CENTRO DE LÍNGUA JAPONESA

  
 

Toru Nakajima
Professor Visitante


foto: divulgação

Foi realizado em fevereiro deste ano, o Seminário Itinerante de Língua Japonesa nas cidades de Santa Cruz (Bolívia), Belém e Curitiba. Este seminário, que era realizado duas vezes por ano, passa a ser realizado uma vez por ano a partir de 2003.

A escolha dos locais baseou-se nos seguintes fatores:
a) local em que não se realizava o Seminário Itinerante de Língua Japonesa da Fundação Japão.
b) local em que nestes últimos dois anos não se realizava o Seminário Itinerante.

Neste seminário, contamos com a colaboração da professora visitante da Universidade de Santiago do Chile, Tomoko Komatsu, que juntamente realizou o trabalho nos locais acima citados.

O tema da professora Tomoko foi “O papel das Aulas de Compreensão Auditivas e sua Prática” e o meu, “Pensar no Course Design de Língua Japonesa para Crianças”, os quais foram definidos conforme levantamento de questionários distribuídos anteriormente.

O primeiro curso, realizado em Santa Cruz, contou com a participação de cerca de 40 professores. Apesar de ser o primeiro contato da Fundação Japão com Bolívia num seminário itinerante, foi possível apresentar alguns exemplos da educação brasileira que engloba o lado social do fenômeno “dekassegui”, trazendo novos ares à educação local.

Prosseguimos o curso na região norte do Brasil, em Belém, que fica a 4 mil km de São Paulo. Ali, existe uma grande diferença no nível de conhecimento da língua japonesa dos professores nascidos no Japão (issei) e da segunda geração (issei), sendo que entre os professores nisei, muitos dizem encontrar dificuldade por não possuir o conhecimento cultural que envolve as palavras (por exemplo, sabem que os japoneses comem osechi ryouri no ano novo, mas eles mesmos nunca experimentaram).

Nas margens do rio Pará, há um depósito que foi reformado e transformado em restaurante, além de uma feira e lojas de artesanatos. Quando chega a temporada, a comunidade nikkei realiza nessas margens o bon-odori e o festival de fogos de artifícios. Sentimos que a cidade possa aproveitar do investimento no turismo para abordar o ensino da língua japonesa na apresentação da cultura japonesa.

O último curso aconteceu na cidade de Curitiba, Paraná. Lá, muitos alunos não são descendentes de japonês e muitos possuem um grande interesse no Japão e na sua cultura, enquanto que no interior do Estado destaca-se a presença maciça de estudantes nikkei. Porém, por ironia, ouve-se dizer que nestes locais, a cada ano tem diminuído o interesse pela cultura tradicional do Japão. A maioria dos alunos de língua japonesa nas cidades não são descendentes de japoneses, e em termos de motivação parece-nos que não tem havido dificuldades. Porém, um assunto a ser refletido talvez seja o respaldo dos professores quanto ao atendimento da demanda dos estudantes adultos que possuem um objetivo específico.

O Brasil é o quarto país onde fui designado como professor visitante e em abril deste ano retornarei ao Japão, após quase três anos. No Japão, como professor especialista do Instituto de Língua Japonesa de Kansai da Fundação Japão, atuarei no programa de língua japonesa para especialistas. Espero que possamos nos reencontrar algum dia. Até logo!
copy