Introdução .
texto de Shuhei Hosokawa .
"A Disseminação do karaokê no
Brasil nas últimas décadas" .
Entidades Organizadoras .
Associações de karaokê .
Serviços .
Conjuntos Musicais.
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A DISSEMINAÇÃO DO
KARAOKÊ NO BRASIL NAS ÚLTIMAS DÉCADAS Os atuais
concursos de karaokê começaram a ser promovidos de modo
incipiente por volta de 1984. Conta-se que naquela época alguns
eventos eram realizados com apenas 20 candidatos, bem diferente dos
dias atuais que chegam a reunir mais de 300 pessoas. Mas de lá
para cá muitas coisas mudaram. Os taikais (como são chamados)
foram ganhando proporções cada vez maiores. Só
para se ter uma idéia, no Estado de São Paulo, segundo
a União Paulista de Karaokê (UPK), o número de associações
filiadas aumentou de 30 para 300 nesses últimos 10 anos, contabilizando-se
cerca de 10 mil cantores cadastrados.
Várias razões apontam para explicar esse verdadeiro boom.
Entre elas, pode-se considerar a mudança de comportamento da
própria comunidade nikkei, que passou a considerar esses eventos
como uma forma familiar de lazer. Soma-se a isso a facilitação
dos ensaios proporcionada pelo play back, ocasionando assim um barateamento
e ao mesmo tempo uma popularização maior do karaokê.
Mas, talvez um dos fatores preponderantes para o salto quantitativo
e qualitativo do karaokê no Brasil foi a padronização
das regras dos concursos.
Nesse particular destacam-se o surgimento e o trabalho desenvolvido
pelas grandes entidades organizadoras como a ABRAC e a UPK. No começo
da trajetória dos taikais cada associação definia
suas prórias regras, o que dificultava os critérios de
julgamento. Com a normatização definida após exaustivas
reuniões conseguiu-se estabelecer parâmetros que passaram
a servir de modelo para a maioria dos concursos. No âmbito de
São Paulo, por exemplo, as filiadas à UPK seguem o estatuto
da entidade que define o número de candidatos participantes (de
aproximadamente 300 por concurso), a taxa de inscrição
(que deve ser no máximo de 12% do valor do salário mínimo
vigente), premiação, etc.
Constam também da normatização dois itens importantes.
O primeiro é a promoção dos cantores de uma categoria
para outra. Atualmente estão definidas categorias que vão
desde Shinjin (cantores iniciantes), Tibiko, Infantil, Juvenil, B, A,
Especial, Extra, Super Extra até Star. Em cada uma delas há
várias subdivisões, totalizando 34 categorias. Para subir
da categoria “B” para a “A”, por exemplo, o
cantor deve obter duas vezes a primeira colocação; da
“A” para a “Especial” três vezes; da “Especial
para a “Extra” cinco vezes; da “Extra” para
“Super Extra”, dez vezes; e da “Super Extra”
para “Star”, o candidato deve obter 20 vezes a primeira
colocação. Em todos os casos sempre com músicas
diferentes.
O segundo item se refere aos jurados. Atendendo a aspectos éticos,
estes não podem pertencer à associação promotora
do evento, assim como um casal de jurados não pode atuar no mesmo
concurso, ou ainda, um dos cônjuges pertencer à associação
promotora. As pessoas que participam do taikai também estão
impedidas de atuar no júri.
O mundo do karaokê
Com a disseminação do karaokê proporcionada pela
regulamentação criou-se também a reboque toda uma
infra-estrutura que serve de pilar para a realização dos
eventos.
Os concursos são divulgados pelas entidades organizadoras sendo
que muitas delas se encarregam de produzir revistas de dezenas de páginas
com a lista dos cantores e de anunciantes. A mídia nikkei, principalmente
os jornais impressos são encarregados da divulgação
dos concursos sendo que muitos deles, juntamente com os sites de Internet,
matém seções específicas sobre karaokê
e suas estrelas.
Em termos comerciais os taikais movimentam diretamente várias
empresas. Segundo dados da UPK, em um final de semana acontecem na Capital
e Grande São Paulo cerca de 10 concursos com a presença
de aproximadamente 3 mil pessoas. São distribuídos cerca
de mil troféus aos vencedores, contratadas 10 empresas de sonororização,
10 empresas de contagem de pontos, 10 buffets, fora os bazaristas, que
nesses eventos vendem desde fitas de vídeo, fitas de karaokê
até os mais diversos produtos, como o shitake.(cogumelo japonês).
Em se tratando de troféus, só neste item, cada associação
organizadora gasta cerca de R$ 2,5 mil por concurso. Existem ainda firmas
especializadas em filmagem e fotos. Assim, cada candidato pode comprar
a gravação de sua performance para deixá-la como
recordação ou utilizá-la para seu próprio
aperfeiçoamento. Até mesmo a parte relativa à confecção
tem seu espaço garantido, uma vez que candidatos que participam
de vários taikais contratam costureiras a fim de produzir trajes
diferentes para cada apresentação.
Um outro número expressivo de profissionais que trabalham em
função do karaokê são os professores. No
estado estima-se que sejam 150. Alguns com formação acadêmica,
outros com formação musical e vários deles cantores
que se destacaram nos concursos e passaram a dar aulas.
O Karaokê tem sido também uma importante via de intercâmbio
com o Japão. O campeão do concurso da Zenkoku Karaokê
Shido Kyokai, cujo representante no Brasil é o maestro Shoichi
Shimada, participa do Kesho (fase final) da entidade japonesa em Yokohama
no mês de abril. A associação Brasil Taishu Ongaku
Kyokai é outra que promove um concurso no mês de junho,
concedendo ao campeão o direito de se apresentar no Nippon Taishu
Ongaku Sai, realizado em agosto, e que tem entre seus jurados compositores
famosos daquele país. Participam , além do brasileiros,
concorrentes dos Estados Unidos, Coréia e China. O Brasil já
teve como campeã desse concurso a cantora Sayuri Tsutiya.
Outra entidade da comunidade nikkei que mantém intercâmbio
com o Japão é a Associação Nipo-Brasileira
de Cultura Musical. Ela promove o Concurso de Cantores Amadores da Colônia
Japonesa e o vencedor ganha uma passagem para representar o Brasil no
Nippon Amateur Kayo Sai Grand Prix Taikai. O evento acontece em Tokyo
no mês de maio com a participação do Japão,
Estados Unidos, Coréia e Taiwan. Entre os jurados estão
diretores de grandes gravadoras japonesas. O Brasil possui um bom retrospecto
nesse intercâmbio que acontece desde 1996 com Hiroishi Yudi e
em 1997 com Yoshikawa Toshiyaki que já se sagraram campeões
no concurso.
Os cantores brasileiros destaques no Japão
Ainda falando em bom desempenho de cantores
brasileiros em terras japonesas, não se pode deixar de falar
de Joe Hirata. Nascido na cidade de Maringá, estado de Paraná,
começou a cantar com 8 anos de idade motivado pelos pais. No
mundo do karaokê fez muito sucesso conquistando o tri-campeonato
brasileiro e considerado uma grande referência para os iniciantes.
Em 1988 seguiu ao Japão para lutar pelo seu grande sonho, ser
cantor profissional. Devido ao alto custo de vida daquele país,
trabalhou durante 6 anos como dekasegui. Sua consagração
veio em 1994 quando participou do maior concurso amador realizado pela
TV estatal NHK em Tókio. Concorrendo com mais de 80.000 pessoas,
foi o primeiro estrangeiro a vencer na história de 49 anos do
concurso. Em 1999 gravou, no Japão, “Sonho de um brasileiro”
música que trata sobre os dekassegui. Retornou ao Brasil no ano
seguinte e atualmente segue a carreira de cantor sertanejo.
Outra trajetória de destaque foi da cantora Karen Ito. Aos 13
anos, foi campeã no 1º Concurso Nacional de Karaokê
(ABRAC). Neste mesmo ano obteve o título de campeã do
"Uta no Champion", programa de televisão Imagens do
Japão, recebendo como prêmio um carro. Logo em seguida
venceu o concurso "Nihon Amatiya Kayo Sai" no Brasil e foi
representar o País no Japão conquistando o título
de melhor intérprete estrangeira. Desde então, Karen passou
a ser convidada para fazer shows por todo o Brasil.
Em 1989, Karen conheceu a cantora "Kim Yonja" (cantora coreana
profissional do Japão) que estava no Brasil para fazer uma apresentação
em São Paulo. Karen foi convidada por ela para estudar música
no Japão e viajou no mesmo ano chegando a participar de vários
shows junto da cantora coreana. Depois de 3 meses conheceu o famoso
compositor Gen Tetsuya que já compôs músicas para
os famosos cantores como Ishikawa Sayuri, Hosokawa Takashi, Itsuki Hiroshi,
Miyako Harumi, entre outros. Gen Tetsuya orientou-a durante um ano e
em seguida compôs as belíssimas músicas "Tokyo
Namorado" e "Eki", para Karen gravar seu primeiro disco
como profissional, lançado em 1991.
Caso mais recente de cantores que começaram a trilhar seus caminhos
nos taikais da comunidade é o da dupla Marcus e Melissa. Ela
foi campeã em 1992, aos 15 anos de idade, do concurso de karaokê
do programa Japan Pop Show transmitido pela TV Gazeta. Atualmente, as
elogiadas apresentações dos irmão no quadro “Quem
sabe Canta, quem não sabe dança” no Programa Raul
Gil, veiculado pela TV Record, renderam um contrato para a gravação
de um CD.
Mas também há vários casos de nikkeis que chegaram
à carreira profissional, já na década de 80, tendo
como partida o sucesso nos taikais nipo-brasileiros. Em 1985 Kendi Yanai,
então com 19 anos, foi contratado pela gravadora Victor japonesa
depois de vencer em abril de 1984 o concurso “Brasil Kayo Senshuken”
do qual fizeram parte como jurados o compositor Ishikawa Shosuke e Hanayagui
Itoyuki, responsável pela coreografia de vários programas
da NHK (TV estatal), entre eles, o “Kohaku Utagasen”.
Em 1986, o destaque foi Márcia Nishie, cantora de Mogi das Cruzes
que conquistou o Grande Prêmio da Canção Japonesa
no Brasil Gaikokujin Kayo Taisho e obteve o reconhecimento do maestro
Inomata Kosho que se tornou o seu principal mestre no Japão (não
só lhe deu aulas sobre canto, mas também fez diversas
composições). Márcia gravou diversos discos chegando
a apresentar-se, em 1991 no Kohaku Utagassen com a música “Furimukeba
Yokohama”, ao lado do cantor Hashi Yukio, numa transmissão
direta de São Paulo (naquele ano, esse tradicional evento musical
de Ano Novo da NHK, além do show em Tokyo teve apresentações
do exterior como Nova York, Alemanha e Coréia do Sul além
do Brasil). Participou de programas de variedades de diversas emissoras
e chegou a participar de uma novela que abordava sobre o mundo futebol
e que teve algumas cenas gravadas no Brasil. No final de 1995 casou-se
com o ator Otsuro Guitan que era justamente o protagonista dessa novela.
Alina Fukuhara, de Presidente Prudente, foi contratada pela gravadora
Toshiba Emi aos 16 anos de idade depois de conquistar o Prêmio
Revelação no concurso Gaikokujin Kayo Taisho realizado
em março de 1987.
Como se vê o karaokê pode ser considerado uma das portas
e um dos primeiros passos para aqueles que aspiram sonhos mais altos
no campo musical. Apesar de toda essa importância adquirida ao
longo dos anos, e da infra-estrutura que orbita ao seu redor, gerando
empregos diretos e indiretos, não se fala em profissionalização
no karaokê. Muitos afirmam que os eventos são, na verdade,
uma grande confraternização onde se pode rever amigos,
bater um bom papo e descontrair-se. Constitui-se na concepção
de muitos como um “Lazer Organizado”.
>> Colaborou – Luís
Yuki – Presidente da União Paulista de Karaokê.
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