Introdução .
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Texto de Lúcia Nagib .
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Pesquisadores .
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Onde encontrar filmes japoneses .
Bibliografia .








   

o cinema japonês em são paulo

Texto de Lúcia Nagib (*)

São Paulo tem uma longa história de amor com o cinema nipônico. Graças a essa relação, que ecoou também em outros pontos do país, os brasileiros puderam conhecer, por exemplo, as obras-primas de Yasujiro Ozu quase uma década antes de o diretor se tornar um ícone do cinema moderno no resto do mundo, celebrado por críticos como Noel Burch e David Bordwell. Ainda circula por aí uma cópia truncada e desbotada de Bom dia (Ohayo, Yasujiro Ozu, 1959), sobrevivente de um tempo em que Wim Wenders nem sonhava em fazer Tokyo-Ga (1985), homenagem ao diretor japonês que o transformou em moda. Ao longo dos anos 50 e 60, clássicos de Ozu, Kurosawa, Mizoguchi e Naruse eram exibidos na Liberdade ao lado de filmes de rebeldes como Imamura, Oshima e Yoshida, em programações mistas e desiguais, mas cujas imagens fizeram a cabeça de muitos cinéfilos e cineastas, inclusive os do Cinema Novo. Nagisa Oshima costuma contar a história de quando encontrou Glauber Rocha num hotel barato do Quartier Latin, em Paris, e Glauber se espantou com sua juventude: “Pensei que você fosse um velhinho em fim de carreira”, teria comentado o brasileiro, que embaralhava nomes e datas, mas discernia perfeitamente a qualidade do cinema nipônico.

Graças aos cuidadosos catálogos da Fundação Japão, temos hoje documentados depoimentos de especialistas, como do crítico e colecionador José Fioroni Rodrigues, espécie de memória viva do cinema japonês em São Paulo, e da cineasta e pesquisadora Olga Futema, que deu expressão imagética e poética à vida dos benshi (explicadores de filmes) no interior paulista. O assunto encontra ainda referências importantes em artigos de críticos como Rubem Biáfora (de O Estado de São Paulo), o mais constante deles, e de outros grandes nomes, como Paulo Emilio Salles Gomes e Francisco Luís de Almeida Salles. Carlos Reichenbach, Walter Hugo Khouri, Cacá Diegues e Alex Viany são apenas alguns dos grandes diretores brasileiros que falaram e exercitaram o idioma cinematográfico japonês em suas obras.

(*) Lucia Nagib, crítica de cinema, autora de diversos livros sobre cinema japonês e professora na Universidade de Campinas.

 
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