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    Os Fanzines

Texto de Sonia M. Bibe Luyten *

Na experimentação da linguagem e do traço mangá o mesmo aconteceu com os fanzines dedicados aos quadrinhos japoneses. Do primeiro, o Clube do Mangá em 1984 em São Paulo, em todos os pontos do Brasil nos anos 1980 e maciçamente nos anos 1990, surgiram publicações independentes, de grupos ou de caráter autoral na arte de desenhar e editar mangá.

Os desenhistas nutriam-se de várias fontes para adquirir o estilo – portanto as publicações sobre mangá e animê em português ou em inglês foram importantes para fomentar o gosto pela leitura sobre o assunto e para a experiência.

Se de início as publicações vinham assinadas com sobrenomes de origem japonesa, pouco a pouco, os artistas provinham de outras descendências como Sérgio Peixoto, também organizador de festivais de animê e mangá. No Brasil estes festivais, iniciados pelo Mangácon e depois seguidos pelo Animecon e Animefriends chegam a reunir mais de 10.000 pessoas fãs de mangá e animê.

Há várias tendências em comum nas publicações de fanzines. De início, os temas estavam mais voltados para o Japão, principalmente ligados à ficção científica, e os heróis e heroínas “lembravam” os seus pares japoneses no estilo de cabelo, roupas e adereços.
Nota-se também a tendência crescente de autoras femininas envolvidas com histórias do estilo shojo mangá - quadrinhos para garotas.

E será a partir dos fanzines que a jovem geração de desenhistas nipo-brasileiras começa a assegurar patamares profissionais ou então a estrear em revistas com personagens próprios como é o caso por exemplo de Erika Awano com Holy Avenger e Elza Keiko em Mangá Tropical e Denise Akemi que saltou do fanzine Tsunami para a publicação do mesmo nome da Editora Brainstore em forma de revista.

(*)Sonia M. Bibe Luyten é Doutora em Ciências da Comunicação pela USP. Atualmente leciona a cadeira de Histórias em Quadrinhos e Mídia e é Coordenadora do Mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Santos.
 
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