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‘DEKASSEGUIS’
BRASILEIROS NO JAPÃO Nas duas últimas décadas do
século XX, o Brasil, até então visto como um país
receptor de imigrantes, viu a sua população começar
a se dirigir ao exterior. Não são os pobres que emigram,
mas uma classe média tentando manter ou elevar o seu padrão
de vida. Dentre os diversos destinos, o Japão é um dos
que têm recebido um expressivo contingente de brasileiros para
trabalhar em ocupações de baixa qualificação.
As dez principais cidades onde se concentram brasileiros – oficialmente
registrados no Japão em 2002 – são: 1o) a cidade
de Hamamatsu-shi (na província de Shizuoka-ken), com 12.724 brasileiros;
2o) Toyohashi-shi (Aichi-ken), com 9.276; 3o) Toyota-shi (Aichi-ken):
6.201; 4o) Nagoya-shi (Aichi-ken): 4.721; 5o) Okazaki-shi (Aichi-ken):
3.969; 6o) Yokohama-shi (Kanagawa-ken): 3.919; 7o) Suzuka-shi (Mie-ken):
3.892; 8o) Komaki-shi (Aichi-ken): 3.748; 9o) Iwata-shi (Shizuoka-ken):3.353;
10o) Oota-shi (Gunma-ken): 3.289. Perfil dos trabalhadores brasileiros no Japão Acompanhando o fluxo do movimento migratório deste contingente, ao longo dos anos 90, notamos uma mudança no perfil dos brasileiros no Japão: gerações mais avançadas (segunda e terceira); proporção sexual relativamente equiparada; faixa etária mais jovem; pouco domínio – ou quase nenhum – da língua japonesa (dada a grande presença de brasileiros no Japão, diminui-se a necessidade dos novos migrantes de falar a língua local); mais solteiros e recém-casados (com filhos pequenos) entre os brasileiros residentes no Japão; caráter mais familiar do que individual; estadia mais prolongadas dos brasileiros no Japão. Destaca-se ainda a presença dos ‘não-nikkeis’ entre os cônjuges que têm direitos estendidos, isto é, aqueles que mesmo não tendo a ancestralidade japonesa passam a ter os mesmos direitos que seus cônjuges de origem nipônica. No Japão, eles são igualmente classificados como ‘nikkeijin’ – sempre na rubrica de ‘estrangeiros’. (*) Elisa Massae Sasaki Pinheiros é mestre em Ciências Sociais pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), e prepara-se para defender a tese de doutorado. Sua pesquisa concentra-se no movimento dekassegui e migrações internacionais. Tem várias publicações no Brasil e exterior ligadas ao tema. |
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