Introdução .
Texto de Yoshihiro Odo .
A medicina oriental desenvolvida no Japão >  
Características da Medicina Oriental   
desenvolvida no Japão .  

Peculiaridade da massagem oriental japonesa .  

Terapias tradicionais japonesas .
Shiatsu .  
Anma .  
Ventosaterapia .  
Moxabustão .  
Acunpuntura / Moxaterapia .  

Fitoterapia Oriental .
Alimentação Japonesa .
Outras Terapias Alternativas .
Tratamentos Fisioterápicos  
e de Embelezamento .

Hospitais Nipo-Brasileiros .
Bibliografia .



   

A MEDICINA ORIENTAL DESENVOLVIDA NO JAPÃO

Texto de Yoshihiro Odo (*)

“...Nestas suas bagagens trazem as roupas indispensáveis e objetos de uso diário como pasta para dentes, um frasco de conservas, um de molho para temperar comida, um ou outra raiz medicinal, as indispensáveis e esquisitas travesseiras, pequeninas e altas, de madeira forrada de veludo ou de bambu fino, flexível; cobertores, acolchoados, ferramentas pequenas (por sinal que as de carpinteiro são muito diferentes das nossas...)” (1)

A descrição que fez o repórter do Correio Paulistano sobre as bagagens trazidas pelos primeiros imigrantes do navio Kasato-Maru, em 1908, demonstra a sua surpresa com as diferenças dos utensílios diários do exótico povo japonês.
Não obstante, hoje, passados 95 anos, muitos desses objetos passaram a ser a marca registrada da cultura japonesa no Brasil, associados diretamente às práticas de longevidade, estudadas e reconhecidas pelos pesquisadores ligados à saúde em todo o mundo.

Das conservas, descobriram-se o umeboshi, ameixa usada para restabelecer o equilíbrio de pH estomacal; os travesseiros de madeira, que são recomendados para problemas cervicais; missô e shoyu, ricos em amino-ácidos e proteínas e que já fazem parte da culinária brasileira, este último habitualmente servido como tempero de saladas nos restaurantes. A alimentação à base de soja e de peixe vem sendo reconhecida como grande alternativa para uma alimentação saudável, voltada para a longevidade; a fitoterapia oriental, que usa ervas e raízes medicinais da vasta vegetação chinesa japonesa, fornece elementos de uso teórico-prático fundamentais para a pesquisa compartiva com a biodiversidade ainda selvagem da fitoterapia brasileira; e, finalmente, embora não citado pelo repórter, grande número de imigrantes traziam consigo porção de mechas de penugem seca e macia, de cor amarelada, usada em formato de cone, colada à superfície cutânea, e queimada até que provocasse pequenas queimaduras na pele.
O mogussa (conhecido como yaito ou okyû), assim introduzido pelos imigrantes japoneses, foi talvez uma das primeiras terapêuticas orientais que vieram a engrossar as páginas dos dicionários de língua portuguesa (“moxa” do original mokusa, segundo Aurélio Buarque). Na época inicial da imigração, uma das características da medicina oriental japonesa foi a popularização das terapias de Moxa, Anma, exercícios em forma de Radio-Taissô (incentivado no Regime Militar), e uso cotidiano de chás, infusões, compressas e cataplasmas.

No início da restauração Meiji (1868), a medicina oriental havia sido proibida pelo novo governo; assim, os médicos praticavam-na e transmitiam-na clandestinamente para a população. Ela vinha sobrevivendo na forma de medicina empírica, popular e vulgar. E essa foi a maneira como ela entrou no Brasil com o povo imigrante.


(*) Yoshihiro Odo, acupuntor profissional, formado pela Escola Internacional de Acupuntura (Tóquio, 1987), é professor de acupuntura e moxabustão pela Escola Tokyo Iryô Senmon Gakko (Tokyo, 1989). Atualmente leciona no Curso Shinkyú-Dôjoh de aperfeiçoamento de acupuntura e moxabustão.

(1)Handa, Tomoo. O imigrante japonês: história de sua vida no Brasil. S. Paulo, T.A. Queiroz, Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, 1987
 
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