Introdução .
Textos de Célia Sakurai .
Museus / Memoriais .
Centro de Estudos sobre Imigração Jap. .
Filmografia .
Texto de Elisa Massae Sasaki Pinheiros .
‘DEKASSEGUIS’ brasileiros no Japão >  
Bibliografia do Texto .  


Entidade de Apoio ao Dekassegui .
Bibliografia Básica .



   

‘DEKASSEGUIS’ BRASILEIROS NO JAPÃO
Texto de Elisa Massae Sasaki Pinheiros (*)

Nas duas últimas décadas do século XX, o Brasil, até então visto como um país receptor de imigrantes, viu a sua população começar a se dirigir ao exterior. Não são os pobres que emigram, mas uma classe média tentando manter ou elevar o seu padrão de vida. Dentre os diversos destinos, o Japão é um dos que têm recebido um expressivo contingente de brasileiros para trabalhar em ocupações de baixa qualificação.
As primeiras notícias sobre a ida de brasileiros de origem japonesa para trabalhar temporariamente no Japão surgiram em meados da década de 80. Em geral, eles não tiveram grandes problemas burocráticos para entrar no território japonês, pois tinham ancestralidade nipônica. Eram das primeiras gerações, chamadas de issei (primeira geração ou os próprios japoneses nascidos no Japão) e/ou nissei (segunda geração ou os filhos dos migrantes japoneses nascidos fora do Japão) e muitos tinham nacionalidade japonesa ou dupla nacionalidade (podendo ingressar no Japão como japoneses). Em geral eram homens de idade avançada; chefes de família; casados; sabiam falar japonês e tinham pretensões de estada temporária no Japão.

As dez principais cidades onde se concentram brasileiros – oficialmente registrados no Japão em 2002 – são: 1o) a cidade de Hamamatsu-shi (na província de Shizuoka-ken), com 12.724 brasileiros; 2o) Toyohashi-shi (Aichi-ken), com 9.276; 3o) Toyota-shi (Aichi-ken): 6.201; 4o) Nagoya-shi (Aichi-ken): 4.721; 5o) Okazaki-shi (Aichi-ken): 3.969; 6o) Yokohama-shi (Kanagawa-ken): 3.919; 7o) Suzuka-shi (Mie-ken): 3.892; 8o) Komaki-shi (Aichi-ken): 3.748; 9o) Iwata-shi (Shizuoka-ken):3.353; 10o) Oota-shi (Gunma-ken): 3.289.
Enfim, sob diferentes aspectos, desencadeou-se um processo de institucionalização do movimento de deslocamento entre Brasil e Japão, compondo e consolidando redes migratórias cada vez mais complexas.

Perfil dos trabalhadores brasileiros no Japão

Acompanhando o fluxo do movimento migratório deste contingente, ao longo dos anos 90, notamos uma mudança no perfil dos brasileiros no Japão: gerações mais avançadas (segunda e terceira); proporção sexual relativamente equiparada; faixa etária mais jovem; pouco domínio – ou quase nenhum – da língua japonesa (dada a grande presença de brasileiros no Japão, diminui-se a necessidade dos novos migrantes de falar a língua local); mais solteiros e recém-casados (com filhos pequenos) entre os brasileiros residentes no Japão; caráter mais familiar do que individual; estadia mais prolongadas dos brasileiros no Japão. Destaca-se ainda a presença dos ‘não-nikkeis’ entre os cônjuges que têm direitos estendidos, isto é, aqueles que mesmo não tendo a ancestralidade japonesa passam a ter os mesmos direitos que seus cônjuges de origem nipônica. No Japão, eles são igualmente classificados como ‘nikkeijin’ – sempre na rubrica de ‘estrangeiros’.

(*) Elisa Massae Sasaki Pinheiros é mestre em Ciências Sociais pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), e prepara-se para defender a tese de doutorado. Sua pesquisa concentra-se no movimento dekassegui e migrações internacionais. Tem várias publicações no Brasil e exterior ligadas ao tema.

 
copy