imutabilidade
Trata-se de obras em que foram empregadas técnicas tradicionais para pintar temas clássicos. Apresenta duas correntes, sendo a primeira representada por Tosa-ha e Sumiyoshi-ha, expoentes do Yamato-e, estilo japonês, que retrata principalmente a nobreza residente em Kyoto. A segunda corrente é conhecida como Kanô-ha, praticante do Kara-e, estilo chinês, que retratou principalmente a classe dos guerreiros residentes em Edo e nos demais Han, feudos.
Tipo 2: Pinturas da moda e o vulgo
Trata-se de pinturas que retrataram os costumes e as práticas hedonistas da época. Na primeira metade do Período Edo floresceu a pintura de usos-e-costumes, Fûzoku-ga, tendo como centro a cidade de Kyoto, e na segunda metade o Ukiyo-e, desenvolvido em Edo, principalmente através da xilogravura. Inicialmente praticados por pintores anônimos, aos poucos foram incorporados pelos pintores de Kanô-ha e de Tosa-ha, que passaram a produzir os trabalhos a pedido dos nobres e samurais.

Tokaido Gojusantsugi: Kanbara Yoru no Yuki
Autor: Utagawa Hiroshige

Tokaido Gojusantsugi: Nihonbashi Asa no Kei
Autor: Utagawa Hiroshige
Tipo 3: Pinturas que servem à forma e à função
São pinturas ornamentais inspiradas a partir de design de leques, objetos revestidos de laca e vestimentas. A principal corrente Rinpa-ha segue a tradição do universo das artesanias, tendo como temática principal a tradição clássica da nobreza.
Tipo 4: Pinturas feitas por diletantes e apaixonados pela arte
São pinturas que se originaram do pensamento do Bunjin-ga, chinês, tendo como tema a “terra ideal de poetas-pintores”, inspiradas em clássicos e em feitos antigos da China. Diferentemente da China, onde se destacaram os pintores da elite, foram os pintores de origem popular a desenvolver esses trabalhos no Japão.
Tipo 5: Pinturas de fundo intelectual e verossímel
São pinturas que se originaram da curiosidade e do interesse em relação à pintura ocidental. Têm como característica principal o emprego das técnicas da perspectiva linear e a descrição minuciosa. Em Kyoto, essa técnica veio a ser unificada com as pinturas ornamentais (tipo 3), formando o Maruyama Shijô-ha, e em Edo veio a se transformar em Yôfûga, ligando-se a Rangaku (Estudos Holandeses) e ao setor produtivo.
Serviço
Data: 29 de agosto de 2006
Horário: 19h
Local: Auditório Grande da Fundação Japão
Realização:Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo
Co-Promoção:Fundação Japão
As inscrições poderão ser feitas no Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo durante a semana, das 13h às 17h.
Tel: (11) 3091-2426/2423
Fax: (11) 3091-2427
* A palestra será ministrada em japonês com tradução simultânea para português.
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