Introdução .
Texto de Arnaldo Lorençato .
Na ponta do hashi - Como a culinária  
japonesa conquistou São Paulo >  
Pioneiros e os limites da Liberdade .  
Clássicos e sua escalada até os anos 70 .  
São Paulo, a metrópole do sushi .  
Alta gastronomia à japonesa .  

Restaurantes .
Buffets .
Delivery .
Compras .
Professores e Escolas .
Bibliografia .








    Na PONTA DO HASHI

Texto de Arnaldo Lorençato(*)

Antes de fazer enorme sucesso e ter um número tão expressivo quanto o de churrascarias e pizzarias na cidade de São Paulo, contabilizados em 2003, os restaurantes japoneses percorreram uma longa, sinuosa e interessante trajetória. Num primeiro momento, não eram sequer restaurantes. Caracterizavam-se como refeitórios anexos a pensões para atender os primeiros imigrantes que tinham saudade da comida da terra natal. Corria a década de 10 do século passado. Anos mais tarde, começaram a se profissionalizar. Ainda assim, esses estabelecimentos foram vistos com desconfiança pela clientela ocidental ao longo de décadas. No período posterior ao término da Segunda Guerra Mundial, uma nova leva de imigrantes trouxe consigo profissionais que introduziram na cidade o hábito do sushi-bar. Demoraria até o final dos anos 80 para que o pescado cru, seja na forma apenas de fatias, seja na forma de lâminas sobre bolinhos de arroz, conquistasse um número maior de adeptos. O primeiro grupo de sushimen -- formado por alguns grandes mestres, entre os quais Takatomo Hachinohe foi o maior de todos --, teve o importante papel de educar o paladar dos ocidentais. Num avanço lento a princípio, romperam os limites da Liberdade e, em seguida, o eixo Liberdade-Avenida Paulista. Espalharam-se por toda a capital. Conquistaram bairros badalados, instalando-se do circuito Vila Madalena-Itaim Bibi-Vila Olímpia. Na fase mais recente, no interior dos novos endereços germinaram jovens criadores que propõem um Japão sem fronteiras dentro dos limites da cozinha. Talentos como Tsuyoshi Murakami, Adriano Kanashiro e Jun Sakamoto, este de linha clássica, dão à culinária japonesa o status de alta gastronomia.

(*) Arnaldo Lorençato, 39 anos, é crítico de cinema e professor universitário. Jornalista formado pela PUC de São Paulo em 1966, completou 10 anos de carreira na área de gastronomia em 2003. Começou a publicar críticas de restaurantes em julho de 1992, como repórter especial de "Veja São Paulo". Na revista semanal, assinou a coluna Restaurantes por mais de oito anos. Desde 2000, é editor das duas páginas semanais "Gourmet", do caderno cultural e Fim de Semana da "Gazeta Mercantil". Colabora com as principais revistas especializadas do país, entre elas "Sabor" e "Claudia Cozinha", e escreve com regularidade para "Vogue Homem" sobre temas ligados aos prazeres da alta gastronomia. Participa anualmente como convidado dos juris de "Veja São Paulo" e "Gula", na eleição dos melhores restaurantes da capital paulista. No momento, prepara o livro "Restaurantes: História e Circuito Gastronômico" para a Editora Senac. O texto especial para este "Guia da Cultura Japonesa em São Paulo" foi produzido em dezembro de 2003.
 
copy