ASSUNTOS
CULTURAIS

VEJA TAMBÉM:

|
|
Uma rede
de intercâmbio cultural entre os países da América
do Sul, visando uma intensificação de trocas de experiências
sobre o Japão, foi um dos resultados do Encontro de Ex-Fellows
As bolsas da Fundação Japão se destinam aos mais
vários segmentos das artes e das ciências humanas. Na área
acadêmica, doutorandos podem realizar pesquisas in loco, em centros
de estudos ou instituições especializadas no Japão,
para finalização de sua defesa de tese. São as
assim chamadas bolsas-sanduíche. Há também bolsas
dirigidas especificamente para artistas e escritores, para a realização
de obras de arte. No passado, foram contemplados também outras
categorias, como especialistas em preservação em patrimônio
histórico, e especialistas em administração cultural.
Bolsistas de todo o Brasil, e de alguns países da América
do Sul se reuniram no auditório da Fundação
Japão em São Paulo, para trocar e atualizar informações,
debater os rumos sobre os estudos japoneses e sugerir novos segmentos
de atividades que a Fundação Japão possa coordenar.
O encontro aconteceu nos dias 20 e 21 de Março,
reunindo 31 bolsistas, do Brasil, Argentina, Uruguai,
Chile, Paraguai, Equador, Peru, Colômbia e Venezuela.
A importância desta iniciativa foi registrada pela participação
do sr. Toru Kodaki, Vice-Presidente Executivo da the Japan Foundation,
que veio especialmente de Tokyo para acompanhar as discussões
e as conclusões colhidas neste encontro. Convidado para proferir
a palestra inaugural, o prof. Dr. José Teixeira Coelho Netto,
discorreu sobre uma questão bastante atual: a Ética na
Cooperação Cultural.
Lúcia Nagib, professora doutora da Universidade de Campinas,
atualmente ministrando aulas também na Universidade de Oxford,
na Inglaterra, representou os bolsistas, para um depoimento pessoal
e a importância da bolsa, para as suas pesquisas em torno do cinema
japonês, notadamente os clássicos desde o cinema mudo,
até a nouvelle vague japonesa. Esta permanência no Japão
rendeu quatro títulos de livros exclusivos sobre cinema japonês,
e que permitiu a Lúcia Nagib, uma visão panorâmica
e comparativa com as outras culturas cinematográficas.
Após a apresentação individual dos bolsistas, oportunidade
em que muitos deles conheceram pela primeira vez o foco de pesquisa
e de atuação profissional de seus companheiros ex-bolsistas,
procedeu-se a uma divisão em quatro oficinas temáticas,
onde os bolsistas discutiram assuntos específicos ligados ao
seu campo de atuação. Daí surgiram algumas sugestões,
que a Fundação Japão irá
analisar para operacionalizar. Uma delas é a organização
de uma rede de informações sobre a atuação
dos ex-bolsistas na América do Sul. Esta rede irá permitir
o compartilhamento das experiências dos bolsistas, bem como servir
como um potencial banco de dados para projetos relacionados com o Japão,
dentro da própria América do Sul. Uma constatação
a que se chegou neste encontro, é que existe em nosso próprio
continente, um elenco de especialistas em estudos japoneses de altíssimo
nível, além de artistas, músicos, coreógrafos
e administradores culturais aptos a cobrir a demanda de intercâmbio
com relação aos vários segmentos temáticos
sobre o Japão.
O dia 21 de Março foi reservado para um percurso cultural envolvendo
museus e instituições onde nossos ex-fellows ou convidados
como personalidades culturais são hoje, seus dirigentes. O Museu
da Casa Brasileira (Adélia Borges), o Instituto Tomie Ohtake
(Ricardo Ohtake), a OCA (Emilio Kalil) e o Museu de Arte de São
Paulo (Luís Hossaka) foram as instituições escolhidas.
Para contemplar este roteiro cultural, o violonista Camilo Carrara,
que já se apresentou em nosso Espaço Cultural, realizou
um concerto com a participação do Trio Setó e de
Danilo Tomic, ao shakuhachi (flauta de bambu empregado na música
clássica japonesa). As obras do cancioneiro japonês, reinterpretadas
pelo criativo dedilhar de Camilo Carrara impressionou os participantes,
mas – fato curioso – os chorinhos apresentados ao final,
já com a participação do Trio Setó despertou
grande interesse nos convidados da América do Sul, que desconheciam
este gênero musical, tão representativo da cultura brasileira.
|