ASSUNTOS
CULTURAIS

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BUNRAKU - TEATRO TRADICIONAL DE
BONECOS DO JAPÃO
O
BUNRAKU, teatro de bonecos japonês, perfila entre as mais importantes
tradições teatrais do mundo, constituindo-se numa exuberante
produção dramática que alia narrativas musicais
a sofisticados bonecos para o deleite do público adulto. Assim
como o Kabuki, o teatro BUNRAKU é a vigorosa expressão
da cultura plebéia do período Edo (1603-1868), em contraponto
ao teatro clássico ô, voltado para a aristocracia. A inédita
turnê brasileira inaugura no último dia de setembro no
Teatro Nacional de Brasília; prossegue em São Paulo, no
Teatro Cultura Artística e conclui no Theatro Municipal do Rio
de Janeiro, no dia 8 de outubro. Sessões de palestra e demonstração
que permitem um maior aprofundamento das técnicas dessa arte
acontecem nos mesmos locais. Quinze manipuladores de bonecos, tendo
como destaque Yoshida Minotaro, cinco narradores tayu com acompanhamento
musical a cargo de cinco instrumentistas shamisen é a composição
dos artistas que apresentarão a íntegra das peças
Sonezaki Shinju (“Os Amantes Suicidas de Sonezaki”), uma
tragédia de ressonância shakespeareana e a comédia
Tsuri Onna (“Pescando Mulheres”).
Origem
Narrativas musicais e bonecos são formas de expressão
artística que existiram tradicionalmente no Japão desde
tempos remotos, mas as duas só foram associadas no período
Edo. Assim, na Idade Média, por exemplo, os lances da guerra
entre dois clãs poderosos da época - Heike e Genji - reunidos
em obra intitulada “Os Contos de Heike”, eram costumeiramente
declamados por monges cegos ao som do alaúde (biwa). Bonecos,
por sua vez, integravam rituais religiosos e, ou representavam divindades,
ou eram usados em cerimônias de purificação. Mais
tarde, no período Edo, narrativas entoadas ao som do shamisen
foram associadas a bonecos em representações excitantes
de feitos guerreiros ou do mistério budista. O teatro de bonecos
transformou-se em importante arte em fins do século XVII, ou
seja, durante o período Genroku, época em que surge pela
primeira vez no Japão uma cultura marcantemente popular.

Sonezaki Shinju -
Tenmaya no Dan
No período Edo, a classe samuraica detinha, ao menos teoricamente,
o poder em suas mãos, estando mercadores e artesãos na
base da escala social. Na realidade, porém, os samurais ignoravam
as regras mais elementares da atividade comercial, em virtude do que,
vinham empobrecendo, enquanto alguns mercadores pouco a pouco enriqueciam.
E muito embora os membros da classe mercantil não pudessem exibir
a fortuna e o poder dela decorrente em sociedade, sempre lhes restava
o recurso de pavonear-se em zonas do eretrício ou em distritos
teatrais. Esse pano de fundo histórico proporcionou o surgimento
de certo tipo de teatro, criado pela plebe e a ela dirigido, ou seja,
Kabuki e BUNRAKU, o último dos quais, particularmente, refletia
a cultura de Osaka, a cidade dos mercadores.
O dramaturgo Chikamatsu Monzaemon (1653-1714), por exemplo, produziu
obras extremamente sofisticadas tanto para o teatro Kabuki quanto para
o BUNRAKU, enquanto Takemoto Gidayu (1651–1714) combinou as melhores
características das narrativas musicais para criar peças
para o teatro BUNRAKU de conteúdo mais sutil e expressivo que
as do próprio teatro Kabuki. Quanto a Chikamatsu, em vez de temas
simples como histórias guerreiras que prevaleciam inicialmente
no teatro de bonecos, produziu peças históricas complexas
e poéticas, combinando diversas obras do teatro Noh clássico.
Ao escrever também uma série enfocando o drama de amantes
suicidas, bem como as paixões e as contradições
do cotidiano popular, Chikamatsu criou um novo tipo de realismo que
se tornou conhecido como sewamono. Nesse tipo de peça não
existem vilões óbvios: a tragédia tem sua origem
nos conflitos de gente essencialmente boa, presa nas malhas de uma sociedade
regida por códigos extremamente severos.
Narrativas musicais
No teatro de bonecos, o clima dramático é criado pela
modalidade narrativa joruri, usualmente entoadas pelo recitador tayu
acompanhado por um tocador de shamisen. Durante a apresentação
da peça, que pode tanto durar alguns minutos como mais de uma
hora, o narrador fala por todos os personagens e também descreve
o cenário, a ação e as emoções dos
personagens. Todavia, em vez de apenas falar pelos personagens nos diálogos
ou cantar nas passagens descritivas, o narrador transita com admirável
facilidade entre as duas fórmulas vocais deste tipo de composição,
quais sejam, a da fala e a da canção, obtendo assim uma
textura musical rica e complexa. O tocador de shamisen pontua o canto
e muitas vezes dá apoio à ação no palco
com curtos fraseados instrumentais. O tocador tanto pode responder às
súbitas variações rítmicas do narrador como
estabelecer ele próprio o fluxo da balada, seu papel sendo muito
próximo ao do regente de uma orquestra.
Os bonecos

Cabeça do boneco Genda
Nos velhos tempos do dramaturgo Chikamatsu, os bonecos eram operados
por um único manipulador que se mantinha em pé por trás
de uma cor tina. Bonecos com três manipuladores foram apresentados
pela primeira vez em meados do século XVIII apenas para obter
efeitos especiais em alguns papéis isolados. Posteriormente,
o uso se difundiu até o ponto de todos os papéis principais
serem manipulados por três artistas, que imprimem aos seus bonecos
movimentos de requintada precisão. O manipulador principal, que
sustenta o peso do boneco, movimenta a cabeça e a mão
direita do boneco com suas mãos esquerda e direita, respectivamente.
O segundo manipulador opera a mão esquerda do boneco com uma
roda segura em sua mão direita. O terceiro manipulador opera
os pés, mas, como via de regra bonecos femininos não têm
pés, este deve criar a ilusão de pernas e pés,
movendo a barra do quimono com suas mãos e braços. Os
três artistas devem atuar juntos em perfeita coordenação
de movimentos, proeza que requer muitos anos de treino.

Sonezaki Shinju -
Ikutama Shazen no Dan.
O BUNRAKU hoje
Até meados do século XX, o teatro BUNRAKU era popular
ao ponto de ser uma atividade lucrativa, mas a partir dessa época,
vem sobrevivendo às custas do apoio governamental. Dois fatores
tornaram difícil sustentar economicamente este tipo de teatro:
espetáculos tradicionais atraindo público cada vez menor,
e a necessidade de o BUNRAKU ser apresentado apenas em casas teatrais
relativamente pequenas. Além de tudo, são precisos muitos
anos de treinamento para um manipulador de bonecos dominar com precisão
todos os pormenores do seu ofício. Hoje em dia, muitos artistas
vêm de programas de treinamento organizados pelo Teatro Nacional.
Contudo,
mesmo sendo pequeno o número de artistas e mesmo tendo eles de
lutar em condições difíceis para preservar esta
arte tradicional, um fato permanece: o teatro BUNRAKU ainda é
uma das mais importantes formas de expressão teatral do Japão
e do mundo, com espetáculos regularmente montados nas cidades
de Tokyo e Osaka, com turnês
Apresentações
Com legendagem eletrônica. Recomendável para maiores de
12 anos.
Brasília
Dias 30 de setembro e 1º de outubro às 21 h
Teatro Nacional – Sala Martins Penna (Setor Cultural Norte –
tel. 0XX61-325-6110)
Ingressos: R$ 60,00
São Paulo
Dias 4 de outubro às 21h e 5 de outubro às 16h e 21h
Teatro Cultura Artística – Sala Esther Mesquita (Rua Nestor
Pestana, 196,
tel. 0XX11-3256-0223 – televendas 0XX11-3258-3344).
Ingressos: R$ 80,00 / R$ 40,00 / R$ 60,00 / R$ 30,00.
Rio de Janeiro
Dia 8 de outubro às 20h30
Theatro Municipal (Praça Marechal Floriano, Cinelândia
tel. 0XX21-2299-1717 / Bilheteria: 0XX21-2299-1711).
Ingressos: R$ 50,00 / R$ 30,00 / R$ 20,00.
Promoção Fundação Japão
Realização: Sociedade de Cultura Artística.
Apoio: Agência para Assuntos Culturais do Japão –
Ano fiscal 2002,
Embaixada do Japão, Consulado Geral do Japão
Colaboração: Varig, Blue Tree Hotels, Reunidas |