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  COLÓQUIO

 
 
III COLÓQUIO INTERNACIONAL SOBRE O PENSAMENTO JAPONÊS
O perigo da técnica – perspectivas ocidentais e orientais


A Fundação Japão e o Grupos de Estudos sobre o Pensamento Japonês têm o prazer de apresentar o III Colóquio Internacional sobre o Pensamento Japonês.

 Primeiro colóquio internacional a ser realizado sobre o tema no território brasileiro,  tem como objetivo continuar o diálogo entre o pensamento ocidental e oriental, iniciado em 2006, no I Colóquio. Toma como fio condutor as diferenças entre a natureza metafísica  do pensamento ocidental, caracterizado principalmente pelos procedimentos de objetificação e fragmentação da realidade, e a não metafísica do pensamento oriental, chamado de meditativo e distinguido pelo relacionamento com tudo que há.

Conta, dessa vez, com a participação especial de renomados filósofos internacionais como Prof. Dr. Rolf Elberfeld da Alemanha, Prof. Dr. Katsuhito Inoue e Prof. Dr. Takao Todoroki do Japão.


PROGRAMAÇÃO
28/11/2008

9h 
Prof. Dr. Katsuhito Inoue (Japão)
Palestra: “O problema global do meio ambiente e a filosofia japonesa”.

10:30h
Prof. Dr. Antonio Florentino Neto (Universidade Federal de Uberlândia)
Palestra: “A Morte de Deus e a Morte do Buda - O Niilismo do Zaratustra de Nietzsche e o Ateísmo zen-budista de Hisamatsu”

14h                  
Prof. Dr. Oswaldo Giacoia Junior (Unicamp)
Palestra: “Nietzsche e o Zen-Budismo”

15:30h
Prof. Dr. José Carlos Michelazzo (Sociedade Brasileira de Fenomenologia)
Palestra: "Ser e sunyata: os caminhos ocidental e oriental para a ultrapassagem do caráter objetificante do pensamento"

29/11/2008

9h
Prof. Dr. Takao Todoroki (Japão)
Palestra: “Técnica e Guerra em Heidegger e na Escola de Kyoto”

10:30h        
Prof. Dr. Marcos Lutz Müller (Unicamp)

Palestra: A experiência do “lugar da nadidade” como fundamento da consciência religiosa (Nishida) e a resolução da “nadidade” do finito na infinitude verdadeira (Hegel)”

14h
Prof. Dr. Rolf Elberfeld (HidesAlemanha)
Palestra: Vacuidade e Medium -  Formas de uso da Linguagem em Nishida e Nishitani

15:30h            
Prof. Dr. Zeljko Loparic (Unicamp / PUC-SP)
Palestra: “Integração vs. ultrapassamento da técnica”

RESUMO DAS PALESTRAS E PERFIL DOS PALESTRANTES

Prof. Dr. Katsuhito Inoue
Graduado, mestre e doutor pela Universidade de Kansei onde escreveu tese sobre literatura e atualmente exerce o cargo de Professor Titular. Escreveu vários textos sobre filosofia comparada, tratando fundamentalmente da relação Ocidente-Oriente.

Título: “O problema global do meio ambiente e a filosofia japonesa”
Resumo: Nosso cotidiano tornou-se, efetivamente, mais enriquecido e cômodo pelo desenvolvimento da tecnologia e da indústria. Porém, o ecossistema global está agora diante de uma crise desencadeada pelo aquecimento global ou pela desertificação causada pelo desmatamento descomedido. A causa por trás dessa realidade reside em nossas crenças arraigadas de que a ciência e a tecnologia são todo-poderosas, e que a busca pelo lucro deve ser priorizada. Neste contexto, que papel cabe ao filósofo? Eu argumentaria que precisamos de uma eco-filosofia. Tal filosofia deveria considerar até que ponto a representante natural da Filosofia Japonesa, a Escola de Kyoto, está à altura desse desafio, ou não. Onde reside a natureza e significado particulares da tão falada ética tradicional do Oriente subjacente à filosofia da Escola de Kyoto? Eu gostaria de introduzir uma perspectiva voltada para o “Outro absoluto” transcendente, baseado na ética da Escola de Kyoto, ou seja, a ética da ‘correspondência dos opostos’ como uma espécie de ‘trans-descendência’

Prof. Dr. Antonio Florentino Neto
Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos e doutor em Filosofia pela Freie Universität Berlin com a tese “A Recepção do Pensamento Chinês na Filosofia Alemã”. Atualmente é professor visitante da Universidade Federal de Uberlândia (Pós-doutorado com bolsa da Fapemig – Fundação de Ampara a Pesquisa do Estado de Minas Gerais).

Título: “A Morte de Deus e a Morte do Buda - O Niilismo do Zaratustra de Nietzsche e o Ateísmo zen-budista de Hisamatsu”
Resumo: Em minha exposição tratarei de alguns aspectos do anúncio da morte de Deus no Zaratustra e da morte do Buda no Zen-budimo, apontando proximidades e distâncias entre o denominado niilismo europeu o a “religião” atéia do Zen-budismo de Hisamatsu. Preliminarmente farei algumas considerações sobre as possibilidades e limites de empreendimentos comparativos, tais como o que me proponho, a partir de passagens de textos da história da filosofia, principalmente de Leibniz, Hegel e Heidegger, que se referem diretamente ao pensamento oriental.

Prof. Dr. Oswaldo Giacoia Junior
Mestre pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1983), doutorado (1988) e pós doutorado (1994) pela Freie Universität Berlin (1988), e pós-doutorado pela Universidade de Viena (1998). Atualmente é professor da Universidade Estadual de Campinas

Título:
“Nietzsche e o Zen-budismo”
Resumo: A comunicação aprofunda um tema que tem sido objeto de discussão constante em nosso grupo de estudos: a relação entre a mística oriental e ocidental, desta feita especialmente voltada para um diálogo com a interpretação por Shizuteru Ueda do tema da negatividade absoluta na filosofia Zen e em Friedrich Nietzsche. Nesse horizonte, a interpretação heideggeriana de Nietzsche como o filósofo do acabamento da metafísica será levada em conta, com relação à sua relevância para a recepção japonesa de Nietzsche por Ueda.

Prof. Dr. José Carlos Michelazzo
Mestre em Filosofia pela PUC de São Paulo. Doutor em Filosofia pela UNICAMP. Autor do livro: "Do um como princípio ao dois como unidade – Heidegger e a reconstrução ontológica do real". Membro da Sociedade Brasileira de Fenomenologia.

Título:
"Ser e sunyata: os caminhos ocidental e oriental para a ultrapassagem do caráter objetificante do pensamento"
Resumo: A possíveis saídas para os difíceis problemas e sofrimentos de nossa época nascem da perspectiva objetificante do pensamento, presente na ciência e na técnica modernas. Não podemos simplesmente fugir dessa perspectiva nem com ela entrar em conflito usando os mesmos padrões de pensamento, nem mesmo a ela virar as costas. Devemos, ao contrário, fazer algo bem diferente, penetrar no fundamento ontológico desse caráter objetificante, ultrapassá-lo, para encontrar um solo não objetivo. É o que propõem Heidegger e os pensadores da Escola de Kyoto, ou seja, uma experiência de transcendência para além de todo horizonte metafísico. Essa experiência para o filósofo alemão dar-se-á por meio do pensamento meditativo (ser) e para os pensadores japoneses por meio da vivência religiosa radical da nadidade absoluta (sunyata).

Prof. Dr. Takao Todoroki
Graduado e doutor em Filosofia pela Universidade de Kyoto, onde escreveu sua tese de doutorado sobre Heidegger e a Escola de Kyoto. Atualmente é professor de Filosofia da Faculdade de Academia Nacional de Defesa do Japão.

Título:
“Técnica e guerra em Heidegger e na Escola de Kyoto”
Resumo: De acordo com Heidegger, o mundo moderno é totalmente dominado pela técnica que compreende o ente como algo que pode ser feito e produzido e com isso “desnaturaliza” a natureza. (Este mundo técnico contrapõe-se ao “mundo espiritual do povo” no qual “a totalidade do ente” (a physis”) predomina enquanto poder avassalador.) Esta posição técnica inicial forma a essência da “subjetividade“; por sua vez, é da subjetividade que os estados contemporâneos tomam forma.“A consequência essencial da subjetividade é o nacionalismo e o socialismo dos povos“ (GA69,44). A ordem mundial que se funda na subjetividade é caracterizada pela “luta sem limites pela segurança do poder e por isso é uma guerra sem limites“ (GA69, 44). O mundo “torna-se disposto à guerra“ (GA 69 44). Aqui faz-se necessária uma humanidade que esteja de acordo com a técnica moderna. Para Heidegger os nomes “soldados“ e “trabalhadores“ são precisamente os títulos para uma humanidade como essa.
A Escola de Kyoto constata em sua história da filosofia que o Ocidente não está mais em condições de exercer o papel de liderança na história mundial após o Japão, movido por sua “energia moral“, ter conquistado a posiçao de grande potência do extremo Oriente. Para a Escola de Kyoto, a diversificação do mundo resultante é um processo histórico necessário. Desta forma, a guerra contra os Estados Unidos e Inglaterra é uma “guerra santa“, porque ela visava constituir uma “esfera de bem estar em toda a Ásia.“ Com a ajuda do Japão, os povos de toda a Ásia deveriam tornar-se autônomos e, ao mesmo tempo, trabalharem juntos para o seu bem estar. Para isso, os filósofos da Escola de Kyoto julgavam necessário ter a técnica moderna à disposição. Nesse sentido, percebe-se a falta de uma discussão crítica com a técnica moderna e com a “mobilidade total“ que é o resultado dessa técnica.

Prof. Dr. Marcos Lutz Müller
Graduação em Filosofia e Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1965) e doutorado em Filosofia - Universitat Heidelberg (Ruprecht-Karls) (1975). Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual de Campinas. Membro do Grupo sobre Pensamento Japonês.

Título:
“A experiência do ‘lugar da nadidade’ como fundamento da consciência religiosa (Nishida) e a resolução da ‘nadidade’ do finito na infinitude verdadeira (Hegel).
Resumo: Partindo de uma crítica das formas de consciência religiosa que se articulam no registro de uma lógica objetiva do conhecimento e de uma reificação do si-mesmo, Nishida Kitaro elabora uma nova fundamentação da consciência e da vida religiosas, para além das oposições tradicionais entre teísmo, ateísmo e panteísmo. Este novo fundamento é a experiência existencial, irredutivelmente individual e histórica, do “lugar da nadidade”, que se realiza na auto-determinação do presente absoluto, concebida como a contraface da auto-negação de Deus, como a expressão da “identidade contraditória e abissal” de Deus e do si-mesmo, e, também, da vida e da morte em cada instante. Essa experiência da nadidade, que perpassa a vida ordinária e ilumina o presente, se inspira na lógica paradoxal do esvaziamento da tradição budista mahayana e, igualmente, na tradição cristã da morte de Deus e na teologia da sua exteriorização e do seu auto-despojamento. Pretende-se realçar a riqueza e a força da exploração filosófica desse conceito empreendida por Nishida mediante a contraposição reiterada que ele faz com o pensamento hegeliano da nadidade exaustiva do finito, concebido como momento ideal da verdadeira infinitude processual, esta infinitude que já sempre se exteriorizou e rebaixou à sua relação com o finito, e, simultaneamente, suspendeu a sua diferença em face do finito no seu retorno a si. Integração vs. ultrapassamento da técnica.

Prof. Dr. Rolf Elberfeld
Graduado, mestre e doutor pela Universidade de Wuerzburg onde estudou teologia e filosofia. Bolsista do Miinisterio da Educação do Japão, em Kyoto. Autor e coautor de vários livros e artigos sobre o pensamento chinês e japonês. Tradutor do chinês e do japonês para o alemão. Atualmente é professor titular em Hildesheimer.

Título:
“Vacuidade e Voz média - Formas de uso da Linguagem em Nishida e Nishitani”
Resumo: A tese deste trabalho sustenta que as filosofias de Nishida e Nishitani podem ser lidas sob uma nova perspectiva se estivermos atentos para a história e o uso contemporâneo da voz média nessa língua. Ambos os pensadores usam tal forma, supostamente sem conhecimento do embasamento gramatical da voz média. A palavra "kangaerareru", que surge com freqüência nos textos de Nishida e a palavra “mieru”, que é utilizada por Nishitani para explicar a unicidade de uma situação, são, sob uma ótica gramatical, formas da voz média. A partir de uma compreensão da voz média em textos do Japonês antigo, tais palavras, bem como toda a abordagem, podem ser vista por uma perspectiva diferente. Dessa forma, as metáforas para “lugar” (basho, tokoro) e "vazio" tornam-se acessíveis pela perspectiva da voz média. A perda da voz média desde a época em que a filosofia usava o Latim na Europa foi um fator no desenvolvimento da tecnologia naquele continente.

Prof. Dr. Zeljko Loparic
Mestre em Filosofia pela Universite Catholique de Louvain (1965), doutor pela mesma universidade (1982) e pós-doutor pela Universität Konstanz (1987). Atualmente é professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Rio Grande do Sul e da Universidade Estadual de Campinas.

Título:
“Integração vs. ultrapassamento da técnica”
Resumo: O presente trabalho inicia-se com a apresentação e discussão crítica das teses de Heidegger de que 1) a técnica moderna é resultado do acontecer do Ser que transfigura o ente no seu todo em objeto de representação, trazendo consigo um perigo extremo para o homem, e 2) o salvamento desse perigo só pode vir de uma mudança na acontecência do ser. Na sua parte central, o trabalho apresenta uma teoria alternativa do processo de objetificação do mundo e oferece uma proposta para a defesa contra o império da técnica baseada na teoria do amadurecimento humano, tomando como central o conceito de integração pessoal.



Serviço:
Data
: 28 e 29 de novembro de 2008
Inscrição pelo e-mail info@fjsp.org.br ou telefone 11-3141-0110
Horário:
9h às 16 h
Local: Espaço Cultural Fundação Japão
Av. Paulista, 37, 1º andar


Informações, fotos e contatos para imprensa:
Erico Marmiroli - (11) 9372 7774 / (11) 3865 0656 - erico.marmiroli@gmail.com
Sandra Keika Fujishiro - (11) 3141 0110 - kei@fjsp.org.br

 

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