ASSUNTOS CULTURAIS

  
  "SHARAKU REVISITADO POR ARTISTAS CONTEMPORÂNEOS DO JAPÃO"

A arte de Sharaku, o notável gravurista japonês do período Edo que reproduziu em mais de 140 obras atores do teatro Kabuki, é o objeto de uma grande exposição, que itinera em 8 cidades brasileiras.

“Otani Oniji III como o Criado Edohei”, xilografia de Sharaku de 1794 do módulo Reproduções de Sharaku.
O presente encontra o passado

A mostra, montada originalmente no Japão em 1995 em tributo à passagem dos 200 anos de Toshusai Sharaku, itinera no Brasil desde o mês de junho, começando pela cidade de São Paulo e atualmente abrigada em Belém, depois de ter passado por Porto Alegre e Rio de Janeiro. Recife, Manaus, Brasília e Curitiba ainda aguardam a exposição, que divide-se em três módulos:
Reproduções de Sharaku; Sharaku nas Artes Gráficas; e Homenagem a Sharaku.

“Otani Oniji III como o Criado Edohei” da artista plástica Fukuda Miran de 1996, do módulo Tributo a Sharaku.

Na primeira, serão expostas reproduções dos 28 retratos de atores Kabuki feitos por Sharaku, hoje incorporados ao acervo do Museu Nacional de Tokyo. Pode-se avaliar o choque do público do período Edo ao contemplar rostos distorcidos de atores Kabuki nas gravuras de Sharaku, contrapondo-se às gravuras convencionais.
O segundo módulo traz 28 posters assinados pelos mais qualificados designers gráficos japoneses contemporâneos. Há elementos comuns entre o Sharaku e as artes gráficas atuais, esclarece Masanobu Ito da Fundação Japão: ambos pressupõem a reprodutibilidade, ou seja, a produção de massa. São basicamente formas de comunicação e refletem o dia-a-dia de sua época. No terceiro módulo, “Homenagem a Sharaku”, onze artistas jovens do Japão – entre pintores, escultores, fotógrafos, ceramistas e designers, entre outros, compondo um microcosmo da multifacetada criação contemporânea – respondem criativamente ao universo estético do Sharaku. Assim, todas as obras deste módulo foram criadas especialmente para a exposição.

A revolução de Sharaku


“Sharaku” do designer gráfico
Kato Shuzo de 1995, que está
no módulo Sharaku na Arte
Gráfica.
Sharaku, cuja identidade jamais foi estabelecida com precisão, revolucionou a arte da gravura no Japão do século 18 ao retratar não só atores de Kabuki e de Kyogen mas também lutadores do sumô. Além das 140 obras freneticamente criadas no curtíssimo período de
dez meses, entre maio de 1794 e fevereiro de 1795, no início de carreira Sharaku fez 28 retratos de atores de Kabuki. Em vez de reproduzir somente a cabeça do ator em close, o gravurista recriou os artistas em situações cênicas através de uma observação aguçada das características da pessoa assim como do personagem atuado. Rechaçado pelo público por sua representação tão realista, sua obra ficou esquecida por um século. Em 1910, o pesquisador alemão Julius Kurth redescobriu Sharaku, e sua obra foi objeto de um verdadeiro “boom” que resultou numa reavaliação do artista no Japão. De lá para cá, restabeleceu-se a real estatura deste artista genial, tanto no Japão como em todo o mundo.  
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