ASSUNTOS CULTURAIS

  
  Entrevista com Helmut Batista

1. Você é coordenador do Capacete Entretenimentos. Quais são as propostas desse movimento artístico?

A agência CAPACETE tem como propósito exibir e produzir trabalhos conceituais e contextuais inéditos, abrangendo diversas estratégias artísticas, servindo como ponto de partida para a auto-representação dos artistas, de âmbito nacional e internacional. É de fundamental interesse possibilitar uma continuidade não somente de linguagem, como servir de plataforma na construção e documentação do próprio histórico do artista, trazendo-o ao alcance do público.

2. Como foi o seu contato com o circuito artístico japonês? Como avalia, incluindo observações em relação ao equivalente brasileiro?

Meus contatos, por terem sido feitos através do Nanjo Fumio e sua equipe, não poderiam ter sido muito melhores. Tive acesso imediato com muitos artistas e galeristas e museus. Também pude conhecer melhor as atividades dos artistas mais jovens. O resultado foi uma mostra em julho deste ano com uma artista de Hiroshima chamada Kawamura Miyuki de 23 anos, em conjunto com trabalhos de Araki Nobuyoshi e Tsuzuki Kyoichi. É difícil dizer o que foi mais interessante, pois tenho a impressão de que o Japão está se abrindo há pouco tempo para o mundo nas questões da arte contemporânea. Isto é muito parecido com o Brasil, onde há uma certa fragilidade do mercado, das galerias, dos museus referente à produção contemporânea. Muitos artistas japoneses não têm condição de produzir, considerando que a escassez de espaço é aguda. Tanto o Brasil como o Japão ainda olham para os EUA e a Europa como os grandes centros da arte contemporânea. Acredito que esta imagem está mudando, porém o processo é lento e precisa de muitas iniciativas para que ocorra com vigor. A crise econômica no Japão, e a nossa eterna crise, fazem com que a arte que se produza tenha um vigor juvenil e interessante, apesar da dificuldades enfrentadas pelos artistas. Eu acredito que muita coisa poderia ser feita neste âmbito para que novas produções pudessem vir a ocorrer.

3. Quais as suas impressões sobre a Trienal de Yokohama? Você acha que ela tem
cacife para ser uma das exposições internacionais importantes?


Tenho a impressão que estes mega-eventos estão indo, de maneira geral, para uma direção oposta das exigências da arte contemporânea. Encontro um vazio em nome da globalização. Me parece que o mundo está cada vez mais querendo mega-eventos, esquecendo-se do conteúdo. Estes mega-eventos também sempre trazem a importância política que envolve toda a infraestrutura de uma cidade. Muitas vezes estes eventos são produzidos de uma forma para atrair turtistas ou a atenção da mídia mundial. Acho que a Trienal de Yokohama ocupou o mesmo lugar que todas as outras. O problema maior foi talvez uma equação particular de contar com quatro curadores, todos com os mesmos poderes, o que é algo peculiar da cultura japonesa. Acho que não funcionou. Um mega-evento deste, para ter conteúdo precisa de uma mão forte que decida por uma direção. O que houve em Yokohama foi um derrame de idéias que acabaram anulando uma idéia maior. Contudo, para os próprios artistas japoneses a presença da trienal significa uma inserção maior no plano internacional. É interessante esperar para ver a segunda versão daqui a 3 anos, pois é facil criticar o início de algo sem saber o que virá.

4. Que aspectos das tendências da arte contemporânea japonesa você gostaria de introduzir no Brasil?

Estamos organizando uma mostra de 3 artistas japoneses, Shinoda Taro, Ozawa Tsuyoshi e Kanichi (de Sapporo) para final de 2002. Acho que isto é a minha contribuição para um discurso produtivo. Pretendo também me manter informado com outros acontecimentos que envolvem a arte contemporânea japonesa.

copy