ASSUNTOS
CULTURAIS

Exposição realizada no Espaço
Cultural Fundação Japão dos dias
24 de outubro a 14 de novembro
de 2002.
Palestras realizadas no Espaço
Cultural Fundação Japão e
FAU-USP nos dias 22 e 23 de
outubro de 2002.

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Satoh Taku em São Paulo - fotografia de
Issao Minami
Quando de sua passagem pela Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo da Universidade de São Paulo em 22 de outubro, perguntei-lhe,
qual seria a sua formação, pois, afinal de contas, como
ele - Taku Satoh - pode transitar com tamanha facilidade pelos campos
de abordagem de uma especialidade tão abrangente, onde o caráter
multidisciplinar do design enseja atividades de compreensão do
espaço e o seu caráter sistêmico. Taku-san, como respeitosamente
o chamaríamos - muito rapidamente nos deixou à vontade -
com a sua maneira polida e elegante, revelava-se um profundo conhecedor
de sua ocupação designer e a consciência madura de
sua importância no contexto contemporâneo japonês onde
o consumismo atinge picos altíssimos. Só por isso é
preciso ter muita clareza da sua responsabilidade pela atividade onde
tem predomínio, eminentemente, o caráter projetual com a
realização de trabalhos ligados às soluções
dos aspectos pragmáticos em diferentes produtos de consumo do dia-a-dia,
englobando aspectos sociais, históricos, tecnológicos, culturais
e econômicos.
É, justamente, este aspecto do Taku-san - de um ofícial
engajado com as artes, as tecnologias com preocupações sociais
coletivas e com a cidade - que despertou a curiosidade dos alunos e especialmente
os professores da USP. Tem-se a impressão que, para o atento ouvinte
de sua palestra, surge uma consciência de design subjacente em nossa
formação de arquitetos que, apesar de sermos, desde 1962,
a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo com as Cadeiras de Composição
e Desenho Artístico e as cátedras e as disciplinas autônomas
que geraram as seqüências, pioneira na institucionalização
e implantação da área de conhecimento e ensino da
atividade de Desenho Industrial e de Comunicação Visual
no Brasil. Esta foi, sem dúvida, uma contribuição
de vanguarda que exprimiu uma nova visão de design responsável
com um compromisso com as questões de auto-sustentabilidade que
as novas demandas dos processos e produção emergentes exigem.
Taku-san surpreende-nos com a sutileza
de “redesign” e pós-uso. Num país como o Japão
onde a renda per capita permite a massificação de consumo
de produtos industrializados, o designer deve se preocupar, antes de
tudo com o destino e com o percurso das coisas usadas e abandonadas,
onde lixo é pouco para o intrincado percurso dos inservíveis.
Pertinente aos milhões de japoneses, não só mascar
Xylitol, mas também questionar como as novas tecnologias, materiais,
processos, as questões ambientais e as suas implicações
na evolução do conhecimento no contexto social, cultural
e econômico devem influenciar no lançamento quase que diário
de novas câmeras fotográficas. “Utsurendessu”,
diria Taku-san.
Porém não é só o percurso
dos objetos do cotidiano urbano que interessa discutir. Um sucesso tem
que ser visto sob a ótica de sua criação. Na Licca-tian,
como ele mesmo se apressa em carinhosamente nomear a “barbie”
japonesa, descobre-se que tem seu sucesso assegurado pela acurada tomografia
computadorizada encomendada a um cirurgião ortopedista para diagnosticar
a idade como sendo de recém-nascida no exame da ossatura do pressuposto
crânio da Licca-tian. Daí a razão de tanto carismo
entre as crianças.
Não é só este o aspecto que marca os útimos
trabalhos de Taku-san. Observar o percurso de suas criações
nos revela a característica marcante da qualidade em sua formação
abrangente e generalizada que está presente em todas as suas
gráficas publicitárias.
Qualidade de suas criações como a
de ser permeada emotivamente e necessária ao produto para os
olhos de um consumidor contemporâneo até mesmo menos exigente.
Vale destacar sua satisfação, por exemplo, ao ser questionado
pelo professor Sérgio Martins e a sua infalível percepção
de como os objetos e peças tridimensionais urbanas serem carregados
de um sutil e aparente erotismo. Concorda Taku-sensei, disfarçando
um sorriso aparado e escondido.
Porém, a maior qualidade de Taku-sensei,
foi sem dúvida, aquela objeto de minha indagação
inicial. Esta qualidade lhe valeu ovacionamentos, aplausos e carinho
com que dezenas de alunos da USP o rodeou no final de sua exposição.
Reconhecimento este que Taku-san inegavelmente tem consciência,
pois sabe como ninguém de sua responsabilidade.
Issao Minami
Professor doutor do curso de graduação
e pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
da Universidade de São Paulo e professor titular dos cursos de
Arquitetura e Urbanismo e Comunicação Social da Universidade
do Grande ABC
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no auditório da FAU / USP - fotografia
de Issao Minami |
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