ASSUNTOS
CULTURAIS

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| Bricadeiras Visuais |
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O
Espaço Cultural da Fundação
Japão recebeu, de 13 de setembro a
5 de outubro, 67 cartazes de Fukuda Shigeo,
um dos maiores designers gráficos da
atualidade, criador que vem influenciando
gerações de artistas gráficos
em todo o mundo. Aos 69 anos, Fukuda volta
a expor no Brasil depois de nove anos - ele
realizou exposições no MASP
em 1978 e nos Museus de Arte Moderna do Rio
de Janeiro e de São Paulo em 1992,
integrado à programação
oficial da ECO-92, realizada naquele ano no
Rio.
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| Comunicação humana e jogos lúdicos
Fukuda
concentra-se na temática da comunicação
humana como sua motivação
central: "A comunicação
humana", diz ele, "é
função básica e
objetivo último do designer gráfico.
Utilizo freqüentemente formas humanas:
às vezes figuras inteiras, em
outras, partes do corpo como o rosto,
o olho, a mão, o pé
O homem que pensa, sofre, age, sente,
canta, ri, acusa e dialoga são
fontes inesgotáveis de design
que revelam as expressões do
próprio ser humano. O brilho
dos olhos expressa a alma e a lágrima,
o seu sentimento. O movimento da mão
pode representar uma intenção.
O ser humano é um importante
elemento de design por ser um signo
visual comum a todos os povos do mundo,
vencendo a fronteira Oriente/Ocidente".
Outro elemento sempre presente nas criações
de Fukuda é o humor. Utilizando
truques visuais através de ilusão
de ótica, Fukuda presta tributo
ao mestre de ilusão holandês
M. C. Escher. Ele tem o dom de apresentar
temas universais com formas simples
e linhas expressivas, traduzindo de
modo direto a totalidade do seu pensamento.
Através de justaposições
de formas gráficas aparentemente
incongruentes, a idéia é
revelada. Ele cria uma arte ilusionista
em objetos bidimensionais e tridimensionais,
produzindo objetos inimagináveis,
distorcidos e ambíguos. E afirma
que o lúdico não se origina
da obra em si, mas da fantástica
sensibilidade inerente à célula
cerebral que possuímos.
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Sua
participação destacada na ECO-92
no Rio de Janeiro deve-se à temática
central daquele evento que coincide com uma
de suas preocupações básicas,
o planeta Terra: Fukuda acredita ser importante
"ressaltar simultaneamente a Terra que
grita e a Terra que canta. O enfoque, no entanto,
seja talvez o design da Terra cantante, mesmo
porque é desejo de todos acabar com
a outra imagem". Fukuda utiliza o pontilhismo,
hoje computadorizado, nos retratos.
E
cria mundos bidimensionais impossíveis,
inventando espaços estranhos que correspondem
a um truque visual por ele descoberto - algo
que deixamos de perceber no cotidiano.
Fukuda compara esse ato da descoberta ao prazer
lúdico dos |
quebra-cabeças.
"É o tempo desconsiderado,
o peso do volume apagado, é
o jogo da lente de aumento de uma
perspectiva ao contrário, é
a realidade inexistente criada pelo
computador humano, o cérebro",
conclui.
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