Introdução .
Texto de Yoshihiro Odo .
A medicina oriental desenvolvida no Japão .  
Características da Medicina Oriental   
desenvolvida no Japão >  

Peculiaridade da massagem oriental japonesa .  

Terapias tradicionais japonesas .
Shiatsu .  
Anma .  
Ventosaterapia .  
Moxabustão .  
Acupuntura / Moxaterapia .  

Fitoterapia Oriental .
Alimentação Japonesa .
Outras Terapias Alternativas .
Tratamentos Fisioterápicos  
e de Embelezamento .

Hospitais Nipo-Brasileiros .
Bibliografia .



   

CARACTERÍSTICAS DA MEDICINA ORIENTAL DESENVOLVIDA NO JAPÃO

A cultura japonesa se desenvolveu de maneira independente do continente chinês e das influências ocidentais, na era Edo (1600 a 1867); o mesmo ocorrendo no campo da medicina oriental. Citamos a seguir algumas das suas características:

Uso e aperfeiçoamento de estimulações térmicas:

a) A artemísia, matéria-prima para produzir a moxa, encontrada no Japão apresenta uma enorme vantagem em relação à chinesa: a penugem encontrada nas folhas e nos talos é bem mais densa. Com ela conseguiu-se produzir um moxa de excelente qualidade, que permitiu aperfeiçoar a técnica para a sua aplicação; além disso, sendo uma erva encontrada em quase todo o Japão, acabou por facilitar a sua popularização.

b) Os treinos das artes marciais provocavam constantes acidentes, fraturas e luxações, requerendo um aperfeiçoamento no tratamento. Assim, junto com o Jiu-Jitsu, Judô, Aikidô, Karatê e outras artes, se desenvolveram métodos e variedades de compressas e cataplasmas. No Japão existem os profissionais chamados de Ju-Sei-Shi (profissionais que tratavam dos acidentes ocorridos no Judô), também conhecidos como Honetsugi (profissionais que corrigem fraturas), que detém o conhecimento sobre as combinações de ervas adequadas para compressas e cataplasmas.

c) A ocorrência de vulcões no Japão oferece muitas fontes hidrotermais, com teores variados de enxofre e outras substâncias minerais. O banho nestas fontes denominadas de onsen servem para tratar as doenças crônicas. Nesse ambiente desenvolveu-se a hidroterapia natural, hoje aperfeiçoada com o auxílio de ervas.

Aperfeiçoamento das agulhas de Acupuntura:

a) O maior invento da Acupuntura Japonesa foi a canaleta de inserção, descoberta pelo acupuntor e massagista Waichi Sugiyama, um deficiente visual, que chegou a tratar o 5º Shogun Tsunatoshi no século 17.
A partir desse invento, agulhas japonesas passaram a ter característica diferente das tradicionais. Para passar inteiramente pela canaleta, o anel da extremidade superior do manípulo foi eliminado. A técnica com a canaleta viabilizou a inserção de agulhas cada vez mais finas, de metais maleáveis como ouro e prata. Essas agulhas finas permitiram a descoberta de pontos superficiais sobre o fluxo energético sub-cutâneo. Técnicas de tonificação e sedação tornaram-se mais precisas, requerendo para tanto um melhor treinamento, além de exigir sensibilidade mais acurada do praticante. Maior ênfase foi dada então ao tratamento dos desequilíbrios energéticos, fortalecendo correntes teóricas que pleiteavam a retomada de leis de transformação dos Kis inicialmente pregada nos clássicos chinêses “Somon e Reissú “ (Suwen e Ling shu), Livros do Imperador Amarelo.
Do ponto de vista do paciente, o uso da canaleta resultou na diminuição, até mesmo na eliminação completa de dor sentida, quando a agulha penetra pela região sub-cutânea, onde se concentram as extremidades dos nervos sensitivos. Pode-se dizer que a grande vantagem do acupuntor japonês é a sua habilidade no manuseio da canaleta, na inserção indolor das agulhas.

b) Inovações recentes na Acupuntura Japonesa. Modernamente outras inovações foram acrescidas. As agulhas são hoje fabricadas com aço inoxidável, mais resistentes a temperatura, o que permite a esterilização completa com uso de autoclaves.
No terreno de pesquisas, foram descobertas diferenças de sensibilidade a calor entre os meridianos, aplicadas hoje em diagnósticos de desequilíbrio energético. Inventou-se a técnica de agulha sub-cutânea para restabelecer esse desequilíbrio, o que abriu novos horizontes nos tratamentos de casos mais sutis. A descoberta da sensibilidade a calor favoreceu a pesquisa posterior de diferença de potencial elétrico entre os meridianos, dando origem ao método Ryodoraku, de tratamento por estimulação elétrica. E mais recentemente, pesquisas no campo eletromagnético têm levado ao reconhecimento do uso de ímãs nos pontos de Acupuntura.
Podemos, enfim, afirmar que a medicina oriental no Japão se caracteriza pela convivência do tradicional com o moderno, da filosofia taoísta com a ciência moderna, refletindo a característica atual da sociedade e cultura japonesa.

(*) Yoshihiro Odo, acupuntor profissional, formado pela Escola Internacional de Acupuntura (Tóquio, 1987), é professor de acupuntura e moxabustão pela Escola Tokyo Iryô Senmon Gakko (Tokyo, 1989). Atualmente leciona no Curso Shinkyú-Dôjoh de aperfeiçoamento de acupuntura e moxabustão.

 
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