ASSUNTOS CULTURAIS
  
 


No período de 11 a 18 de junho a Fundação Japão organizou, em parceria com o Centro Cultural de São Paulo, a primeira retrospectiva de nove obras do diretor internacionalmente consagrado Mikio Naruse (1905-1969). Os filmes exibidos foram: “Perfume de Guinza” (1951), “O Relâmpago” (1952), “Vida de Casado” (1951), “Irmão, Irmã” (1953), “Ecos da Montanha” (1954), “O Amor não Morreu” (1955), “A Flor do Crepúsculo” (1954), “Correnteza” (1956) e “Diário de uma Errante” (1962).


"Irmão, Irmã" (1953)



Naruse ingressou na Shochiku como assistente de Gosho Heinosuke em 1926, obtendo sua consagração como diretor em 1935 com o filme “A Esposa é uma Rosa”. Depois de uma fase de baixo sucesso, recupera o prestígio com “Vida de Casado”, baseado no romance de Fumiko Hayashi. Sete dos nove filmes dessa Mostra são baseados em obras da literatura japonesa: cinco deles nos livros da autora já citada (“O Relâmpago”, “Vida de Casado”, “O Amor não Morreu”, “A Flor do Crepúsculo”, “Diário de uma Errante”), um do prêmio Nobel de Literatura Yasunari Kawabata (“Ecos da Montanha”), assim como de Saisei Muroo (“Irmão, Irmã”).


"Diário de uma Errante" (1962)

 
"O Relâmpago" (1952)   "O Amor não Morreu" (1955)

Cultuado pelos amantes do cinema japonês, Naruse retratou, nos filmes acima, o desmantelamento da família patriarcal japonesa e o mal estar conjugal, sempre no ponto de vista da mulher. O diretor, bem antes do feminismo dos anos 60-70, direcionava sua câmera para questões que mais sensibilizavam o público feminino, como o dilema entre permanecer na família tradicional ou tomar seu rumo independente. As mulheres retratadas por Naruse são frequentemente posicionadas como vítimas do egoísmo masculino. No entanto, diferente das mulheres vistas por seus contemporâneos Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu que, muitas vezes, aceitam sua condição com resignação, as de Naruse se revoltam contra o sistema que as oprime. É o questionamento e a resistência de suas personagens femininas que ameaçam a família tradicional japonesa, evidenciado em “Irmão, Irmã”, “Ecos da Montanha” e “Vida de Casado”, mas também faz com que elas tenham que pagar por seu comportamento. Assim, tal como o ditado “antes só do que mal acompanhada”, as mulheres dos filmes selecionados para a Mostra são solitárias guerreiras do Japão modernizante.
O evento prossegue em Curitiba, entre 11 a 18 de julho e em Brasília, previsto para 22 a 28 de agosto de 2003.

 
copy