ASSUNTOS CULTURAIS

  Kimio Tsuchiya formou-se em
  arquitetura na Universidade Nihon
  em 1977. Fez mestrado em
  escultura na Chelsea School of Art
  na Inglaterra e em 1990 conquistou
  o Prêmio Fumio Asakura. No ano
  seguinte foi Grande Prêmio na 14ª
  Mostra de EsculturaContemporânea
  do Japão em Ube, Yamaguchi.
  Em 1996, realizou uma exposição
  individual no Museu Hara de Arte
  Contemporânea de Tokyo e em
  1999 conquistou o Prêmio
  Honorário no London Institute.


  
  O JAPÃO NA 25a. BIENAL DE SÃO PAULO

A 25ª Bienal de São Paulo foi inaugurada em 24 de março último, com o tema "Iconografias Metropolitanas", ocupando área de 30mil m² do Pavilhão Ciccillo Matarazzo no Parque do Ibirapuera, São Paulo. A Bienal dessa edição tem a curadoria geral de Alfons Hug e é composto de cinco segmentos: "11 Metrópoles", "Representações Nacionais", "Núcleo Brasileiro", "Salas Especiais" e "Net Arte".

O segmento "Representações Nacionais" apresenta obras de artistas convidados de 70 países, sendo um artista por nacionalidade. Segundo a Fundação Bienal de São Paulo, o curador procurou reforçar participação de países africanos e asiáticos que, geralmente, têm pouco espaço em grandes mostras de arte contemporânea para apresentar a qualidade de seus artistas.

O artista plástico Tsuchiya Kimio, escolhido para representar o Japão, veio ao Brasil a convite da Fundação Japão. Indicado pelo seu comissário Yamawaki Kazuo, Tsuchiya concebeu a obra "Após o Dilúvio", através da qual procurou sintetizar o ambíguo sentimento de perda/resgate da memória urbana, que não se resume às catástrofes que assolaram as grandes metrópoles nos anos 90, como o Terremoto de Kobe, o ataque de gás sarin no metrô de Tokyo ou, mais recentemente, a destruição do World Trade Center em Nova York. O artista refere-se à sensação do "homem desiludido, aquele que não possui locus", segundo a expressão do escritor Natsume Soseki.

A obra exibida na Bienal de São Paulo aborda o resgate da memória através de uma casa demolida num bairro de São Paulo, recuperação de algo que as pessoas perderam em nome da opulência material. Tsuchiya nasceu em 1955, dez anos após o fim da guerra e época em que o Japão entra na era da produção em larga escala, incentivando o consumo de massa. O artista teve sua formação numa época em que o país passava por várias mudanças físicas e de valores, sua população procurando essencialmente a riqueza material como um objetivo coletivo a ser atingido. Seus pais não foram diferentes e trabalharam duro para se livrar da pobreza.

Os entulhos cercam uma estrutura construída de chapas de aço cujos elementos são compostos de um pequeno corredor e um recinto preenchido de 300 relógios de variados tamanhos e formatos que talham o tempo. Dessa forma, Tsuchiya concluiu o itinerário de sua instalação com uma prece para o renascimento do mundo após o grande dilúvio. Os relógios aparecem à tona como memória particular do artista que era filho de consertador de relógios. Entretanto, a memória individual pode ser compartilhada com a de cada um dos visitantes da exposição, que igualmente são sensibilizados com o som humano e confortante do tic-tac. Tsuchiya indaga sobre o conceito do tempo que, inserida em sua obra, quer ir contra a idéia linear e progressiva imposta pela modernidade. Nenhum dos relógios da obra marca o mesmo horário, permitindo dessa forma pensar num uso do tempo diferente, como o tempo cíclico ou o "tempo individual" que varia em função das experiências de vida de cada um. Significativamente, Tsuchiya se auto-intitula um escultor. "Um escultor do tempo", define-se. Sua obra foi considerada pela Folha de S.Paulo como uma das mais importantes e referenciais desta Bienal.

A representação do Japão na 25ª Bienal Internacional de São Paulo inclui ainda os artistas Mori Mariko, Orimoto Tatsumi, Aida Makoto, Tabaimo e Tsuzuki Kyoichi, com a curadoria de Nanjo Fumio, que representam a cidade de Tokyo no segmento "11 Cidades".
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