Introdução .
texto de José Yamashiro .
"A mídia nikkey pós-guerra
e suas transformações" .
Agências Noticiosas .
Correspondentes no Japão .
Guias .
Jornais .
Programa de Rádio .
Revistas .
Programas de TV .
Produtoras .
Sites .
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A MÍDIA NIKKEI PÓS-GUERRA
E SUAS TRANSFORMAÇÕES
 foto: retirada do "Guia da Cultura Japonesa"
Finda a Segunda Guerra Mundial, a comunidade nipônica
viu-se mergulhada em uma cisão sem precedentes. De um lado colocavam-se
aqueles que acreditavam na vitória japonesa no conflito (kachigumi)
e de outro os que aceitavam a derrota nipônica (makegumi). Apesar
desse contexto conturbado nos primeiros anos, no entanto, aos poucos
a colônia japonesa começou a retomar suas atividades nos
vários setores da sociedade.
O final da década de 40 representou uma época marcante,
principalmente no que se refere à mídia da comunidade
japonesa em São Paulo. Nesse período surgiram vários
veículos de comunicação impressa, sendo que alguns
já existiam antes do rompimento do conflito mundial. Em 12 de
outubro de 1946 nasce o jornal São Paulo Shimbun, o primeiro
escrito em idioma japonês no pós-guerra. No dia 1º
de janeiro de 1947 circulou o Jornal Paulista, veiculo que reuniu jornalistas
e intelectuais identificados com o grupo dos chamados derrotistas, ou
esclarecidos como também eram denominados. No mesmo ano, Shigetsuna
Furuya, Yoshio Fujita e Yasushi Okinaga inauguraram a Livraria Sol (Taiyodô),
que passou a importar livros japoneses através dos Estados Unidos.
Em 1º de janeiro de 1948 surgia o Jornal Diário Nippak comandado
também por grupos derrotistas.
Esses jornais encontraram uma comunidade em transformações
motivadas principalmente pela intensificação do êxodo
rural. Ao contrário da fase anterior à guerra em que o
desejo de retorno à terra natal inspirou importantes decisões
dos imigrantes japoneses, neste período, a palavra de ordem passou
a ser a integração à sociedade brasileira.
Jogada ao ostracismo durante a Segunda Guerra Mundial, a língua
japonesa nunca voltará ao mesmo patamar anterior, afinal a nova
geração de descendentes de japoneses estava mais interessada
em outros estudos. Assim, o público dos jornais japoneses tornou-se
cada vez mais restrito: a cada anúncio fúnebre significava
um leitor a menos. Ao mesmo tempo, as empresas japonesas tão
exuberantes nas década de 70 vão buscar outros mercados
(ou retornam para a terra natal) com a crise brasileira da década
de 80 e isso significou redução de leitores também.
Para agravar ainda mais a situação dos jornais, os anunciantes
também minguaram. A verdade é que as empresas nipo-brasileiras
nunca colocaram os anúncios nesses jornais como sendo uma das
prioridades para aumentar sua freguesia. Em outras palavras, havia o
senso comunitário de “ajudar a colônia” e,
nesse sentido, despender uma certa quantia para manutenção
dos meios de comunicação era uma demonstração
desse espírito de colaboração.
E muitos empresários e comerciantes fizeram isso, anos a fio,
pelo menos enquanto as finanças permitiram. Nas décadas
recentes, em muitas dessas empresas a direção foi substituída
pelos filhos e essa nova geração, via de regra, tem outra
interpretação para a “economia de mercado”.
Faz as contas e em nome do “custo-benefício” prefere
veicular o seu anúncio num meio de comunicação
mais abrangente, afinal, o seu público não se restringe
àqueles que lêem somente em japonês.
Ao longo desses anos, todos os três jornais mantiveram suas páginas
em português tentando atrair o leitor (geralmente familiares do
assinante) que só lia português mas tinha interesse nos
acontecimentos da comunidade. Em geral, esses jornais tinham 8 páginas
standart (58x32cm) sendo que uma delas, saía em português
duas ou três vezes por semana. No entanto, essas páginas
nunca conseguiram efetivamente cumprir o papel a elas destinado, melhor
dizendo, nunca foi o diferencial na hora da escolha por determinado
jornal.
É importante ressaltar que ao longo desses anos, o Jornal Paulista
e o Diário Nippak tomaram algumas medidas visando trazer o leitor
de português para suas publicações. No final de
1976 o Paulista publicou a revista mensal Arigatô que teve vida
curta (foram 15 edições). Surgiu inicialmente como uma
revista de variedades buscando o público que nem sempre frequentava
os eventos realizados na comunidade e os anunciantes fora do chamado
circuito nipo-brasileiro. Como todas as empresas jornalísticas,
vivendo no vermelho a editora não teve fôlego para continuar
com a Arigatô por mais tempo até que a revista se auto-sustentasse.
Mais tarde, outro grupo de jornalistas tentou uma nova empreitada com
o suplemento semanal “Japão Agora”, em 1988, um jornal
de variedades com enfoque na comunidade e no Japão. A publicação
circulou até 1990.
No Nippak ficou marcada a publicação do suplemento quinzenal
“Página Um” que teve sua primeira edição
em no início de 1979. Sua linha editorial se caracterizou pela
discussão franca e incisiva sobre as questões relacionadas
à identidade dos nipo-brasileiros. Assuntos que até então
eram considerados tabu no seio da comunidade foram trazidos para as
suas páginas, provocando de início escândalos de
um lado, acusações de outro (era moda, na época,
taxar o pessoal mais arrojado de “comunista” e isso também
aconteceu com os redatores do Página Um). Veiculado quinzenalmente
como suplemento do Nippak, como a maioria de outras iniciativas, sofreu
com a falta de anunciantes embora em quase 6 anos de circulação
(a derradeira edição datou de 1o. de novembro de 1984)
tivesse reunido um número considerado de admiradores e leitores
fiéis. Infelizmente, com a venda do jornal pelo seu proprietário
Toshihiko Nakabayashi, a nova administração optou por
abandonar o projeto em favor de outros jornais que, para ele, apresentava
maiores chances de sucesso.
O fato é que, comercialmente, essas iniciativas tinham poucas
chances de sucesso – os encarregados desse setor buscavam anúncios
nos mesmos tradicionais clientes que apoiavam os jornais escritos em
japonês. Ou seja, eles apoiavam economicamente essas publicações
exatamente porque eram japonesas e não tinha sentido apoiar outra
publicação que, embora tratasse sobre temas da comunidade
nipo-brasileira, seguia outra orientação editorial e buscava
outro público leitor. Se essas iniciativas tivessem começado
com uma estrutura editorial independente formando o seu próprio
grupo de corretores de anúncio, talvez tivessem tido mais chances
de sobrevivência.
A lição dessas experiências é que faltou
maior arrojo empresarial e, infelizmente, as empresas jornalística
de língua japonesa perderam o momento histórico de uma
virada radical que permitisse a concretização daquilo
que todos encaravam como solução – aumentar as páginas
escritas em português e reduzir as de língua japonesa sem
abandonar os fiéis e tradicionais leitores mas conquistando a
nova geração de descendentes.
Foi interessante que, justamente em meados da década de 80, com
início do movimento dekassegui (ida de brasileiros para trabalhar
no Japão), surge a oportunidade de novos empreendimentos editorais
para atender às necessidades de informações e orientações
aos nipo-brasileiros que enfrentavam problemas de adaptação
ao novo país (como os seus ancestrais chegar no Brasil). Vários
jornais surgiram ao mesmo tempo – todos em português, veiculados
no Japão tendo o Brasil como notícia principal com as
notícias sobre futebol e economia e dicas sobre costumes e cultura
do Japão.
Das inúmeras iniciativas, destaque para a empresa jornalística
International Press Brasil Ltda criada em 1992 que, além do jornal
veiculado no Japão passou a editar o Notícias do Japão
com a finalidade de servir de elo entre os familiares dos dekassegui
que permaneceram no Brasil. Em 1999 mudou para Nippo-Brasil e também
ampliou sua linha editorial buscando reunir notícias da comunidade
nipo-brasileira radicada em várias cidade do país, trazer
matérias relacionada ao setor de prestação de serviços
e cultura japonesa para várias faixas etárias e recentemente
lançou a editoria em língua japonesa com os ideogramas
acompanhados por legendas.
Outro veículo que nasceu nessa mesma época foi o Jornal
Tudo Bem publicado pela empresa Patrimônio Tokyo Ltd. do Japão
destinado aos dekassegui e que durante certo tempo tentou a venda em
bancas brasileiras. Depois, como JTB Editora e Publicidade investiu
na tradução e publicação de livros tendo
como público alvo os brasileiros no Japão e os interessados
em cultura japonesa. Em 1997 lançou a Made in Japan, uma revista
de variedades tendo nos primeiros anos enfocado prioritariamente o Japão
(sua milenar cultura e seus incríveis avanços tecnológicos).
Depois de alguns anos, a revista ampliou seu enfoque para matérias
e serviços sobre temas relacionados com a comunidade nikkei.
Sempre com apresentação gráfica impecável,
a revista também busca penetração entre os leitores
não descendentes.
Dessas novas publicações em português, destaque
para o Paraná Shimbum (fundado em...) e veiculado inteiramente
em japonês e que nos últimos anos passou por uma renovação
editorial com aumento das páginas em português. E também
para o Jornal Nikkey, de Campinas (SP), fundado em março de 1991,
em português, voltado inicialmente para os dekassegui e que, com
o passar dos anos, acabou se firmando com um jornal da comunidade local.
E o que acontecia entre os três maiores jornais nikkeis de língua
japonesa? Para piorar ainda mais a situação dessas empresas,
em .... a programação da NHK (televisão estatal
japonesa) passou a ser oferecida pela tv a cabo atendendo às
necessidades dos leitores do japonês. Em 5 de março de
1998 a grande novidade meio foi a fusão dos jornais Diário
Nippak e Jornal Paulista dando origem ao Jornal do Nikkey (redação
e administração do Jornal Paulista mudaram da rua Cintra
Gordinho, na Baixada do Glicério para a rua da Glória,
próximo da estação do metrô Liberdade, sede
do antigo Nippak).
Já na parte da mídia eletrônica, os programas voltados
para os descendentes de japoneses se tornaram raros. Temos notícias
de algumas iniciativas mas sem a devida constatação da
manutenção desses programas. Uma mudança digna
de saudosismo dos áureos tempos das décadas de 40/60 quando
a audição aos programas de rádio era obrigatória.
Muito mais do que notícias, eram momentos de inteirar-se das
novidades musicais ou de ouvir as velhas e saudosas canções.
Entre os ouvintes havia aqueles preocupados com a cotação
dos produtos agrícolas, mas também aqueles interessados
em estabelecer novas amizades através das seções
de correspondências. Não só as emissoras da capital,
mas principalmente as do interior de grande aglomerações
de japoneses destinavam um horário para os japoneses.
Em São Paulo havia a Radio Santo Amaro que foi responsável
por memoráveis eventos artísticos chegando não
somente a promover a vinda da cantora Missora Hibari como também
a lançar discos de cantores do Japão e de nipo-brasileiros.
Mais tarde, essa iniciativa resultou no programa de televisão
“Imagens do Japão”, produzido pela M . Okuhara TV
Produções, cuja apresentação sempre esteve
à cargo da cantora Rosa Miyake que inclusive chegou a lançar
vários discos com músicas inéditas na década
de 60. Durante as décadas de 70/80, o grande concorrente do Imagens
do Japão foi o Japan Pop Show que tinha como apresentadores Suzana
e Nelson Matsuda.
Atualmente, em São Paulo, o programa voltado para os assuntos
da comunidade nipo-brasileira é transmitido pela Rádio
Nikkey, que vai ao ar pela Imprensa FM-102,5. E na televisão
continua a M. Okuhara TV Produções agora com o programa
Play Golf, veiculado pelo Canal 21, focado em matérias sobre
golfe.
Com o advento da Internet, percebe-se que a divulgação
da cultura japonesa ganha um novo aliado com o surgimento de vários
sites relacionados ao tema. Os jornais, diante da necessidade de competitividade
com a Internet, também criaram suas home pages divulgando parte
de seu noticiário em japonês. Várias associações
inauguraram também suas páginas (muitas delas em bilíngüe)
e mesmo aquelas que ainda não se acostumaram com essa novidade
já possuem pelo menos um endereço eletrônico para
correspondências.
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