Introdução .
Texto de Yoshihiro Odo .
A medicina oriental desenvolvida no Japão .
Características da Medicina Oriental
desenvolvida no Japão .
Peculiaridade da massagem oriental japonesa >
Terapias tradicionais japonesas .
Shiatsu .
Anma .
Ventosaterapia .
Moxabustão .
Acupuntura / Moxaterapia .
Fitoterapia Oriental .
Alimentação Japonesa .
Outras Terapias Alternativas .
Tratamentos Fisioterápicos
e de Embelezamento .
Hospitais Nipo-Brasileiros .
Bibliografia .
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Peculiaridade da Massagem Oriental Japonesa
“Kaa-san okata o tatakimasho, tan ton tan
ton tan tonton”. (Mãe, deixe-me tratar de você,
tan ton, tan ton, tan tonton).
Crianças japonesas aprendiam a cantar e cuidar da mãe
com técnicas de percussão e amassamento, chamadas de kata-tataki
e katamomi. Prática comum entre os familiares japoneses, demonstra
a popularidade do An-ma e sua técnica que fazem parte da troca
afetiva e energética entre os filhos e pais ou avós.
O An-ma, assim praticado popularmente, se desenvolveu a partir do Do-In,
que entrou no Japão junto com o Budismo, Confucionismo, Kanji,
e demais culturas continentais, e combinava práticas de exercícios,
massagens, e tratamento das fraturas. Durante a Era Edo, o deficiente
visual Waichi Sugiyama criou a escola de Acupuntura e An-ma para deficientes
visuais (1682). A partir de então, estes começaram a despontar
na prática da massagem An-ma, resultando no aperfeiçoamento
técnico e sensitivo da massagem propriamente dita. A riqueza
dos detalhes técnicos é, desse modo, sua característica
maior.
Shiatsu é o nome de uma prática mais recente, que se desenvolveu
combinando conhecimentos de Do-In, An-ma, e métodos de reanimação
do Judô. O seu surgimento é posterior à restauração
Meiji, e utiliza principalmente as técnicas de pressão
e vibração com os dedos.
No Japão atual, o profissional massagista obtém licença
de exercício profissional para An-ma, Massagem (ocidental) e
Shiatsu, após completar 2,5 anos de curso e prestar concurso
público de habilitação profissional.
Outra habilidade profissional, peculiar à medicina oriental japonesa
é a de Judô-Seifuku-Shi (Jûsei-shi). Desenvolveu-se
a partir do surgimento do samurai (século 12), que entre os diversos
treinamentos para a luta, praticavam o Yawara, precursor do Judô
e Jiu-Jitsu. Em seus treinamentos ocorriam muitas fraturas, o que levou
à necessidade de desenvolver os métodos de tratamento.
Judô-Seifuku possui técnicas precisas para colocar os ossos
fraturados ou deslocados de volta exatamente no seu lugar, de modo que
acelera e facilita a sua recuperação.
No final da Segunda Guerra Mundial (1945), o GHQ (Comando de Ocupação
das Forças Aliadas) tentou proibir a prática de Acupuntura,
Moxabustão, Judô-Seifuku, e as diversas práticas
terapêuticas tradicionais no Japão. Houve uma intensa e
forte resistência das escolas de massagem de Acupuntura, dos profissionais,
dos deficientes visuais que exerciam profissionalmente o An-ma e Acupuntura
como meio de sobrevivência econômica, e até mesmo
de médicos pesquisadores da medicina oriental. Em 1947, graças
a esta resistência japonesa, o GHQ teve que ceder e admitir a
instituição de leis que garantissem as diversas profissões
terapêuticas tradicionais. Assim é que o Japão se
antecipou a todos o países do mundo em garantir um status de
profissão independente a acupuntores, massagistas (incluindo
o Shiatsu e An-ma) e Judô-Seifuku-Shi.
Embora a medicina oriental japonesa tenha um vasto campo de conhecimento
empírico e teórico acumulado, pouca tem sido a sua divulgação
entre os descendentes.
Como o despertar para a cultura oriental é um fato mais recente,
é possível que somente agora ela e a cultura japonesa
venham a preencher o vazio cultural que se produziu nos descendentes
nisseis. Estes viveram uma época de necessidades econômicas
reais, agravada com a derrota japonesa na 2ª Grande Guerra, quando
sofreram a proibição governamental de dialogar a língua
do país perdedor - o vazio que tal decisão provocou entre
os jovens nisseis resultou na negação e desprezo das suas
raízes culturais e, posteriormente, no falso dilema de identidade
cultural.
A realidade étnica e histórica mostra que eles são
brasileiros, que descendem de japoneses e, portanto, carregam consigo
a herança do arquétipo japonês, conscientes ou não.
A riqueza desta herança está sendo resgatada, revalorizada
após o processo de reerguimento econômico japonês
e o recente fluxo de mão de obra dekassegui. O novo dinamismo
dos bairros orientais, novos produtos, alimentos, proliferação
dos sushi-bar, são o fruto deste resgate, ampliação
do canal de intercâmbio com a cultura japonesa, e da luta de reparação
do inconsciente que ocorreu neste processo. Que este resgate continue,
e contribua para o processo de fusão cultural da formação
da alma brasileira(2).
(*) Yoshihiro Odo, acupuntor profissional,
formado pela Escola Internacional de Acupuntura (Tóquio, 1987),
é professor de acupuntura e moxabustão pela Escola Tokyo
Iryô Senmon Gakko (Tokyo, 1989). Atualmente leciona no Curso Shinkyú-Dôjoh
de aperfeiçoamento de acupuntura e moxabustão.
(2)Gambini, Roberto. Espelho Índio: A formação
da alma brasileira. Axis Mundi: Terceiro Nome, 2000.
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