Artes Cênicas
2005 começou com Tango! Um inusitado concerto da
Orquestra Típica comandada pelo jovem bandoneonista
Komatsu Ryota agitou os SESCs da Vila Mariana, Campinas
e Piracicaba, no Estado de S.Paulo, e lotou a Sala Cecília
Meireles, no Rio de Janeiro. De quebra, a Sony/BMG lançou
o CD Tangologue, simultaneamente, no Brasil e na Argentina.
Ryota Komatsu e orquestra durante a apresentação em São Paulo
Interpretações magistrais de clássicos de Piazzolla e Gardel,
acrescidos de obras compostas por Komatsu integraram o
concerto e estão disponíveis também no CD.
O grande espetáculo do ano aconteceu no SESC de Santos,
dotado de um dos maiores e melhores palcos do Estado de
S.Paulo, com o grupo Ishin-Ha. “Porta do Verão”, uma obra
inédita do diretor Matsumoto Yukichi foi ovacionado por
mais de 2000 pessoas, que lotaram as 3 apresentações.
Apresentação de ISHIN-HA em Santos
Normalmente apresentada ao ar livre, a Ópera Jam-Jam,
uma categoria que o diretor gosta de explicar como “roteiros
silenciosos, danças não dançadas e músicas não cantadas”
transportou um atípico dia de verão para o enorme palco do
SESC.
A Fundação Japão participou também na apresentação de
peças criadas no Brasil. O retorno do grande sucesso dos
palcos, a obra-prima de Robert Lepage, “Os Sete Afluentes
do Rio Ota”, com direção de Monique Gardenberg (destaque
em O Japão Inusitado/Aquarela de Julho 2003, disponível
também no Aquarela On Line) marcou também a lembrança
pelos 60 anos do término da Segunda Grande Guerra.
"Os Sete Afluentes do Rio Ota", direção de Monique Gardenberg
Com um elenco de grandes expoentes do teatro brasileiro,
como Caco Ciocler, Maria Luiza Mendonça, Graziela Moreto
e Helena Ignez, apresentou nesta versão 2005, Simone
Spoladore. Todos os ingressos para esta nova temporada se
esgotaram, evidenciando o grande interesse do público pela
sua narrativa revolucionária em surpreendentes cinco horas
de apresentação.
Mawaca durante a apresentação comemorativa dos 10 anos
Um brinde pelos 10 anos do grupo Mawaca! A nossa
participação no show comemorativo e gravação de um DVD
que será brevemente lançado foi pelo respeito ao trabalho
sempre coerente e dedicado deste grupo de música étnica
que vem se firmando como um dos melhores do mundo. Há
oito anos a Fundação Japão vem acompanhando o universo
de sonoridades do Mawaca. Também na música, o concerto
do compositor e violonista Durval Ferreira, célebre por suas
criações para a bossa nova, e a cantora japonesa Koyama
Kate provaram que também na MPB, a fusão com o Japão
pode criar um novo tempero.
A cantora Kate Koyama e o compositor Durval Ferreira
O grupo Pappa Tarahumara, que se apresentou em 2003 no
SESC Vila Mariana, com a peça “Ship On a View” retornou ao
Brasil em versão pocket, e trouxe desta vez a versão para
dança de “As Três Irmãs”, para a obra homônima de Anton
Tchekov. O grupo inicia um trabalho colaborativo em moldes
inéditos com a Fundação Japão em São Paulo. Em 2004,
seu coreógrafo Koike Hiroshi participou do Dança em Pauta,
no Centro Cultural Banco do Brasil, com a curadoria de Ana
Francisca Ponzio, e realizou um workshop audição para a
seleção de três bailarinos que integraram o novo trabalho do
grupo, lançado no Japão em dezembro de 2005: “Heart of
Gold”, baseado na obra de Gabriel García Márquez, “Cem
Anos de Solidão”. Esta é a primeira co-produção internacional
que a Fundação Japão em São Paulo realiza fora do Brasil.
Pappa Tarahumara em "As Três Irmãs"
Artes Visuais
A belíssima exposição “Cerâmica e Porcelana do Japão:
A Geração Emergente” fez itinerância por Belo Horizonte,
Manaus, Belém, Curitiba, Porto Alegre, Recife e finaliza no Rio
de Janeiro. Em São Paulo, acolhida pelo MASP Museu de Arte
de São Paulo, teve como diferencial as visitas guiadas pelas
ceramistas brasileiras Sara Carone, Kimi Nii e Norma Grinberg.
Exposição "Cerâmica e Porcelana do Japão: A Geração Emergente" realizada no MASP
Design em foco: a mostra “Kamekura: a gráfica, o Japão,
o cartaz” mostrou quase cinqüenta trabalhos de um dos
pioneiros do design gráfico japonês, Yusaku Kamekura,
acompanhado de uma palestra do crítico Hiroshi Kashiwagi,
realizado no Instituto Tomie Ohtake.
Na mesma oportunidade, o Instituto, um dos espaços de
referência em artes visuais no Brasil, acolhe a exposição
de mídia arte “Black Rain” da artista Rachel Rosalen, que foi
artist fellowship da Japan Foundation em 2003. Discutindo
a violência, a transgressão e a guerra, a instalação interativa
faz parte de um processo criativo que a artista desenvolve
com a Fundação Japão. Nesse mesmo eixo de evolução, a
artista foi convidada pelo Museu de Yokohama, no Japão, para
realizar a mostra “Translocal Urbanities: Love Politics”.
Instalação de mídia arte "Black Rain" da artista Rachel Rosalen
Cinema e Vídeo
Em meio à polêmica sobre o sistema de TV digital a ser
adotado pelo Brasil, a NHK International, TV estatal do Japão
preparou a primeira exibição em HDTV (alta definição) no
Brasil, mostrando o primeiro capítulo da mini-série “Haru
e Natsu: As Cartas que não chegaram”, uma saga sobre
imigração japonesa no Brasil exibida no final do ano passado
neste revolucionário sistema. A mostra percorreu diversas
cidades brasileiras.
cenas da mini-série japonesa "Haru e Natsu: As Cartas que nunca chegaram" (NHK)
A Mostra “Cinema Silencioso do Japão”, com a exibição
de um raro acervo da Japan Foundation de cinema
mudo, foi um sucesso inusitado, devido à inclusão
da narrativa Benshi, os tradicionais dubladores
que fizeram sucesso no Japão nas primeiras décadas
do século XX, antes da chegada do cinema sonoro.

Mostra "Cinema Silencioso do Japão" com apresentação Benshi
Nesta nossa versão brasileira, convidamos a
coreógrafa e pesquisadora de teatro Nô, Ângela Nagai,
para fazer uma interpretação brasileira do Benshi,
acompanhada por Valéria Zeidan na percussão
e Kitahara Tamie no shamisen. O clássico “Taki no
Shiraito” (A Feiticeira das Águas, 1933) de Mizoguchi
Kenji ganhou uma dimensão sonora jamais imaginada,
e após a mostra no Centro Cultural São
Paulo, foi apresentada também em Santos (SESC)
e Campinas (CPFL).
Uma outra mostra de grande impacto foi a “Retrospectiva Masumura Yasuzo”,
cuja cinematografia se caracteriza por um estilo vigoroso, violento e de forte apelo
psicossexual. Uma de suas obras mais famosas, “Manji”, foi baseada na obra
do escritor Tanizaki Jun’ichiro, e publicado no Brasil com o título “Voragem”, pela
Companhia das Letras. Esta é mais uma das mostras onde a Fundação Japão
concentra o foco na cinematografia de um diretor.

filme "Manji" de Masumura Yasuzo e ao lado professora doutora Lúcia Nagib em sua palestra
“O Cinema Japonês e o Dispositivo Erotizado” foi uma concorridíssima palestra
da professora doutora Lúcia Nagib, bolsista da Japan Foundation, hoje professora
titular de cinema mundial na Universidade de Leeds, na Inglaterra e certamente, a
maior autoridade brasileira em cinema japonês.
A Fundação Japão também participou da Mostra BR, do Anima Mundi e do Festival
Internacional de Cinema de Brasília.
Atividades de Investigação
Nessa linha de atuação, a Fundação Japão deu início a uma
série de cursos com temáticas instigantes. “Do Nô ao Butô
– O Transcurso Secular das Artes Cênicas Japonesas (e
suas Danças do Além-Corpo)”, ministrado pela coreógrafa Ângela Nagai e pela Dra. Darci Kusano, que acaba de
lançar seu livro “Mishima: O Homem de Teatro e Cinema”,
e que foi sua tese de Livre Docência pela Universidade
de S.Paulo e “As Artes do Corpo no Japão”, com a profa.
Dra. Christine Greiner, atualmente em Kyoto, como pesquisadora
convidada do Centro de Estudos Japoneses,
uma das referências internacionais em pesquisa sobre
o Japão, e que procurou mostrar os experimentos nas
artes corporais pós anos 50 foram alguns dos temas
analisados em profundidade.

Série de cursos: "Do Nô ao Butô" e capa do livro "Yukio Mishima: O Homem de Teatro e de Cinema"
Devido à grande procura por
cursos desta natureza, com respostas altamente positivas
pela freqüência e dedicação do público, a Fundação
Japão pretende dar continuidade também neste ano de
2006, abrindo novas frentes de discussões teóricas sobre
a estética do Japão. O aproveitamento de ex-bolsistas da
Fundação Japão tem sido uma estratégia de ação para
promover a continuidade de pesquisas e disponibilizar para
o público interessado, informações privilegiadas colhidas
durante a sua permanência no Japão.

Workshop de dança contemporânea
Também na linha de workshops/laboratório os resultados
foram surpreendentes. Propostos pelo prof. Ivan Okuyama,
mestre em Aikidô e pelos bailarinos Letícia Sekito
e Fernando Lee, estes cursos consolidam frentes de
trabalho investigativo aplicando técnicas tradicionais a
manifestações contemporâneas.
Língua Japonesa
Neste segmento as atividades seguem programas
específicos mas, uma ênfase pela cobertura nacional foi
dada, como é o caso do 10º Concurso de Oratória, que
reuniu participantes de todas as regiões do Brasil. Também
merece destaque a série de palestras sobre o tema, como
a do prof. Miyajima Tatsuo, professor da Kyoto Tachibana
University e que esteve na Universidade de S.Paulo, como
professor visitante.
Estudos Japoneses
Nesse novo segmento de atividades voltadas para a área acadêmica e intercâmbio intelectual, foi realizado o
Simpósio Internacional de Estudos Japoneses na América
do Sul, em parceria com a ABEJ, Associação Brasileira
de Estudos Japoneses e reunindo ex-fellowships sulamericanos
da Japan Foundation e também os brasileiros
radicados em outros países. Veja artigo neste número, e
acompanhe também no site www.fjsp.org.br este novo
bloco de Estudos Japoneses, com a inauguração do “Ponto de Encontro”, que irá promover discussões sobre temas específicos. Para abril, o tema é “Religião e Filosofia”.

Simpósio Internacional de Estudos Japoneses da América do Sul