Introdução .
Textos de Sonia M. Luyten .
Panorama
do Mangá e Animê .
O mangá
exportado para o Ocidente
e o pioneirismo do Brasil >
Os animês, os desenhos animados japoneses .
Revistas sobre mangá e animê .
Os Fanzines .
Mangás produzidos no Brasil .
Estudiosos .
Associações .
Gibitecas .
Editoras .
Cursos .
Lojas .
Principais Eventos .
Na Internet .
Bibliografia .
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O mangá exportado para o Ocidente e o pioneirismo do Brasil Texto de Sonia M. Bibe Luyten *
O grande marco no conhecimento do mangá nos
Estados Unidos foi através do desenhista norte-americano Frank
Miller que, inspirado nas histórias de cunho heróico japonesas,
produz em 1983 Ronin, a saga de um samurai
sem mestre, aventura narrada em quase 300 páginas revolucionando
o mercado .
Seguiram-se a isto a tradução de várias histórias
como Kamui de Sampei Shirato e o próprio
Lobo Solitário (em 1987) num acordo
entre a Eclispse Comics e a Editora Kodansha . Na Europa a personagem
Candy Candy de Yumiko Igarashi e Kyioko Muzuki
também alcançaram o público italiano através
dos quadrinhos e desenho animado e na Suíça a revista
em língua francesa, Le cri qui tue
publicou obras de Tezuka Ossamu, Fujio Akatsuka entre outros .
No Brasil, no entanto, muito antes de Frank Miller, “descobrir’
os mangás, estes já eram fartamente lidos pela comunidade
dos descendentes de japoneses. Eles eram importados por distribuidoras
– normalmente localizadas no bairro da Liberdade na cidade de
São Paulo – que enviavam para o interior quer do Estado
de São ou Paraná para as colônias nipônicas.
O mesmo aconteceu com os animês e filmes japoneses que eram veiculados
em alguns cinemas especialmente o Cine Niterói no bairro da Liberdade.
Na TV brasileira desde a década de 1970, os heróis japoneses
também já eram conhecidos do público brasileiro
como Ultraman na TV Tupi e nos anos 1980 na
SBT, Fantomas, anos 1970 e 80 TV Record, Princesa
Safire , Jaspion, TV Manchete
e Candy Candy, TV Record nos anos 1980.
A leitura do mangá para a comunidade japonesa representava dois
segmentos importantes: um era a manutenção da língua
e o outro a aquisição ou aprendizado de novos termos principalmente
os incorporados da língua inglesa. Sua função foi
a de manter a língua coloquial viva para os que estavam fora
do Japão.
A partir da leitura do mangá, foram muitos os desenhistas descendentes
de japoneses que se influenciaram pelo traço do mangá.
Alguns deles representam grandes nomes no cenário do quadrinho
nacional como é o caso de Júlio Shimamoto que faz parte
dos clássicos brasileiros do gênero terror juntamente com
Colonese, Nico Rosso e Gedeone na década de 1950. Fernando Ikoma
publica o livro "A técnica universal das histórias
em quadrinhos" um livro ilustrado no qual dedica-se a
ensinar as técnicas de desenhos. Ikoma, ele próprio desenhista,
já introduz aos leitores e artistas brasileiros muitos exemplos
de mangás japoneses. Inclui também a biografia de desenhistas
nipo-brasileiros e seus personagens baseados na cultura japonesa como
O Samurai de Cláudio Seto:
Paulo Fukue, Kimio Shimizu também fazem parte desta galeria além
de Pedro Anísio, não descendente, com o personagem O
Judoka.
Salientamos que na década de 1960 a Editora Edrel de São
Paulo entra no mercado de HQ com histórias diferenciadas já
explorando naquela época o tema de samurais e ninjas.
Também na década de 1970 surge a primeira pesquisa sobre
mangá no Brasil coordenada pela Profa. Sonia M. Bibe Luyten,
publicada na revista Quadreca, órgão laboratorial da cadeira
de Histórias em Quadrinhos da Escola de Comunicações
e Artes da Universidade de São Paulo: “O fantástico
e desconhecido mundo das HQ japonesas”.
Neste período criou-se a primeira mangateca , acervo de revistas
de mangá no Museu de Imprensa Júlio de Mesquita Filho,
na Escola de comunicações e Artes da Universidade de São
Paulo, uma das primeiras gibitecas do país e nasceu a Associação
dos Amigos do Mangá. Em 1984 esta associação fez
uma fusão com a comissão de exposição de
quadrinhos da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e nasceu a ABRADEMI
(Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá
e Ilustrações), em 3 de fevereiro de 1984 a primeira associação
de mangá do país com o presidente Francisco Noiyuki Sato
e hoje em dia com Cristiane Saito.
Em maio de 1984 circulou o primeiro informativo sobre mangá no
Brasil: Informativo Abrademi e juntamente com a revista
Quadrix inseria-se a Edição Abrademi
a partir de agosto de 1984. Em janeiro de 1985 nascia o primeiro fanzine:
Clube do mangá (publicação da
Abrademi)
(*)Sonia M. Bibe Luyten
é Doutora em Ciências da Comunicação pela
USP. Atualmente leciona a cadeira de Histórias em Quadrinhos
e Mídia e é Coordenadora do Mestrado em Comunicação
da Universidade Católica de Santos.
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