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aS novas religiões
Texto de Rona Alves Pereira (*)
Durante o período Tokugawa (1600-1868), o
Budismo tornou-se a religião oficial com o estabelecimento do
sistema paroquial danka-seidô, segundo o qual cada família
estava obrigada a filiar-se ao templo budista local e a registrar neste
todo nascimento, morte, mudança de residência de seus membros
etc. Após a Restauração Meiji (1868) até
o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o Xintoísmo ocupou
o lugar do Budismo como religião estatal e tornou-se o maior
suporte para o nacionalismo e militarismo da época, enfatizando
o culto ao imperador.
Alternando-se no recebimento da patronagem estatal, essas duas religiões
reduziram bastante sua vitalidade e o apelo junto a população.
A filiação a elas passou a ser uma questão de exigência
política e/ou de costume social, e não tanto uma questão
de fé e opção pessoal. Sendo assim, a partir do
começo do século passado surgiram religiões de
forte apelo popular, organizadas em torno de pessoas carismáticas,
muitas vezes tidas como “divindades ou budas vivos” (ikigami
ou ikibotoke) e possuidoras de poderes místicos. Essas religiões,
classificadas como “novas religiões” (shinshûkyô
ou shinkô-shûkyô), geralmente não estão
centradas nos textos ou rituais sagrados antigos, encorajam a participação
leiga e o recrutamento com base na escolha pessoal (ao menos na primeira
geração de convertidos). Virtualmente, todas as novas
religiões estimulam o contato direto com o sagrado, o que se
acredita ser efetivo na solução dos problemas pessoais
e sociais. Muitas foram fundadas por mulheres e possuem a maior parcela
de seus membros formada pelo sexo feminino. Embora sejam majoritariamente
de orientação eclética, algumas se destacam por
incorporarem elementos religiosos (e até mesmo científicos)
de diversas origens que não a japonesa (Budismo Tibetano, Christian
Science, medicina psicossomática, psicanálise etc). As
novas religiões mantêm uma taxa de crescimento maior que
as tradicionais não somente por seu dinamismo e sua origem sincrética,
como também por usarem com mais habilidade os meios de comunicação
de massa e técnicas de marketing e propaganda; estabelecerem
suas próprias instituições educacionais, prometerem
milagres e toda sorte de benefícios materiais e espirituais ainda
nesta vida, e apresentarem um prosetilismo mais ativo.
(*) Ronan Alves Pereira, Ph.D. Professor
de cultura e língua japonesas na Universidade de Brasília.
Mestre em Antropologia Cultural pela Universidade de Tóquio e doutor
em Ciências Sociais (Antropologia) pela Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp). Atualmente é pesquisador-visitante do Centro
de Estudos Japoneses da Universidade da Califórnia em Berkeley.
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