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A
retrospectiva, com oito filmes representativos
do cineasta Tomu Uchida, realizado no Espaço
Cultural da Fundação Japão,
despertou uma grande curiosidade dos cinéfilos.
Primeiro, porque estes filmes, hoje clássicos
do cinematografia japonesa, foram exibidos
nos cinemas especializados na cidade de São
Paulo na década de 60, época
áurea do cinema japonês. Muitos
que acompanharam estas primeiras exibições
nesta época, tiveram a oportunidade
de rever estas películas, em cópias
praticamente novas. |
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segundo, devido ao sucesso editorial de "Musashi",
de Yoshikawa Eiji, publicado pela Editora
Estação Liberdade, em versão
integral, dentro dos programas apoio a tradução
e publicação de títulos
japoneses da Fundação Japão.
Muitos leitores vieram conferir a versão
cinematográfica, eternizada por Tomu
Uchida.
Dando
ênfase à pentalogia Miyamoto
Musashi, a Fundação Japão
organizou uma mesa redonda convidando o professor
e pesquisador Sérgio Lima, ex-diretor
do Centro de Pesquisa da Cinemateca Brasileira,
o pesquisador e colunista do Jornal da Tarde,
Benedicto Ferri de Barros, e a monja budista
Coen de Souza. O debate, que aconteceu durante
a mostra, no dia 4 de Setembro, abriu a possibilidade
de inovadoras interpretações
sobre a filmografia de Uchida Tomu, bem como
a figura emblemática de Miyamoto Musashi.
O
professor Sérgio Lima iniciou seus
comentários, falando sobre os cinemas
japoneses do bairro da Liberdade, que na década
de 50 e 60 principalmente, marcaram uma presença
importante no cenário cultural paulistano,
chamando a atenção inclusive
de críticos e cineastas brasileiros.
Lima salientou que em alguns anos, chegava-se
a um incrível número de 200
películas inéditas exibidas
somente em São Paulo. Foi na década
de 60 que o público conheceu a série
"Miyamoto Musashi", produção
da Toei, exibido nas telas do extinto Cine
Niterói. Rubem Biáfora, um dos
mais representativos críticos de cinema
da época, já enfatizava a importância
do cinema japonês, e particularmente,
de alguns cineastas como Uchida. Benedicto
Ferri de Barros é um profundo conhecedor
da cultura japonesa. Escritor, membro da Academia
Paulista de Letras, já lançou
diversos livros sobre o Japão, e estudou
a fundo a vida e a obra de Musashi. Benedicto
Ferri traçou as características
humanas de Musashi, falou de seu pai, inclusive,
detalhes que não aparecem na obra literária
de Yoshikawa. A monja Coen de Souza, por sua
vez, deu um enfoque sobre a função
e a presença do budismo em toda a trama
deste épico, salientando a figura do
bonzo Takuan, filho de samurai e personagem
forte que trará a iluminação
ao selvagem Musashi. Além dos comentários
muito elucidativos dos três componentes
da mesa, foi particularmente interessante
a participação do público,
cujas opiniões contribuíram
para tornar este debate, numa oportunidade
única de análise das estratégias
de ação de Musashi, que além
da força bruta, aplicava uma inteligente
e sagaz leitura das condições
climáticas e temporais para derrotar
seus inimigos.
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